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Nesta ilha existe uma praia, um alojamento e um restaurante. Mais nada

Em Palmarola também não há rede móvel, nem estradas, mas vai encontrar cenários com água azul-turquesa e rochas vulcânicas.

Há poucos lugares no mundo que são conhecidos por tudo aquilo que não têm — Palmarola é um deles. A pequena ilha italiana no arquipélago das Pontinas, no mar Tirreno, não tem estradas pavimentadas, nem eletricidade e muito menos rede móvel. Ou seja, é um paraíso para quem gosta de fugir à confusão. 

A ilha, que poucos turistas conhecem, foi formada há milhões de anos, quando a atividade vulcânica que moldou esta região deu origem às impressionantes falésias, grutas marinhas e formações rochosas. Por aqui, existe apenas uma praia principal, conhecida como Cala del Porto, com seixos claros e águas incrivelmente transparentes.

Muitos banhistas e visitantes também aproveitam as enseadas e umas zonas menores para mergulhar, como a Praia de Vricci e a Cala Brigantina, famosa pelas formações rochosas vulcânicas e pela água azul-turquesa.

É também possível dormir na região, mas para tal, tem de reservar com meses de antecedência. Os pequenos quartos ficam situados junto do único restaurante da ilha, O’Francese, que aposta em peixe fresco apanhado por ali todos os dias.

A falta de eletricidade faz com que o edifício que alberga o restaurante e o alojamento funcione com botijas de gás particulares para cozinhar, geradores portáteis e baterias solares para iluminação básica e refrigeração. 

“Há tanto para fazer, e ao mesmo tempo tão pouco”, disse Maria Andreini, uma turista italiana que visita a ilha todos os verões com o marido e o filho, à CNN dos Estados Unidos. “Passamos os dias a fazer snorkeling e a apanhar sol na praia em frente do restaurante, feita de seixos de coral cor-de-rosa.”

À noite, os turistas aproveitam para observar as estrelas e caminhar pela região. Os hóspedes que dormem no pequeno alojamento acordam cedo para fazer um trilho até ao pico mais alto da ilha e admirar o nascer do sol.

O nome da região está ligado à palma-anã, a única espécie de palmeira autóctone da Europa, que cresce nas suas encostas. Na Antiguidade, a ilha destacou-se pelas abundantes jazidas de obsidiana, uma rocha vulcânica escura muito valorizada pelas comunidades neolíticas, que a utilizavam na produção de ferramentas e como bem de troca.

O cenário à noite.

O restaurante que mudou tudo

Apesar de estar muito próxima da ilha de Ponza (são cerca de oito quilómetros de distância), a verdade é que Palmarola nunca teve uma população fixa. Existem vários fatores que explicam esse fenómeno. 

Em primeiro lugar, a ilha é pequena, montanhosa e muito escarpada. Por esta razão, grande parte da costa é formada por falésias quase verticais, o que dificulta a construção de povoações e portos seguros. Além disso, não possui fontes abundantes de água doce.

Outro problema sempre foi o isolamento. Antes dos barcos modernos, chegar a Palmarola era mais difícil e perigoso do que aceder a outras ilhas vizinhas.

Quando as ilhas Pontinas começaram a ser colonizadas de forma mais consistente, sobretudo no século XVIII, os habitantes e as autoridades preferiram instalar-se em locais com melhores condições agrícolas, mais abrigo e acesso fácil ao mar.

Durante vários anos, Palmarola era um refúgio conhecido sobretudo pelos habitantes de Ponza, pescadores e navegaroes. Só a partir da década de 60, com a popularização dos passeios de barco nas ilhas Pontinas, é que começou a receber visitantes regulares.

Nesta mesma altura, um homem chamado Giuseppe Tagliamonte, natural de Ponza, regressou de França após 32 anos emigrado. Conhecido como “o francês” (daí o nome do restaurante), transformou-se num dos embaixadores da região de Palmarola, que na altura só contava com plantações de leguminosas, cabras e coelhos selvagens.

A paixão pela ilha tinha começado com o pai, que levou Giuseppe a viajar para lá pela primeira vez aos três anos, para visitar uma gruta que pertencia a família. Na idade adulta, depois de regressar de França, decidiu transformar o terreno numa casa. 

A construção foi feita com tábuas de madeira recuperadas de antigos naufrágios e tijolos que ele próprio fabricava na praia de Palmarola com areia, água do mar e um pouco de cimento. O resultado é uma pequena moradia com cozinha, sala de jantar, quarto e casa de banho. 

O objetivo do italiano era mudar-se para Palmarola. Porém, a sua mulher, a francesa Luisa Amoroso, recusou-se a aceitar o seu pedido. Por este motivo, o homem decidiu transformar a residência num pequeno restaurante, e assim nasceu O’Francese.

O restaurante fica no areal.

Nos primeiros anos, como não tinha experiência no ramo da gastronomia, o único prato servido no espaço era esparguete com molho de tomate, frittata e salada de rúcula com “purchiacchielli” (duas ervas silvestres). Se um cliente de atrevesse a pedir um café, Luisa dizia simplesmente: “Espere, preciso de desinfetar a máquina de café primeiro”. Depois de tanto tempo à espera, o freguês acabava por desistir e ir embora. 

Com a morte repentina de Giuseppe, em 1977, a mulher decidiu vender o restaurante. O espaço acabou por ser comprado por amigos do casal, Angelo e Maria Martusciello, que decidiram recuperar a estrutura e manter o negócio em funcionamento. Ainda hoje, é gerido pela mesma família, responsável também pelo alojamento. 

Além do peixe fresco, o menu conta com pratos de massa mediterrânica e italiana, como a clássica massa com tomate e manjericão, acompanhados de acompanhamentos simples, cerveja e vinho. Uma refeição ronda os 40€ por pessoa. Quanto às estadias, custam cerca de 150€ para um casal. 

Como lá chegar 

A partir de Lisboa, a forma mais fácil de chegar a Palmarola é através de um voo direto para Roma. Nos próximos meses, encontra bilhetes de ida e volta desde 100€. Quando lá chegar, deve apanhar um comboio para Formia-Gaeta, numa viagem que demora entre uma hora e uma hora e meia, com um valor que varia entre os 10€ e 20€.

Depois, em Formia, apanhe um ferry para Ponza, que custa cerca de 17,90€ por pessoa e por trajeto. Pode também optar por empresas com embarcações privadas, como a Noleggio Gommoni.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Palmarola, uma das ilhas mais isoladas da Europa.

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