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Paris pondera banir de vez as trotinetes elétricas para “acabar com a selva”

Os contratos dos operadores acabam em fevereiro. Os relatos de peões feridos e com medo de andarem nos passeios multiplicam-se.
Os acidentes têm aumentado

Ruas entupidas com trotinetes espalhadas pelo chão. Parisienses que receiam sair de casa, aterrorizados por terem de circular nos passeios. “Uma selva”, descreve Maud Gatel, deputada francesa que é uma das vozes contra o crescente uso de trotinetes elétricas na capital. “Há peões que têm medo de atravessarem a rua e até de andarem no passeio.”

Gatel não está sozinha e as críticas têm se avolumado. Paris foi uma das primeiras cidades a apostar fortemente no fenómeno das trotinetes, ainda em 2018, mas agora parece querer dar um passo atrás. O momento é de ponderação, sobretudo porque em fevereiro de 2023 terminam os contratos celebrados com as três operadoras autorizadas a funcionar na cidade, a Lime, a Dott e a Tier. Perante a possibilidade de as licenças não serem renovadas, as empresas começaram a preparar medidas para controlar o caos, desde a implementação de matrículas à obrigatoriedade de que os utilizares tenham uma idade mínima de 18 anos.

Em 2019, as ruas de Paris estavam já inundadas com mais de 20 mil trotinetes. Os relatos de veículos avariados, espalhados pelos jardins da cidade e pelas ruas, atirados ao Sena multiplicavam-se. Mais preocupante: as repetidas queixas de atropelamentos, feridos e sobretudo da circulação de trotinetes nos passeios a altas velocidades.

Perante o cenário, a capital francesa fez marcha atrás e implementou restrições. Limitou o mercado apenas a três operadores e forçou a implementação de um sistema de deteção automático de zonas, que limita automaticamente a velocidade das trotinetes. Não terá sido suficiente.

Três anos depois, a continuidade das trotinetes continua a ser discutido na autarquia parisiense. “A primeira preocupação é a segurança, tanto dos utilizadores das trotinetes como de todos os outros, como os peões. Depois, queremos ver progressos em relação aos locais de estacionamento. Ainda podemos ver trotinetes no chão, no meio da rua, com as pessoas a terem que passar por cima delas, até idosos”, explica David Belliard, vereador dos transportes e dos espaços públicos.

Para Belliard, uma das soluções pode mesmo passar pela proibição dos veículos. “Outra preocupação é a curta vida destas trotinetes”, nota. “Se não chegarmos a um consenso com os operadores sobre as questões de segurança, ocupação dos espaços públicos e credenciais ambientais da utilização dos veículos, é muito claro que poderemos avançar para o fim dos contratos.”

Só nos primeiros oito meses de 2022, a cidade registou 337 acidentes associados com o uso de trotinetes elétricas. Um número que ultrapassou os já preocupantes 247 verificados no mesmo período, em 2021.

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