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Os desfiles de Carnaval já invadiram o Rio de Janeiro — e Portugal marcou presença

As primeiras escolas de samba desfilaram na noite deste domingo, 11 de fevereiro, na “Cidade Maravilhosa”. Um dos grupos homenageou o nosso País.
É uma animação.

A vida são dois dias, o Carnaval são três, e no Rio de Janeiro, no Brasil, a festa dura um mês inteiro. É uma das festividades mais emblemáticas do mundo e reúne milhões de foliões na capital do estado fluminense. Afinal, ver ao vivo os milhares de dançarinos das escolas de samba é o sonho de muitos — e a “cidade maravilhosa” já está cheia de cor e de música.

Ao contrário do que acontece noutros locais, que só celebram a festividade na própria terça-feira de Carnaval, o Rio de Janeiro começa “a entrar no clima logo em janeiro” — e há até quem diga que o ano só começa depois desta festa. Nas ruas, o ambiente é descontraído e criativo, com música até de madrugada.

Após o famoso Baile da Vogue, que marcou o arranque das comemorações a 4 de fevereiro, chegou um dos momentos mais esperados: na noite deste domingo, 11 de fevereiro, as primeiras seis escolas de samba desfilaram pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí — cujo nome oficial é Passarela Professor Darcy Ribeiro e que este ano celebra 40 anos desde que foi considerado o maior palco do Carnaval brasileiro.

Nenhum evento de Carnaval no Rio de Janeiro se compara ao desfile das escolas de samba, a atração oficial da festa há 100 anos e um dos maiores símbolos da cidade (e até do Brasil). É uma das celebrações mais concorridas, juntando tanto brasileiros como milhares de turistas e é considerada “o maior espetáculo na terra”. Muitos sonham ver de perto os carros alegóricos coloridos, as passistas (primeiro passo para se tornar rainha de bateria) e as rainhas de bateria (responsáveis por desfilar à frente dos instrumentistas) fantasiadas. 

O primeiro dia ficou marcado com os grupos Beija-Flor de Nilópolis, Académicos do Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Unidos do Porto da Pedra, Académicos do Salgueiro e Unidos da Tijuca. Este último homenageou a história e lendas de Portugal, com uma apresentação repleta de magia, cores e emoção.

Sob a liderança do carnavalesco Alexandre Louzada, a escola de samba mergulhou a fundo na cultura portuguesa, dando vida a figuras como José Saramago e Luíz Vaz de Camões. Recorrendo a fábulas, lendas e mitos, o grupo explorou a relação entre o nosso País e o mar, bem como as descobertas e conquistas — sem esquecer o fado.

“Um samba fadado, ao mar do outro lado, a pescar histórias, memórias ancestrais, viaja na bruma da branca espuma para encantar no Carnaval” foi uma das letras cantadas pelo grupo. 

Um dos destaques da primeira noite do desfile foi a escola Salgueiro, com a homenagem ao maior grupo indígena do Brasil, os Yanomami da Amazónia, que sofrem de desnutrição, doenças como a malária e contaminação dos rios em consequência da mineração ilegal. A cultura indígena também foi mencionada no desfile da Grande Rio, a quarta a pisar a avenida do samba, que abordou a mitologia tupinambá.

O grupo Porto da Pedra veio mostrar a influência do livro de 1594 “Lunária Perpétua”, que reúne orientações sobre astronomia, agricultura e saúde, e surgiu com um carro alegórico de 22 metros com uma escultura de um tigre gigante, bem como hologramas e muitas bailarinas. Já a Beija-Flor fez um desfile em homenagem a Rás Gonguila, o “imperador” do Carnaval de Maceió.

A atual campeã, a Imperatriz Leopoldinense, encerrou a programação do primeiro dia com um desfile inspirado na obra de ficção “O Testamento da Cigana Esmeralda”, do poeta Leandro Gomes de Barros. Cada grupo teve cerca de uma hora para desfilar no sambódromo.

A segunda fase dos desfiles acontece na noite desta segunda-feira, 12 de fevereiro, com mais escolas de samba a desfilarem pelo sambódromo.

Carregue na galeria para ver algumas das fotos mais incríveis captadas no Carnaval do Rio de Janeiro até agora.

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