Viagens

O Capitão Kirk foi finalmente ao espaço — e chorou

O lendário ator de "Star Trek", William Shatner, foi um dos tripulantes da segunda viagem da Blue Origin de Jeff Bezos.
Shatner é o homem mais velho a ir ao espaço

Aos 90 anos, William Shatner pôde finalmente ver com os seus olhos o que durante décadas teve que fingir: ser um homem no espaço. Durou apenas uns segundos, mas foi suficiente para fazer o ator verter algumas lágrimas. A viagem marcada para esta quarta-feira, 13 de outubro, tinha como protagonista principal o ator que se tornou famoso pela interpretação do famoso Capitão Kirk de “Star Trek”.

“É indescritível”, disse ao dono da Amazon, que foi o primeiro a receber a tripulação no regresso ao solo. “Não só é completamente diferente do que se pensava, acontece tudo muito rapidamente.”

A ida ao espaço de Shatner fica também marcada pelo registo de que se tornou, oficialmente, o homem mais velho do mundo a viajar para lá da linha do céu.

“Toda a gente tem que fazer isto. Toda a gente no mundo precisa de ver isto”, exclamou o ator norte-americano. “Ver a cor azul do céu passar por ti à medida que admiras a escuridão, isso é que é. Essa cobertura azul, esse lençol, o conforto do azul que temos à nossa volta pensamos nós. ‘Oh, é o céu azul’, pensas enquanto subitamente disparas por tudo isso, como se te arrancassem o lençol enquanto dormes — e dás por ti a olhar hipnotizado para a escuridão.”

A experiência despertou emoções em Shatner, que se lançou num discurso poético, entre lágrimas. “Olhas para baixo e vês a mãe Natureza, o conforto. E lá em cima, haverá morte? Não sei. É assim que é a morte? De repente, passou. Foi muito comovente. É uma experiência inacreditável.”

Shatner participou no curto voo de poucos minutos ao lado de outros três viajantes, a vice-presidente da Blue Origin, Audrey Powers, e dois clientes que pagaram para estar presentes: Glen de Vries e Chris Boshuizen.

Bezos participou ele próprio no primeiro voo da sua companhia, em julho, sendo que pretende tornar cada vez mais comuns este tipo de viagens. Torná-las, de certa forma, disponíveis aos civis, embora só esteja acessível à bolsa dos muitos ricos.

“Espero nunca recuperar disto. Espero conseguir manter os sentimentos que sinto neste momento. Não os quero perder. Tem tudo a ver com a grandeza, a fugacidade e a dureza da vida e da morte”, concluiu Shatner.

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