Viagens

Nanoturismo: a nova tendência que vai marcar as viagens depois da pandemia

Viagens mais próximas da origem e onde o visitante não se limita a ver mas a participar, podem ser a resposta.
Para escolher a viagem ideal.

Tudo vai ficar bem, dizia-se no início da pandemia — mas a maioria das pessoas já superou essa fase. Quando esta situação única passar, tudo irá ficar o melhor possível; e, quase certamente, diferente.

No setor das viagens, adensa-se o debate sobre se há lições, e quais, a tirar desta paragem, e em que moldes será feito o regresso ao hábito de viajar – tão crescente e massificado nos últimos tempos, responsável por um lado por milhões de empregos em todo o mundo mas por outro com alguns contras, como os malefícios ao ambiente, as descaracterizações das cidades, entre vários.

Enquanto se aproveita a pausa global nas viagens para pensar em tudo isto, dois arquitetos criaram um debate do que pode, defendem, ser a nova tendência do regresso do setor: o nanoturismo. “O termo turista é cada vez mais usado de forma pejorativa, para sugerir um interesse superficial por culturas ou ambientes. Ninguém quer mais ser turista, mas prefere ser viajante, passageiro, convidado ”, explicam os arquitetos Aljoša Dekleva e Tina Gregorič, que cunharam o termo nanoturismo em 2014, muito antes da pandemia.

Segundo o “The Independent“, eles já lançaram mesmo uma plataforma, nanotourism.org, em que definem este termo como algo “construtivo, que descreve uma crítica criativa às atuais desvantagens ambientais, sociais e económicas do turismo convencional, servindo como uma alternativa participativa, orientada localmente e de baixo para cima”. O prefixo nano vem da palavra grega para anão, costuma definir uma medida microscópica. Um nanoturista, “examina os aspectos invisíveis dos lugares que visitamos e torna-os visíveis.

De acordo com o jornal, em conjunto com Tina Gregorič, que preside o Departamento de Tipologia de Arquitetura e Design da Universidade Técnica de Viena, um especialista no tema, Jakob Travnik organiza cursos sobre nanoturismo e co-organiza a Nanotourism Visiting School, para identificar e criar pequenos projetos de nanoturismo participativos específicos para um local. “O nanoturismo já existia e não afirmamos tê-lo inventado — chamá-lo de nanoturismo é simplesmente uma forma útil de tornar certas atividades existentes mais visíveis e sujeitas a discussão e debate”, diz Travnik ao meio britânico.

Na prática, um nanoturista passa a fazer parte da comunidade local em vez de usar um destino como cenário de férias genéricas. Não se limita a ver e usufruir, mas participa, como os viajantes em agroturismo ou voluntariado. 

Em última análise, explica Jakob Travnik, “a principal característica do nanoturismo é a troca entre os visitantes e o hospedeiro, que é diferente da simples observação e mero consumo dentro do modelo de turismo de massa”.

Associada a esta premissa base, vêm outras secundárias, ainda que não obrigatórias, com o mesmo objetivo de prevenir a massificação constante: “As pessoas não precisam de viajar longas distâncias para conseguir essa troca. Algumas das maneiras mais eficazes de ser um nanoturista são envolvendo-se no que se passa na sua rua, no seu quarteirão e na sua cidade — um ambiente de viagens que pandemia reintroduziu a muitos de nós”, conclui Travnik. No fundo, apostar em visitar o seu país, a sua cidade e até o seu bairro, como foi sugerido em 2020; mas sobretudo, sempre com um espírito de trocas de saberes, partilha de experiências e conhecimentos, proteção e valorização do património local, desenvolvimento de economias responsáveis ​​e sociais e muita inclusão.

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