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Proibir o uso de telemóveis na rua? Localidade francesa fez referendo e ganhou o sim

Mais de metade dos participantes mostraram-se a favor. A medida visa “preservar a vida social” na comuna.
A população está de acordo.

Desde o início de fevereiro que os habitantes de Seine-Port, uma comuna no sul de Paris, em França, têm afixado cartazes contra o uso de telemóveis na rua. Os habitantes da localidade francesa querem travar a “invasão dos smartphones” e, para isso, lançaram um referendo que visa proibir a utilização destes dispositivos em espaços públicos.

A votação aconteceu no primeiro fim de semana do mês, nos dias 3 e 4. Cerca de 20 por cento dos recenseados da localidade, com aproximadamente dois mil habitantes, depositaram o seu voto. Em números absolutos votaram 277 pessoas, sendo que 54 por cento concordam com a proibição.

“Sou totalmente a favor desta medida. Há quem diga que é um ataque à liberdade, mas não penso assim. Trata-se de sensibilizar as pessoas para o impacto dos telemóveis nas nossas vidas”, afirmou Ludivine, uma das participantes, em declarações ao “The Guardian”. A mulher de 34 anos tem dois filhos, de um e quatro anos.

Uma vez que a resolução foi bem-recebida, cabe ao autarca local, Vincent Paul-Petit, redigir o primeiro decreto municipal oficial sobre a utilização de dispositivos eletrónicos na esfera pública — independentemente da idade dos utilizadores. Ainda não existe nenhuma lei em França que aborde o problema.

 “Não se trata de proibir todos os telemóveis, mas de propor que as pessoas se abstenham de utilizar os smartphones para usarem as redes sociais, jogarem jogos ou verem vídeos em espaços públicos porque queremos preservar para a vida social”, referiu o representante do partido de direita Os Republicanos.

O autarca refere ainda que, mais do que impor a proibição aos habitantes, o objetivo “é abrir o debate”. De facto, a discussão instalou-se e tem criado uma divisão geracional: se os mais velhos estão a favor, os jovens que vivem na comuna resistem à ideia.

“Passo cinco horas por dia no telemóvel, o que considero razoável. Também leio livros, mas gosto de ver coisas no telemóvel na rua. Não se pode proibir a possibilidade de ter o conhecimento na ponta dos dedos”, frisa Gabriel Rodier, de 20 anos, ao jornal britânico.

Face às queixas das camadas jovens da população de Seine-Port, Paul-Petit pretende investir na construção de um recinto para atividades ligadas ao desporto e ao lazer, inaugurar um cineclube e criar espaços para permitir trocas de livros. E se estiverem perdidos? Podem esquecer o GPS e pedir informações.

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