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O primeiro parque aquático de esculturas do mundo ficou mais assustador

Já havia miúdos submersos, um padre, casais e muitos animais. Agora celebra-se ali o Carnaval.
As esculturas são impressionantes.

São vários os fatores que tornam as Caraíbas num dos spots mais famosos do mundo. Por ali existem hotéis de sonho, praias idílicas e uma culinária única. E claro que um destino tão popular quanto este não carece de atrações originais. Uma das mais famosas chama-se Molinere Bay: é um parque com centenas de esculturas colocadas debaixo de água. No início de dezembro, ficou ainda mais incrível — e, para muitos, mais assustador.

O projeto foi inaugurado em 2006, pelo escultor e ecologista Jason deCaires Taylor, em Granada, um país daquela região. No dia 1, foram apresentadas 31 novas obras criadas pelo próprio fundador.

Entre as novidades encontramos a Coral Carnival, inspirada no Carnaval das Caraíbas. Ali, em vez de se mascararem de personagens de séries ou filmes, os habitantes usam grandes máscaras e fatos ainda mais espalhafatosos. As peças recentes refletem isso mesmo.

“O Carnaval é uma parte muito forte da história e cultura de Granada, e o governo local queria mostrar isso aos visitantes”, conta Jason à CNN Travel. “Foi muito interessante aprender sobre todos os disfarces e as histórias que existem por detrás destas figuras”, acrescenta. As esculturas foram construídas no Reino Unido, de onde o artista de 49 anos é natural.

Todas as criações que lá encontra foram feitas com aço inoxidável e um cimento indicado para ser usado na água. Esta escolha foi, claro, intencional. Graças a esta junção, as estátuas atuam como corais artificiais, com buracos onde se podem esconder animais.

“Depois de as colocarmos lá, houve um polvo que se escondeu logo num dos orifícios. É muito giro ver como se adaptam”, comenta Taylor. Na base de outras esculturas encontra caranguejos, mantas, entre muitas outras espécies. “Têm todos silhuetas tão únicas que os conseguimos ver à distância, e isso é algo que nunca me tinha acontecido”, acrescenta.

A preocupação com a vida animal sempre esteve presente no projeto do britânico. O parque começou a ser pensado em 2004, após a passagem do furacão Ivan que matou 64 pessoas nas Caraíbas. O ecossistema também ficou destruído.

“Tinha esta ideia de criar algo debaixo de água. Pensei que este poderia ser um sítio interessante para fazer algo deste estilo, e talvez conseguisse chamar a atenção dos turistas que normalmente visitam outras atrações. Além disso, seria uma ótima plataforma e habitat para a vida marinha”.

Esta foi a primeira vez que o criativo utilizou cor nas suas obras. Normalmente, são todas à base do cinzento. Nestas, contudo, encontra tons mais vivos, como o vermelho, o azul e até o amarelo, criando assim um espetáculo aquático ainda melhor.

Embora a reabertura do Molinere Bay apenas tenha acontecido a 1 de dezembro, as esculturas estão no mar desde outubro. Para lá chegarem, tiveram de ser usadas gruas — cada estátua pesa cerca de 15 toneladas — e mergulhadores profissionais (incluindo Jason Taylor). “Cheguei a passar oito horas debaixo de água, o que é um recorde para mim”, afirma à mesma fonte.

Tal minuciosidade foi necessária para que, com estas novas adições, se mantivesse a linha já existente no parque. Ali, as esculturas estão separadas por entre três a sete metros de distância. Como não estão muito fundas (ficam submersas a cerca de dez metros), podem ser vistas por mergulhadores e por aqueles que navegam em barcos com bases transparentes.

“Este é o melhor trabalho da minha vida. E a vida marinha que coloniza estas esculturas é uma das melhores que já vi. E já estive em muitas regiões do mundo”, realça o artista.

Como lá chegar

Caso parta de Lisboa, em janeiro há viagens desde 856€ para Granada (com escala em Toronto). Se embarcar no Porto, os preços aumentam para 1.009€ no mesmo mês, com paragem em Madrid e Miami. A entrada no parque é gratuita.

Carregue na galeria par conhecer melhor um dos parques mais impressionantes (e assustadores) do mundo.

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