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Príncipe: o paraíso escondido em África é “uma terapia” que poucos conhecem

A ilha fica a mais de 100 quilómetros de São Tomé e tem uma natureza quase intocada. O turismo disparou nos últimos anos.

No Golfo da Guiné, a cerca de 140 quilómetros da ilha de São Tomé, existe um paraíso natural ainda pouco explorado, mas igualmente idílico: o Príncipe. Ali, onde a floresta tropical encontra praias desertas, vive-se num ritmo próprio. Não existe, de facto, outro destino assim em África — ou no mundo.

“O Príncipe é uma terapia”, garante Filipe Nascimento, presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe. “Cada vez mais, o feedback que recebemos dos turistas que nos visitam é esse. Pedem para protegermos e conservarmos tudo isto porque é um lugar único”, conta à NiT.

Com uma população de cerca de oito mil habitantes, a ilha viveu sempre à base daquilo que a terra e o mar oferecem. Nos últimos anos, o aumento do turismo prova que o Príncipe é um refúgio que está a ser descoberto, o que leva a uma estratégia clara: receber visitantes, sim, mas evitar o turismo de massas.

Nas praias douradas, nos miradouros selvagens ou até nos cinco hotéis que existem na ilha, é impossível sentir-se sufocado. No total, existem cerca de 150 camas em alojamentos, muitas delas destinadas ao turismo de luxo.

“Há margem para mais, mas sempre com controlo para não entrarmos num tipo de oferta que promova o turismo de massas”, sublinha o presidente, de 36 anos. “É um destino remoto, no sentido em que também nos permite esta segmentação dos turistas que vêm e que tragam boas práticas, que contribuam para a preservação da ilha enquanto Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO.”

Este controlo, é feito de forma natural, como refere Filipe Nascimento. Uma das mais-valias é que o único acesso à ilha é feito através de São Tomé e não existem voos diretos. As companhias aéreas low cost, por exemplo, não viajam para a zona.

“Por ser uma ilha de dupla insularidade, descontinuada tanto do continente como da capital, os mochileiros não se deslocam até lá. Além disso, é um destino que ainda é relativamente caro, quando comparamos com a média dos destinos onde há operadores de low cost, como Cabo Verde”, aponta.

No entanto, o número anual de turistas, tem crescido de forma impressionante. No período após a pandemia de Covid-19, a ilha recebia cerca de mil turistas por ano, segundo dados partilhados pelo presidente. Em 2024, o valor subiu para seis mil. “Ainda estamos a concluir os dados de 2025, mas seguramente vai ser o dobro.”

O objetivo é que o turismo aumente, mas que a ilha do Príncipe mantenha a sua autenticidade. De origem vulcânica, as paisagens naturais formaram-se há milhares de anos. Entre as principais atrações da ilha, o dirigente destaca a Cascata Oquê Pipi, com 20 metros de altura, o Miradouro de Belo Monte, com vista para a icónica Praia Banana, o Miradouro de Nova Estrela e a Baía das Agulhas.

Pelo caminho, é possível interagir com as populações piscatórias e desbravar os trilhos no meio da floresta. O turismo aquático é outro dos pontos altos da ilha. Destacam-se experiências como o passeio de barco, os mergulhos e até a desova ou a largada das tartarugas.

O aumento do turismo tem trazido, por seu lado, alguns benefícios extra para a ilha. Há poucos anos, o fornecimento de energia eléctrica só acontecia das 17 às 20 horas. Hoje, já existe eletricidade durante o dia inteiro — sem contar com algumas falhas que continuam a acontecer devido à dificuldade de manutenção.

“O turismo está a impactar todos estes subsetores da economia regional do Príncipe, está a criar oportunidades para a nossa população local, para aqueles que fornecem desde a agricultura, a pesca e a pecuária, os guias turísticos, as senhoras da restauração, os prestadores de serviços, entre outros”, aponta o presidente.

 
 
 
 
 
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Nos últimos 20 anos, a ilha passou a contar com mais alojamentos. No geral, tem hoje cinco hotéis: Bom Bom, Sundy Praia, Roça Sundy, Belo Monte e a Quinta de Santa Rita, com reservas diárias que podem variar entre os  110€ e os 1064€.

No mesmo período, o número de pensões aumentou de três para 30. Muitas delas são na cidade de Santo António, com opções inseridas nas próprias comunidades locais. “Temos tido alguns empresários que estão a apostar no turismo comunitário agroturístico, que tem gerado também um interesse cada vez mais crescente por parte dos nossos visitantes”, refere.

“Temos evoluído no setor da água. Temos ainda alguns desafios, fruto das alterações climáticas e da necessidade de mais infraestruturas, mas temos conseguido, gradualmente, crescer na oferta de água nas comunidades. Na parte”.

Na parte da educação, o governo tem também ajudado jovens e adultos a formarem-se e a assumirem os seus próprios negócios, que são depois visitados pelos turistas que chegam à ilha. Este contacto próximo com a comunidade local acontece desde a chegada até ao dia da partida. Aliás, o sentido de comunidade que se sente por lá é o que torna a ilha do Príncipe ainda mais especial.

E, tal como noutros países africanos, há quem seja conquistado pelo estômago. Na parte gastronómica, Filipe Nascimento destaca pratos como o bóbó (puré à base de banana-pão ou banana-da-terra e peixe); ou o calulu (com peixe seco ou carne de porco fumada, legumes e folhas verdes), peixe grelhado e polbo à moda do Príncipe.

Na parte dos acompanhamentos, há pão, fruta local, a mandioca ou a farinha de mandioca. “Se quiserem comer algo típico de outro país europeu ou americano, também é possível. Pode-se combinar com as casas e os restaurantes e pedir o que querem.”

Como lá chegar

A TAP é uma das únicas companhias aéreas com voos até São Tomé e Príncipe, a partir de Lisboa. Para os próximos meses, os valores de ida e volta rondam os 1200€.

Quando chegar a São Tomé, vai precisar de apanhar outro avião para o Príncipe. Neste caso, os preços variam entre 200€ e os 270 €. Pode optar por companhias como a STP Airways e, em alguns dias, a Afrijet/África Connections.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da ilha do Príncipe. 

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