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Viagens

Neom, a cidade do futuro que vai ter praias com areia que brilha no escuro

Será trinta vezes maior do que Nova Iorque e é o projeto ambicioso dos sauditas, afetado agora por uma nova polémica.
O projeto é ambicioso

Entre a areia do deserto e a água salgada do Mar Vermelho, pode nascer a cidade do futuro. Mais de 30 vezes maior do que Nova Iorque, é um dos projetos mais ambiciosos do planeta e pretende ser mais do que um ponto turístico. Neom quer ser o farol de uma sociedade saudita que quer livrar-se da dependência do petróleo.

O projeto, anunciado em 2017, mantém a tradição da família real saudita: é uma obra megalómana. Instalada em “território virgem” — uma afirmação falsa, como comprovam as mais recentes polémicas que envolvem Neom —, irá representar um investimento de cerca de 460 mil milhões de euros por parte do governo saudita, ao qual acrescerá valores de novos investidores.

A cidade recebeu um nome que combina a palavra grega neos, que significa novo, e mustaqbal, a palavra árabe para futuro. Escolher o nome é a tarefa mais fácil. Difícil será transformar este pedaço de terra árido numa cidade, um local onde apenas abunda a luz solar e água salgada. Para operar a revolução, Neom irá contar com uma tecnologia de criação de nuvens e chuva artificial, revelam alguns dos documentos confidenciais revelados pelo “Wall Street Journal”

As novidades incluem táxis voadores, aulas com recurso a professores holográficos, uma lua artificial para iluminar as noites, praias com areia que brilha no escuro e uma espécie de parque jurássico com dinossauros robóticos. O final da primeira fase estava previsto para 2020, embora apenas o aeroporto esteja já em fase de conclusão.

Com meta de conclusão para 2025, os planos do príncipe saudita Mohammed bin Salman parecem estar bastante atrasados — e o sonho de criar o novo capítulo da humanidade está em risco devido a mais uma polémica.

Ao que parece, Neom não vai nascer em terras virgens e desabitadas. De acordo com o “The Guardian”, a zona é a casa da tribo nómada dos Huwaitat há várias gerações, uma história que precede a constituição da própria Arábia Saudita.

Neom fica junto ao Mar Vermelho

São, ao todo, cerca de vinte mil habitantes que o governo saudita pretende retirar à força do local. Um deles, Abdul Rahim al-Huwaiti, tornou-se uma espécie porta-voz da tribo. Com recurso às redes sociais, foi revelando as pressões exercidas pelas autoridade.

Ao desafiar a vontade da família real, al-Huwaiti sabia que iria enfrentar um problema. O próprio terá revelado que esperava ser incriminado de forma a que pudesse ser preso. Acabou por ser morto pelas autoridades sauditas, que explicam ter sido recebidas a tiro e que apenas responderam à agressão.

Este não é o único entrave colocado à ambição da Arábia Saudita em criar a cidade do futuro. Apesar do valor avançado pela família real, o projeto necessita de investidores, que poderão hesitar perante as mais recentes polémicas, não só com a tribo mas devido às repercussões internacionais do homicídio do jornalista e crítico do regime Jamal Kashoggi — que, segundo uma investigação do “The New York Times”, terá sido assassinado na embaixada saudita em Istambul por uma equipa de homens próxima de Mohammed bin Salman.

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