Viagens

O paradisíaco hotel mexicano que serviu de cenário futurista a “Westworld”

É um dos cenários mais marcantes da série da HBO e não é ficção — é mesmo real e pode ser o seu próximo destino de férias.
Há poucos hotéis assim

Com a assinatura de Jonathan Nolan — o irmão de Christopher — e de Lisa Joy, “Westworld” leva-nos até um futuro não muito distante, onde os robôs com inteligência artificial usados para entretenimento se revoltaram e reverteram os papéis numa nova ordem mundial. À chegada da quarta temporada, que terminou este domingo, 14 de agosto, o mundo da série da HBO é bem diferente daquele que conhecemos.

Dominados pela inteligência artificial, os humanos foram sujeitos a um controlo da mente e vivem uma vida escrita pelos robôs que ganharam vida. Neste mundo pós-moderno surgem, aqui e ali, pequenos traços que parecem familiares.

Um dos cenários arquiteturalmente arrrojados e que serve de pano de fundo a um momento crucial é o do Viceroy Los Cabos, um hotel de luxo no México, que serviu de palco a um dos confrontos mais emblemáticos do final da quarta temporada.

É na água imóvel e cristalina do espaço exterior do hotel que caem finalmente os corpos de Maeve e Halores, atingidas por William. Este não é, contudo, um cenário inusitado para quem vê a série.

A estrutura mais proeminente é uma espécie de estrutura tipo casulo — originalmente apelidada de Ninho — por onde passam inúmeras vezes algumas das personagens principais. Trata-se do coração da Delos, a empresa que foi tomada de assalto pelos robôs inteligentes, que a usaram para dominar o planeta e a humanidade.

O uso de estruturas arquitetónicas de relevo não é uma novidade no mundo de “Westworld”. Parte deste complexo da Delos aproveita as criações de arquitetos famosos como Santiago Calatrava e Félix Candela, como a Cidade das Artes e Ciências, em Valência. A infame torre que permite o controlo mental dos humanos tem também inúmeras semelhanças com outra obra de Calatrava, a torre de comunicações de Montjuic, em Barcelona.

O Nido usado numa das cenas

Porém, é a área circundante desta torre, repleta de água e de edifícios brancos e minimalistas, que marca profundamente o cenário desta quarta temporada. Isso obrigou a que muitas das filmagens fossem feitas no local, neste caso em San José del Cabo, no México. O hotel, renovado em 2016, tem a assinatura de Miguel Angel Aragonés e é um cenário perfeito de férias para os fãs de “Westworld”.

O resort de sonho onde o mar vai mesmo até à janela do quarto

Quando, em 2016, o arquiteto Miguel Angel Aragonés finalizou o projeto, tinha cumprido o objetivo principal: tornar o nome do hotel numa realidade. O Mar Adentro era especial: fosse qual fosse a suite ou a villa em que o hóspede estivesse alojado, dava a sensação de que o mar se prolongava até à sua janela.

Cinco anos depois, o hotel de luxo em San José del Cabo, na costa mexicana do Pacífico, era rebatizado sob ordens dos novos donos — tornou-se no Viceroy Los Cabos —, mas o mar continuava a emoldurar as vistas. Bem, talvez tudo não passe de uma ilusão de ótica.

A verdade é que o plano do arquiteto passou por dividir a enorme propriedade em três patamares e, em cada um deles, criou enormes piscinas de água rasa. Estendem-se ao longo dos vários pisos, sempre na linha do horizonte dos edifícios — todos eles de costas para a cidade e sempre virados para o mar —, onde se unem ao oceano.

O hotel original foi alvo de uma renovação, sem qualquer alteração na linha arquitetónica de assinatura, e reabriu em 2018 como a 15.ª unidade do Viceroy Hotel Group. O look minimalista, quase de ficção científica, de Aragonés, manteve-se, com as fachadas totalmente brancas e as enormes superfícies azuis das piscinas rasas. No interior, há 194 alojamentos, entre quartos, suites e villas — e 50 residências privadas.

Os quartos mais pequenos apresentam-se nuns modestos 53 metros quadrados, mas adotam todos um look quase exclusivamente branco, o que ajuda a aumentar visualmente o espaço. Completamente equipados com ecrãs gigantes, sistema de som e máquinas de café, alguns têm mesmo banheiras exteriores e duches abertos no interior. Da janela, avista-se o enorme lago infinito.

Mais espaçosas são as casitas, alojamentos com mais do que um quarto; e as villas, que se estendem por dois pisos e podem ter até quatro quartos e uma piscina privada. Mas a maior e mais decadente é a villa com 616 metros quadrados, com janelas panorâmicas, uma piscina privada, dois quartos principais e dois de hóspedes, um rooftop com jardim e até um quarto desenhado para as amas.

E todas, mas mesmo todas as casitas e villas têm um assistente dedicado, um funcionário do hotel que trata de tudo o que os hóspedes necessitarem.

Plantado precisamente no meio da piscina infinita está o Nido (“ninho” em espanhol), um restaurante exterior coberto com uma estrutura de madeira que parece boiar e que providencia toda a sombra necessária. Ali provam-se especialidades mexicanas, espanholas e peruanas. Mais perto da praia encontra-se também a versão mais pequena do espaço, o Nidito Beach, e o Poolside Bar. No topo do hotel está o Nube Bar and Lounge, um bar com uma vista e 360 graus sobre a paisagem.

Há mais para fazer além de comer e descansar ao sol. É possível ter aulas privadas de surf e de pesca, fazer mergulho, aprender a fazer tequilas e, claro, aproveitar as mais de duas dezenas de tratamentos do spa.

Os preços por noite começam nos 400€ e podem chegar, por exemplo, aos 4 mil euros no caso da penthouse de cinco quartos.

Como chegar lá

Os voos terão que ser feitos rumo ao aeroporto de San José del Cabo. Para setembro, os voos a partir de Lisboa têm um custo mínimo de 815€ com pelo menos duas escalas. Já se optar por partir do Porto, terá igualmente que fazer duas escalas, mas o valor mínimo começa nos 936€.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT