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A misteriosa (e incrível) ilha que dá para visitar de carro duas vezes por dia

O cenário da nova minissérie da HBO é destino de férias e tem um passado recheado de histórias.
Nunca viu uma ilha assim

Desde a escola primária que o sabemos quase de cor: uma ilha é um espaço de terra rodeado de água por todos os lados. E Osea é, de facto, uma ilha. Mas deixa de o ser pelo menos duas vezes por dia. Confuso? Já explicamos tudo.

A misteriosa ilha é o cenário da igualmente enigmática minissérie “The Third Day”, protagonizada por Jude Law e disponível desde 15 de setembro na HBO Portugal. Para chegar à ilha sem necessitar de um barco — ou arriscar a perigosa travessia a nado —, só mesmo através de um caminho mágico que surge das águas mais ou menos a cada 12 horas, a cada mudança de maré. Assim permanece durante cerca de quatro horas, até submergir novamente.

Os ingleses chamam-lhes tidal islands, ilhas cujo estatuto é alterado pela subida e descida das águas. Existem às dezenas pelo país, embora Osea seja, sem grandes dúvidas, a mais famosa.

Situada no rio Blackwater, na região de Essex, é propriedade privada, mas nem por isso está vedada ao público. Pelo contrário.

Detida pelo produtor de música Nigel Frieda, é hoje um destino de sonho para artistas, que ali passam várias semanas quando chega a altura de gravar novos trabalhos. Por lá passaram já nomes como Jessie J ou Tinie Tempah.

Além de servir de cenário a “The Third Day”, recebe atualmente eventos como casamentos ou até festivais de música. Mas nem sempre foi assim.

A Captain’s House é uma das mansões disponíveis

Até 2010, na ilha de Osea funcionou uma luxuosa clínica de reabilitação pela qual passou a célebre Amy Winehouse. O The Causeway Retreat acabou por encerrar há cerca de uma década por ordem do tribunal, que considerou o espaço “escandalosamente negligente” e aplicou uma multa de mais de oito mil euros.

Hoje, os 160 hectares de paisagem verde estão ao dispor de pelo menos nove casas de campo de traça histórica, seis apartamentos e duas casas de praia. Preços da estadia? Podem ir dos 375€ por noite até uns estonteantes 5,5 mil.

Não desespere: a ilha tem pelo menos um restaurante. Chama-se The Bomb Factory e funciona num antigo armazém de torpedos. Já vai perceber porquê.

O restaurante e espaço para eventos, The Bomb Factory

Uma história única

A ilha é pequena e terá muito pouco para ver, além da paisagem e de servir como uma espécie de retiro. Ainda assim, o seu passado tem muita coisa para contar.

No início do século XX, serviu de paraíso boémio, quando o milionário Frederick Charrington decidiu montar ali uma “casa para ébrios”, estrategicamente instalada a apenas 90 minutos de Londres, mas em localização suficientemente discreta para evitar problemas.

Uma década depois, no início da Primeira Guerra Mundial, transformou-se numa base naval. Na HMS Osea moraram centenas de membros da Marinha Real e ficou estacionada uma frota de lanchas equipadas com lança-torpedos. Era dali que partiam em ataques a embarcações russas no Mar Báltico.

Viver na ilha

Poucos viveram a experiência completa da ilha como a produção de “The Third Day”. De acordo com a realizadora Philippa Lowthorpe, Osea tem um ar de ilha assombrada com uma “atmosfera especial”.

“Num dos dias tivemos que acordar muito cedo para gravar a Naomie [Harris] a atravessar a passagem e foi um momento mágico. Às seis da manhã, o sol cruza o mar e dá à ilha um ar de Avalon”, explica.

O percurso terreste só está disponível duas vezes por dia

O ambiente, contudo, nem sempre era tão idílico. “Alguns acharam o local assustador, porque estávamos a gravar um thriller arrepiante e não havia uma única luz na rua. É fácil ficares um pouco aterrorizado”, recorda.

Sobre o que torna a ilha verdadeiramente especial, a atriz Emily Watson explica que esse era um dos desafios desta gravação. “Exatamente como na história, se perderes o caminho aberto pela maré, tens que esperar pela próxima ou então arranjas um barco”, conta, antes de descrever a experiência de viver 24 horas por dia num local assim como uma espécie de “colégio interno bizarro”. Leia ainda o artigo da NiT sobre o ator português que participa nesta série (e que contracenou com Jude Law).

O caminho fecha-se ao fim de quatro horas

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