Viagens

O homem sem medo que viajou de bicicleta por 43 países durante a pandemia

Nem a doença o impediu de completar a viagem de 10 meses e 25 mil quilómetros.
Nil Cabutí passou mais de mil horas na bicicleta

Quando idealizou a viagem de bicicleta, sonhou alto. Haveria de sair da sua Barcelona rumo a Singapura. Pelo caminho apareceu-lhe um obstáculo intransponível e inesperado: uma pandemia.

As dinâmicas mudaram, os planos também. Poucos dias depois de arrancar para a aventura, o vírus alastrava-se pela Europa e começava a encerrar fronteiras. Itália estava em modo de pânico, os países vizinhos também.

“Na Croácia tentei a passagem em 10 pontos fronteiriços diferentes e não passei em nenhum”, recorda ao “El País”. “Rapidamente percebi que seria impossível chegar a Singapura.” Mas Nil Cabutí, de 30 anos, não quis voltar para trás e desistir. A estratégia teve que ser adaptada de dia para dia.

“Era março e os controlos das autoridades mandavam parar os carros, mas a mim deixavam-me passar. Os polícias olhavam para mim e não me diziam nada. Todos os dias pensava que poderia ser o último e que me iam mandar para casa”, explica.
Afinal, tudo correu bem e a viagem acabou por se prolongar por 10 meses. Chegou ao final 25,700 quilómetros depois, a 28 de dezembro, com a meta em Barcelona.

Pelo caminho não encontrou apenas fronteiras fechadas. Teve dificuldades em encontrar local para dormir. Mesmo com reservas feitas, os donos mostravam-se reticentes em alojar estranhos. “As pessoas tinham medo da Covid-19”, conta o espanhol que chegou a ter que aceitar comida de estranhos por não encontrar lojas abertas.

A viagem permitiu-lhe também perceber como é que os diferentes países lidavam com a crise pandémica. “Na Alemanha e na Suíça ninguém andava de máscara e na Suécia os restaurantes estavam cheios. Parecia que a Covid-19 não existia”, recorda.

Cabutí foi do norte ao sul, do leste ao oeste. Passo por Portugal, viajou até à fronteira turca, cruzou a Bielorrúsia e chegou bem perto do Ártico, ao ponto mais a norte da Noruega. Foram 306 dias passados em 43 países, num total de 1.136 horas em cima da bicicleta.

Em dez meses foi parado apenas uma vez pela polícia, quando passava por Paris, já no regresso. “Estou a ir para casa”, disse aos agentes, que lhe deram o ok para seguir caminho.

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