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Os 4 portugueses que fizeram 8 mil quilómetros à boleia já chegaram ao Catar

Arrancaram a 6 de outubro com o objetivo de chegar à capital, Doha, antes do primeiro jogo da Seleção. E conseguiram.
Estão prontos para assistir ao primeiro jogo.

A última vez que a NiT falou com Francisco Albuquerque, Duarte Delgado, Bruno Carvalho e Daniel Estima, os quatro jovens portugueses que se desafiaram a viajar à boleia até ao Catar para assistir ao primeiro jogo da seleção portuguesa no Mundial, já estavam na Turquia. Arrancaram de Lisboa a 6 de outubro e, após quase 50 dias a erguerem polegares de cartazes na mão, chegaram a Doha no dia 23 de novembro.

“Após 8000 quilómetros à boleia, 15 países diferentes e mais de 80 boleias, chegámos ao nosso destino”, lê-se na página de Instagram dos Andamente, um canal criado há cerca de três anos por Daniel Estima, engenheiro biomédico, e Francisco Albuquerque, editor de vídeo. 

Neste projeto, desafiam-se a viver de forma espontânea, sem medos e arrependimentos — e sempre com uma história para contar. Com mais de 70 mil subscritores (mais 20 mil do que no mês passado), já foram até ao Egito só para verem o concurso Preço Certo, visitaram o homem e a mulher mais isolados do País e até superaram o medo de saltar de avião. Depois de terem percorrido Portugal de norte a sul em três dias à boleia, decidiram amplificar o desafio, desta vez com a companhia de dois amigos.

De mochila às costas, a aventura começou em Lisboa, numa das estações de serviço da Segunda Circular, no dia 6 de outubro. O grande objetivo seria percorrerem os oito mil quilómetros para conseguirem estar presentes no primeiro jogo de Portugal no Mundial e desejarem “boa sorte ao Ronaldo e restante seleção”. Já só lhes falta realizarem este último desejo.

Agora, os quatro jovens, que têm um cartaz com a inscrição Catar guardado na mochila desde o início da viagem, querem chegar ao capitão da seleção portuguesa para que assine o cartaz. Depois, o objetivo é doá-lo a uma organização não governamental que trabalhe com refugiados, até porque, pelo caminho, assistiram “à triste realidade que vivem atualmente os refugiados sírios” e foram abordados várias vezes pelas polícias fronteiriças.

Um dos momentos mais assustadores e intensos da viagem aconteceu na fronteira entre a Bulgária e a Turquia, por ser uma zona com muitos refugiados oriundos do Afeganistão e da Síria. Caminhavam pela beira da estrada com mochilas grandes às costas, mas os locais que passavam por eles não paravam para lhes darem uma boleia: na Bulgária, quem ajudar refugiados pode ser condenado a seis anos de prisão.

Entretanto, foram convidados por uma família a passarem a noite com eles numa tenda no meio do mato. Estava tudo a correr bem, quando, de repente, apareceram três homens armados com snipers, aos gritos, e que lhes pediram os passaportes, como explicam num dos últimos vídeos no Youtube. Pensavam que os quatros amigos eram sírios, mas foram salvos pelos documentos portugueses.

Naquele momento, o maior susto que apanharam em toda a viagem, decidiram sair dali o mais rapidamente possível. Chamaram um táxi, reservaram um quarto em Burgas (cidade na Bulgária) e compraram bilhetes de autocarro para Istambul no dia seguinte.

Já na Turquia, começaram a pensar em alternativas para chegarem ao Catar em segurança. “Nesta fase da viagem, a instabilidade política que se vive atualmente no Médio Oriente é, de facto, uma preocupação que nos obriga a pensar duas vezes antes de tomarmos uma decisão e a aumentarmos o nível de cautela. Não queremos, no entanto, ficar presos ao receio do que possa vir a acontecer, por isso, estamos a analisar os riscos para tomarmos a melhor decisão”, contaram à NiT há cerca de um mês, quando estavam na Turquia.

Decidiram que a forma mais segura seria voar de Antália, na Turquia, para Amã, na Jordânia. Aí, voltaram às boleias, foram tratados como reis na Arábia Saudita e chegaram a Al-Shahaniya, no Catar, mesmo a tempo de verem o autocarro da seleção a sair do centro de treinos, que fica perto do hotel onde a equipa portuguesa está instalada.

Agora, preparam-se para assistir ao jogo contra o Gana esta quinta-feira, 24 de novembro, e continuam a tentar contactar Cristiano Ronaldo. Depois de uma aventura que durou cerca de 50 dias, vão regressar a Portugal de avião, cheios de histórias para contar.

Encontraram um cantor chamado Pep’s numa estação de serviço perto de Montpellier que, não só canta bem é também bastante conhecido em França.  Foram até Itália com um homem cujo hobby é estudar cogumelos e atravessaram o Mónaco enquanto davam toques numa bola. Peripécias que foram partilhando através no Youtube e no Instagram.

De seguida, carregue na galeria para ver as imagens que os jovens foram publicando nas redes sociais durante a viagem.

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