Viagens

Pedro prepara-se para pedalar 4.000 quilómetros por África em apenas 40 dias

O viajante parte esta sexta-feira, 17 de maio, para Luanda, o ponto de partida para a sua quarta grande aventura. O objetivo é chegar a Maputo.
Arranca a 19 de maio.

Já foi de Portugal a Singapura por terra, chegou à África do Sul de bicicleta e foi do Panamá ao México à boleia. Perdeu a conta às vezes que foi detido ao longo das viagens, esteve na Síria dois dias antes de começar a guerra e passou a dois quilómetros de Bin Laden 12 horas antes do seu assassinato. Dir-se-ia que poderia escrever um livro sobre todas estas aventuras além-fronteiras — e foi exatamente isso que fez António Pedro Moreira, também conhecido como Pedro On The Road nas redes sociais.

Com três livros de viagens publicados (e um de ficção, lançado a 4 de maio), o viajante de 40 anos prepara-se agora para embarcar num outro desafio. Partiu esta sexta-feira, 17 de maio, para Luanda, em Angola, ponto de partida para a sua quarta grande aventura.

O objetivo é pedalar 4.000 quilómetros para chegar até Maputo, capital de Moçambique, em apenas 40 dias. Com a bicicleta que batizou de Mónica, deverá percorrer países como Namíbia, Zimbabué, África do Sul e Essuatíni. 

“Desde miúdo que sempre gostei de viajar. A minha mãe, que é professora de inglês, organizava muitas viagens para países que falavam a língua”, começa por contar à NiT o mestre em psicologia clínica que se despediu duas vezes do emprego para ir viajar — e já passou por 93 países. 

Aos 17 anos, passou um mês sozinho em Hamburgo, na Alemanha, a trabalhar no restaurante de um amigo do pai. Em 2004, fez Erasmus na Finlândia e aproveitou para conhecer outros países à volta. Depois de terminar o curso de Psicologia, em Coimbra, fez um interrail pela Europa, antes de ir trabalhar para a Inglaterra.

As viagens foram sendo “cada vez mais comuns e frequentes”, mas só quando viajou para a Índia, em 2009, é que percebeu que podia fazer destas aventuras algo bem mais sério. “Permitiu-se conhecer uma data de viajantes que andavam sem data de termo. Agora encontra-se isso muitas vezes, mas na altura não era tão comum. Não conhecia pessoas que andavam pelo mundo fora durante um ano e meio”, recorda.

Esta novidade realidade teve, para Pedro, um impacto muito grande. Apesar de sempre ter gostado de viajar, “nunca tinha considerado que fosse realmente uma hipótese”. Filmes como o “Into the Wild”, por exemplo, não passavam de uma história de ficção. 

Foi nesse preciso momento que decidiu que também queria fazer “coisas espetaculares”. Estava em Goa e achou que seria incrível ir dali até Singapura por terra, mas “melhor ainda” seria ter Portugal como ponto de partida — e assim foi.

Despediu-se no final de 2010 e, no ano seguinte, fez a sua primeira grande aventura: de Portugal a Singapura sem voar, uma epopeia de 50 mil quilómetros por terra, 20 mil dos quais à boleia, e os outros de transportes públicos. “Fui preso na Croácia, estive a dois quilómetros do Bin Laden, 12 horas antes de o assassinarem, gastei 20€ no Irão em 11 dias e tive na Síria dois dias antes de começar a guerra”, relembra o viajante.

Se já sabia que gostava de viajar, com esta aventura percebeu que era, de facto, uma enorme paixão, à qual podia também juntar a escrita. Em 2013 estreou-se como escritor de viagens e lançou o livro “Daqui Ali ‒ de Portugal a Singapura por Terra” — e seria apenas o primeiro.

No ano seguinte, voltou a despedir-se do trabalho como psicólogo para cumprir mais um desafio. Desta vez, a missão seria chegar à África do Sul de bicicleta, uma viagem que demorou 15 meses. “Passei por todos os países da costa atlântica e foram 15 mil quilómetros a pedalar. Tinha 30 anos, não tinha preparação nenhuma e nem sabia trocar um pneu, mas gosto da ideia de fazer algo radical, que nunca tinha feito antes”, confessa.

Quando regressou de África, após atravessar 21 países, já não queria voltar à psicologia. “Queria viver dos meus livros, das minhas viagens”. Depois de escrever o segundo, “Daqui Ali ‒ De Portugal À África do Sul de Bicicleta”, começou a vendê-los na praia, em 2017. Todos os anos, o ritual repete-se e vai para as praias do Algarve no verão, um dos locais onde as pessoas mais gostam de ler.

Foi também nessa altura que se tornou líder de viagens da Landescape e que começou a tentar ser pai. “Sendo pai não ia conseguir fazer uma viagem tão grande, então decidi fazer uma última, em 2018. Atravessei a América Central, do Panamá ao México, sem pagar transportes nem alojamento. Gastei 1000€ com tudo incluído”, recorda.

Quando regressou continuou a vender livros na praia e a trabalhar no terceiro livro, “Vago ‒ do Panamá ao México à Boleia”, enquanto fazia pequenas viagens pelo mundo. “Finalmente, após três abortos, nasceu o meu filho Noé, em 2021. O tempo foi passando e o bichinho de voltar a fazer uma viagem grande estava a ficar cada vez mais forte. Precisava de algo para conseguir colmatar essa vontade, a chama que tinha cá dentro”, diz.

Foi então que se lembrou de atravessar o outro do continente africano, de Luanda a Maputo de bicicleta, em apenas 40 dias. “É algo que me deixa desconfortável e receoso, porque vou ter que fazer 100 quilómetros por dia, todos os dias, muito mais do que fazia antigamente”, sublinha.

Com um filho de três anos em casa, o Noé, sabia que não podia ficar tanto tempo fora de casa como aconteceu nas últimas grandes viagens. Foi isso que o levou a condensar ao máximo tudo o que acontece numa viagem grande em apenas 40 dias — ainda considerou ser um mês, mas isso “seria muito ambicioso”

Como é habitual neste tipo de aventuras, Pedro não costuma ter “nada previamente definido”. Sabe, contudo, que não pretende pagar muitos hotéis e que a maioria das noites serão passadas a acampar. O objetivo é o mesmo que todas as outras viagens: gastar o mínimo de dinheiro possível.

Apesar de já estar habituado a este tipo de desafios, confessa que “há sempre alguns receios. “Um dos meus maiores receios é sempre ser assaltado, que me roubem a bicicleta ou ter encontros não desejados com animais. De resto sinto-me preparado, a nível psicológico sou forte e teimoso, mas o meu corpo às vezes pode ter outros planos”, diz.

4.000 quilómetros em 40 dias. É já a partir deste domingo, 19 de maio, que Pedro começa a pedalar com o intuito de chegar a Maputo. Pode acompanhar toda a viagem nas redes sociais.

Carregue na galeria para ver algumas das fotografias das aventuradas passadas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT