Viagens

A primeira companhia aérea dedicada aos vinhos está a nascer na Nova Zelândia

A empresa neozelandesa Invivo decidiu juntar o melhor de dois mundos — viagens e vinhos — numa única experiência.
Auckland.

Nos próximos meses, um avião Saab com 34 lugares vai levantar voo em Auckland, na Ilha Norte da Nova Zelândia, e partir em direção a Queenstown, na Ilha Sul. Podia ser uma ligação aérea como qualquer outra, especial apenas por celebrar a reabertura das fronteiras de Auckland após 119 dias de confinamento — se não fosse realizada pela Invivo Air. Trata-se da “primeira companhia aérea vinícola do mundo”, segundo os cofundadores Tim Lightbourne and Robin Cameron, citados pela “CNN Travel”. Apresenta-se como sendo igual a qualquer outra, “mas com melhor vinho”.

O projeto invulgar surge através da empresa de vinhos que lhe dá nome. Fundada em 2008, e com a atriz Sarah Jessica Parker e o apresentador Graham Norton no grupo de acionistas e colaboradores, decidiu contrariar a tendência seguida por algumas transportadoras aéreas (como a American Airlines) de proibir álcool a bordo e criou uma dedicada à bebida favorita de Baco.

“Muitos restaurantes têm estado fechados em Auckland durante este tempo todo”, refere Tim Lightbourne, um dos fundadores da empresa. “Tem sido muito difícil. Gostaríamos de restabelecer alguma da hospitalidade com esta rota para Queenstown, que é um dos nossos destinos mais turísticos”, explicam.

Se o voo terá duração aproximada de duas horas, durante as quais serão servidos vinhos da marca aos passageiros — as experiências de prova estendem-se por 24. A viagem inclui uma visita aos produtores da Central Otago da Invivo e uma estadia no hotel de cinco estrelas Hilton Queenstown Resort & Spa.

Para já, só os residentes deste país na Oceânia se podem inscrever para o voo de estreia, mas a expansão do conceito a outros mercados não está descartada. Tim Lighthouse já referiu a possibilidade de abrangerem outros destinos neozelandeses.

O cenário idílico que rodeia o Hilton Queenstown Resort & Spa.

Impulso ao turismo doméstico

Com a iniciativa, a dupla de empreendedores pretende impulsionar o turismo em Queenstown que, antes da pandemia, atraía cerca de três milhões de visitantes (mais de 60 por cento destes eram estrangeiros) por ano.

O voo será um “teste” mas Lightbourne adianta que a empresa planeia ter uma oferta regular entre os dois locais mencionados. Esperam, no futuro, poder adicionar novas rotas.

“Temos vinhas em Marlborough, que também fica na Ilha Sul”. Na Ilha Norte também têm algumas na região de Hawke Bay e Gisborne. “Adoraríamos ter alguns voos com este destino, mais para a frente”.

Tudo leva a crer que será possível, até porque o “feedback tem sido positivo, com centenas de pessoas a registarem-se” para embarcar no voo de estreia. “Podíamos ter vendido a lotação cem vezes”. Os preços cobrados por voo não foram divulgados.

Para apoiar os trabalhadores no setor do turismo de Auckland, muito afetado pela pandemia, estes terão prioridade no acesso aos lugares disponíveis — metade destes são cortesia da empresa. Também os residentes que se viram impossibilitados de visitar a família na Ilha do Sul por causa do fecho das fronteiras, passam à frente na hora de selecionar os passageiros. Talvez a estrela de “And Just Like That…” ou do “The Graham Norton Show” estejam a bordo, sugere Lightbourne.

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