Viagens

O casal com 5 filhos que anda a viajar pela Oceânia de carro (com um atrelado)

A aventura de seis meses pelo continente era um sonho antigo do casal. Os miúdos têm entre os três e os oito anos.
A família de sete.

Conhecem-se “desde sempre”, mas só começaram a namorar em 2013. Volvida mais de uma década, já não apenas dois, mas sete. Têm cinco filhos, entre os três e os oito anos, e viajam juntos para todo o lado. Em março rumaram à Oceânia e, neste momento, estão na Austrália. A aventura de seis meses pelo continente era um sonho antigo do casal.

Maria Pereira dos Santos tem 38 anos, é natural de Lisboa, mas nunca esteve parada no mesmo sítio muito tempo. Morou nove anos em Rio Maior e foi lá que conheceu o marido, Luís Barroso, de 42. O décimo segundo ano foi feito nos EUA, um intercâmbio de três semanas na Irlanda e também um interrail pela Europa.

Sempre viajou e foi precisamente do outro lado do mundo que se voltou a reencontrar com o antigo colega de escola. “Ia fazer umas reportagens económicas no Brasil e sabia que ele estava lá a viver. Mandei-lhe uma mensagem porque não conhecia ninguém”, começa por contar à NiT a fotógrafa de profissão.

A amizade evoluiu e já namoravam quando Maria decidiu aparecer de surpresa no Sri Lanka para se juntar à meia volta ao mundo que o Luís andava a fazer. Viajaram dois meses juntos — e foi apenas a primeira das muitas aventuras que já viveram pelo mundo fora.

“Nunca pensei muito se gostava ou não de viajar, mas gastava todo o dinheiro em viagens. Não ia a jantares com os amigos, preferia poupar para viajar, mas sempre foi algo espontâneo”, recorda Maria. O estilo de vida do casal não mudou com chegada do primeiro filho, nem com a vinda do segundo, terceiro, quarto e quinto. Atualmente, vivem em Austin, nos EUA, mas continuam viajar juntos.

Francisca, de oito anos, é a mais velha e uma força da natureza. “Mesmo quando tem medo de alguma coisa é muito corajosa. Respira fundo e diz ‘eu consigo fazer isto’”, conta a mãe. 

Carolina, de sete anos, adora experimentar comida e tem “o paladar de um adulto”, assim como Vasco, de quatro anos, que nunca recusa uma experiência gastronómica. Com seis anos, Luísa é a filha do meio e tem “uma memória extraordinária”, mesmo sendo tão pequena. A mais nova é a Margarida que, com três anos, é já “uma miúda cheia de personalidade”, que não fica “debaixo das asas de ninguém”.

Habituados a viajar praticamente desde que nasceram — a Francisca tinha apenas três meses quando foi com a mãe para Moçambique durante um mês —, também eles foram ganhando a mesma paixão que os pais. “Vão percebendo tudo, já se lembram de várias situações, como quando estávamos na Guatemala e apanhamos uma tempestade”, recorda. 

Uma aventura de seis meses

A ideia de partir à descoberta da Oceânia já era um sonho antigo, que se concretizou em março deste ano. “Quando o Luís fez aquela primeira viagem em que fui ter com ele ao Sri Lanka viajámos durante dois meses. Na altura queria ir à Austrália, mas não houve oportunidade, então disse-lhe que um dia teríamos que ir juntos”, conta. Por ser tão longe, não compensava ficar pouco tempo, pelo que decidiram que seis meses seria o ideal.

Quando Maria começou a procurar informações sobre muitas das ilhas do Pacífico, percebeu que não havia assim tanta coisa — e era precisamente isso que procurava, destinos que ainda não foram invadidos por turistas, onde ainda é possível estar em contacto com os povos que lá vivem.

Apesar de viverem confortável nos EUA, uma viagem destas, com cinco filhos, não é de todo barata, podendo rondar cerca de 80 mil euros. Mesmo com todas as poupanças, o casal decidiu criar uma conta de angariação de fundos, no final do ano passado, onde se comprometeu a transformar a viagem de seis meses num livro de aventuras: os sete na Oceânia. “Será sobre a loucura real que é viajar com cinco miúdos abaixo dos oito anos, sem filtros. Quero mostrar o que se passa quando se junta uma família de sete pessoas, por bastante tempo, desconfortáveis, em muitos momentos, e a viajar de mochila às contas”, diz.

