Viagens

Elas apaixonaram-se pelo Sri Lanka — e abriram um boutique hotel de “luxo humilde”

Chama-se AMMA e começou a receber hóspedes em fevereiro. As responsáveis são duas mulheres que adoram surfar.
A vista do terraço.

Cláudia Pinto já correu o mundo à procura das melhores ondas para surfar, mas nenhum destino a conquistou como o Sri Lanka. Quando visitou o país asiático pela primeira vez, há cerca de oito anos, soube nesse preciso momento que voltaria. Só não imaginava que, aos 31 anos, se tornaria proprietária de uma villa e um boutique hotel na cidade de Ahangama, conhecida pelas praias de areia branca e águas cristalinas.

“Já fui ao Sri Lanka porque faço surf e sou embaixadora de algumas marcas. A primeira vez que fui foi por indicação de uma amigo meu, que tinha lá uma surf camp, e apaixonei-me logo”, conta à NiT a lisboeta que pratica o desporto desde miúda.

Juntamente com as ondas, o que mais a conquistou foi precisamente a autenticidade de um país que ainda não está nas rotas turísticas como a Indonésia ou a Tailândia. Nunca foi pessoa de “viajar à procura de conforto” e procura sempre “experienciar algo diferente”.

“Na altura estava a ir muito para a Indonésia, mas já estava a ir muito para os mesmos restaurantes e havia muita vida noturna. No Sri Lanka encontrei um sítio tranquilo, muito genuíno. As pessoas ainda olham para ti com algum interesse”, confessa Cláudia. 

As viagens quase anuais à cidade costeira de Ahangama, considerada um paraíso do surf, fizeram com que criasse uma ligação especial com a comunidade local, com quem partilhou momentos bonitos. “Sinto-me ligada a estas coisas mais simples”, admite. 

“É uma ilha onde existe uma variedade de áreas naturais, onde podemos fazer um safari e ver elefantes e leopardos, ou podemos visitar os campos de chá com cenários lindos. Depois temos as praias com água cristalina que não se encontra em todo o lado”, destaca a portuguesa, que também tem experiência na área do design de interiores e hotelaria.

Foi precisamente numa dessas viagens que surgiu a oportunidade de abrir um boutique hotel no destino, juntamente com a amiga, também surfista, Mariana Rocha Assis, que convidou para se juntar a si no projeto. Tudo aconteceu de forma espontânea e imprevisível, até porque não estava propriamente à procura de nenhum negócio. Na verdade, só queria mesmo encontrar uma casa de férias. 

“Um amigo local apresentou-se um senhor que estava com um problema familiar e pediu-me para ver a propriedade que tinha, mas assim que cheguei percebi que era enorme. Disse logo ‘nem pensar’”, recorda Cláudia, que já tinha um projeto de hotelaria, o RicoLiving, em Portugal. Mesmo depois de uma resposta negativa, o proprietário continuou a insistir.

“Não estava à procura de nada, mas como já tinha um alojamento em Portugal pensei que podia ser uma boa oportunidade de expandir aqui para o Sri Lanka. Assim era também uma desculpa para cá vir mais vezes e, ao mesmo tempo, contribuir para a comunidade local”, confessa. 

Depois de muita insistência, lá acabou por concordar e ficou responsável por transformar o edifício a cinco minutos da praia num boutique hotel. Assim que a comunidade, que “é muito pequena”, descobriu que Cláudia ia avançar com o projeto, começou a mostrar-lhe outras oportunidades — e foi então que encontrou mais uma casa perfeita para transformar numa villa. 

@marianarochaassis

take a look at my lil Villa in Sri Lanka. Amazing project that I’ve been doing with friend Cláudia ♥️ please follow @AMMA•STAY’S more to come

♬ Home – Matthew Hall

“A nossa ideia era criar diferentes tipos de alojamentos para diferentes tipos de pessoas. O Sri Lanka é um país maravilhoso, mas ainda é subdesenvolvido e há muitas pessoas que não se sentem à vontade para alugar uma casa inteira”, explica. 

Criaram, assim, um projeto de “boutique hotel com luxo humilde”, onde as comodidades principais estão lá, mas “continuas a sentir que estás no Sri Lanka”. Deram-lhe o nome de AMMA que em cingalês significa mãe. “Queríamos dar uma referência feminina e dar a sensação aos hóspedes de que isto é um ambiente familiar.” 

Cláudia já sabia o desafio que teria pela frente, mas confessa que o processo foi, por vezes, complicado. Em países que não têm muita oferta no que diz respeito a lojas de mobiliário “foi um desafio encontrar a mobília”, mas tudo foi feito com pessoas locais. Enquanto designer de interiores, contudo, “foi uma experiência incrível, mas desafiante”. 

Como já ia ao país há muito tempo, procurou informar-se com amigos com negócios do género sobre todos os procedimentos legais, os prós e os contras, assim como as principais dificuldades. A barreira linguística foi, para a responsável, um dos maiores desafios. 

As obras de renovação arrancaram em abril do ano passado e ambas as unidades de alojamento começaram a receber hóspedes no início de fevereiro. O AMMA Boutique Hotel é composto por oito quartos duplos e familiares, todos com casa de banho privativa e terraço com vista para o jardim.

O empreendimento oferece ainda duas áreas de estar no jardim, onde os hóspedes podem relaxar e desfrutar da beleza tropical dos arredores da ilha, e um rooftop com uma área própria para fazer ioga. No próximo ano esperam ter uma zona de pequenos-almoços, mas por enquanto têm uma parceria com uma pastelaria próxima onde podem tomar a primeira refeição do dia. 

A AMMA Villa, localizada na mesma cidade, dispõe de dois quartos (um com cama de casal e outro com beliches), uma sala com zona de refeições, uma cozinha totalmente equipada e um jardim com jacuzzi exterior.

Ambas as ofertas hoteleiras estão localizadas a poucos minutos a pé da praia em Ahangama e numa “rua calma” no centro da cidade, perto das vibrantes lojas, cafés e restaurantes. “Este foi o primeiro sítio onde fiquei quando vim para o Sri Lanka e é tudo muito autêntico, com uma comunidade local muito presente”, revela.

A villa e o boutique hotel são apenas o início de uma história que, segundo Cláudia, pretende ter mais alguns capítulos. “A ideia é expandirmos a AMMA aqui no Sri Lanka”, adianta.

Os preços da estadia rondam os 80€ e os 120€ por noite, para quem quiser ficar hospedado no hotel, ou 80€ para quem escolher a villa. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer o boutique hotel e a villa que as portuguesas abriram no Sri Lanka. 

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