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Nesta ilha das Caraíbas vivem milhares de portugueses — e o fado é quase um hino

Ao passear pelas ruas de São Bartolomeu é quase certo que sentirá o cheiro de bacalhau a ser cozinhado algures.
Não precisa de aprender outra língua para ser feliz nesta ilha.

Os portugueses estão espalhados por todo o mundo: França, Suíça, Alemanha e até Estados Unidos. Surpreendentemente, o espírito nacional está presente também numa paradisíaca ilha nas Caraíbas, onde um terço da população é originária do nosso país.

Trata-se da ilha de São Bartolomeu, nas Caraíbas, localizada a norte de Saint Kitts e sudeste de Saint Martin. É um território francês com uma mistura de pessoas que falam francês e crioulo. Nos 24 quilómetros quadrados que a compõem encontramos águas turquesas, praias idílicas com uma areia suave e dourada — fatores já conquistaram alguns dos maiores ícones da música, como Paul McCartney ou Eric Clapton.

Num destino marcado também pela alta qualidade de vida, encontramos ainda várias tradições portuguesas, como o fado (que se ouve na rua) ou o cheiro a bacalhau cozido que se sente em muitas casas. Mas afinal, porque é que tantos portugueses viajaram para São Bartolomeu?

Numa altura em que o território era maioritariamente composto por vegetação, surgiu o desejo de o transformar em algo mais — especificamente numa espécie de paraíso para todos os que aí pudessem comprar terreno para construir sumptuosas casas.  Aposta na construção de enormes vivendas precisava de mão de obra que correspondesse à qualidade desejada. Os portugueses tinham bastante fama o setor, o que acabou por ser uma oportunidade, especialmente para os habitantes das regiões de Braga, Valença do Minho, Guimarães e Viana do Castelo que rapidamente emigraram para a ilha.

A multiculturalidade também está presente nos maiores cidades da ilha, como Gustavia — onde encontramos um enorme porto que se estende por toda a baía —, cujo nome surge em forma de tributo a Gustavo III, um antigo rei da Suécia (o país nórdico foi o primeiro a colonizar São Bartolomeu). Já o nome da própria ilha aparece em 1493, após ter sido “descoberta” por Cristovão Colombo, que a batizou em honra do irmão mais novo.

Outrora, foi uma Meca para os milionários. Tudo começou com David Rockefeller, que em 1957 viu ali uma oportunidade única para construir uma enorme vivenda. Seguiram-se vários magnatas dos Estados Unidos, que acabaram por repetir o exemplo.

Foi por essa altura que começou a aposta na construção das casas. Pouco depois chegaram os primeiros portugueses à ilha, após uma oferta de trabalho que pretendia construir uma central elétrica. Os quatro portugueses que ali desembarcaram e puseram mãos à obra mostraram o seu valor, e foram contratados para vários outros projetos, trazendo assim uma nova (e talvez primeira) vida a São Bartolomeu. Convenceram os amigos e familiares a mudarem-se para a ilha e a comunidade lusófona começou a crescer.

Há 25 anos, eram apenas 250. Atualmente são três mil numa população com nove mil habitantes. A explosão na quantidade de portugueses que ali vivem deu-se quando o furacão Luís desolou a ilha. Era preciso erguê-la de novo, e não era apenas um mito que os oriundos de Portugal eram peritos em construção. A necessidade de mão de obra aumentou e o fenómeno voltou a repetir-se: trouxeram as famílias e os amigos e ali acabaram por assentar.

Atualmente, quem visitar a ilha encontra um restaurante português, o Le Portugal à Saint Barth, e pode ouvir a Antena 2 ou a NiTfm enquanto descontrai à beira-mar. Embora a língua mais falada continue a ser o francês, ambos os países veem as suas culturas a caminhar pelos sons e pelos cheiros das ruas.

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