Conseguiram angariar cerca de 30 mil euros, valor que, entretanto, já gastaram nestes três meses de viagem, mesmo reduzindo ao máximo os custos. Não ficam em hotéis de cinco estrelas, optando por “lugares simples” e, sempre que possível, dormir em tendas em cima do carro.

Nas Fiji, por exemplo, um dos primeiros destinos da viagem, passaram as noites numa ilha remota, no arquipélago Yasawa. Viviam numa cabana com 12 metros quadrados, o chuveiro só tinha água fria e não havia eletricidade, nem ventoinhas, nem Internet. “Saíam da cabana de manhã e iam para o outro lado da aldeia brincar com os miúdos, faziam bolos na areia, brincavam com os peixes, caçavam conchas”, recorda.

Durante aquele período, era como se vivessem lá também. Chegaram a ir à missa, que começa às 10 horas (quando não se atrasa) e os miúdos fizeram questão de passar um dia na escola. Foi, para Maria, um verdadeiro descanso, já que mesmo nas férias também precisa de umas horas sozinha. 

Nem sempre é fácil viajar com cinco filhos, como faz questão de o mostrar nos diários de viagem que partilha diariamente nas redes sociais. “O maior desafio é mesmo ter paciência. Às vezes quero estar sozinha, preciso do meu espaço, mas percebo que puxamos muito pelos miúdos e é normal estarem cansados, como nós. Muitas vezes não se toma sempre banho, não se come as horas, e as birras são uma reação normal e temos que ser razoáveis. É a nossa escolha, às vezes estamos em situações com algum desconforto, mas compensa na mesma”, admite. 

Apesar do cansaço, têm partilhado experiências incríveis em família, como mergulhar na Grande Barreira de Coral, ao largo da costa de Queensland, no nordeste da Austrália, aprenderem mais sobre as rainforests, as florestas mais antigas do mundo, guiarem na maior ilha de areia do mundo, ou verem ao vivo um pássaro com mais de um metro.

“É incrível porque não estão a ler num livro, estão a ver isto com os próprios olhos. Tentamos ensinar-lhes algumas coisas e eles vão aprendendo. Viajqamos para ilhas remotas em barcos que abanam muito e eles ganham resistência. Hoje são miúdos desenrascados, resilientes e inteligentes”, diz Maria. 

Mais do que tudo, estão “apenas a viver a infância”, sem pressa para crescer. As aulas ficaram em pausa durante a viagem, mas, todos os dias, têm que escrever uma espécie de diário sobre o que fizeram e o que mais gostaram. 

Após passarem um mês na Nova Zelândia, onde alugaram um carro, foram duas semanas para as Fiji, até seguirem para Sidney, na Austrália. Aqui, compraram um carro e um atrelado, que tem sido a casa sobre rodas da família. Quando Maria conversou com a NiT, o veículo estava estacionado num parque a norte de Queensland, onde vivem crocodilos.

 

“É uma zona muito conhecida por ter crocodilos e há mesmo ataques. É preciso ter cuidado, não se pode ir às praias, e descobri que a cinco metros de onde estamos há um rio bastante íngreme”, diz.

Ainda não apanharam grandes sustos com animais, mas já ficaram frente a frente com um lagarto gigante, com mais de um metro, que abriu a tampa de uma tigela com comida e devorou o que estava lá dentro. E também já se cruzaram com aranhas do tamanho de uma mão e cobras, algo banal numa viagem à Austrália.

A ideia é continuar a conhecer melhor o país e, depois, aventurarem-se por mais ilhas do Pacífico. Quando regressarem a casa, o plano depois é escrever o tal livro com que se comprometeu. “Vai ser muito daquilo que ponho no Instagram, ainda não pensei muito bem. Mas acho que vai ser giro escrever sobre uma viagem diferente, não há tanta gente que faça isto como nós”, afirma. Até lá, pode acompanhar todas as aventuras no Instagram.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da família na viagem à Oceânia. 

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