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Quem quer viajar até ao Polo Norte num dirigível de luxo?

A viagem inclui um piquenique no gelo — e a empresa responsável quer trazer de volta a moda dos zepelins.
Esqueça lá os aviões

É mais ecológico do que os aviões, mais espaçoso, confortável e voa tao baixo que oferece vistas panorâmicas espetaculares. Sim, também é mais lento, mas os navios de cruzeiro também o são — e esse é o campeonato em que quer jogar a OceanSky Cruises.

Desde a explosão do Hindenburg em 1937 — que resultou em 36 mortos — que o mundo preferiu afastar-se destes veículos aéreos e os trocou pelos aviões. Não que eles também não caiam, mas a verdade é que só agora, quase cem anos depois, os mais ecológicos dirigíveis parecem surgir como alternativas bem mais apelativas.

As aeronaves mais leves do que o ar são o foco da Hybrid Air Vehicles, uma empresa britânica que há dez anos que começou a investir em protótipos de nova geração, assentes em novas tecnologias, materiais e com garantia de uma maior segurança. Criaram, então, o Airlander, a maior aeronave do mundo com 91 metros de comprimento.

Quem ficou de olho na Airlander foi Carl-Oscar Lawaczeck, um antigo piloto sueco, que viu nos dirigíveis a ‘next best thing’ e, mais concretamente, nos veículos da Hybrid Air Vegicles a sua próxima aventura empresarial.

Será a bordo destes dirigíveis modernos que Lawaczeck quer transportar turistas até ao ponto mais a norte do planeta, numa espécie de cruzeiro pelo ar. As semelhanças são muitas.

Não é bem a cabine de uma companhia lowcost

Desde logo, os dirigíveis têm uma enorme autonomia e podem voar durante períodos extremamente longos sem terem que regressar ao solo. Além disso, a sua dimensão e capacidade de carga — pondera-se, igualmente, o seu uso para transporte de mercadorias entre continentes, em substituição dos navios de carga — permitem que os interiores sejam espaçosos e luxuosos.

Ao contrário dos aviões, onde peso e espaço são restringidos a um mínimo, nestes dirigíveis a ideia passa por criar cabines de luxo, áreas comuns onde seja possível caminhar ao longo de amplas janelas panorâmicas.

“Não estamos tão constrangidos no espaço como os aviões, por isso podemos fazer coisas mais interessantes nas cabines. O design vai incidir na história destas aeronaves e evocar a era delas [no início do século XX]”, conta.

Claro que também são aeronaves muito mais lentas do que os aviões comerciais. Para Lawaczeck, esta é mais uma vantagem. “Podemos descer até aos 90 metros ou até aos 30 se for necessário; podemos voar tão lentamente como uma bicicleta, de forma a oferecer aos nossos passageiros um vislumbre dos habitats polares”, explica à “CNN”.

A sustentabilidade é também uma das metas da OceanSky, que prevê que o dirigível comece por usar biofuel e depois transite para uma propulsão 100 por cento elétrica.

O lounge panorâmico vai ser assim

O dirigível terá capacidade para transportar 16 passageiros, que terão ao seu dispor oito cabines privadas que se assemelham a quartos de hotel, com serviço de chef. No interior, existirá um lounge panorâmico que serve de ponto de observação, com janelas e chão em vidro que permitem ver a paisagem.

Porém, não se irá limitar a ver o Polo Norte ao longe. Chegados ao marco geográfico, está prevista uma aterragem que durará seis horas, tempo suficiente para conhecer o local, tirar umas fotos e fazer um piquenique.

“A aeronave ficará assente firmemente no chão para o embarque e desembarque”, explica Lawaczeck. “Os ventos no Polo Norte são muito estáveis, não existem rajadas ou outros fenómenos do género porque não há terreno que interrompa o fluxo de ar. Não poderíamos pedir um local de aterragem mais seguro do que este.”

A viagem terá uma duração de 36 horas e irá partir do aquipélago de Svalbard, na Noruega. Apesar do dirigível ainda não estar pronto, a OceanSky já abriu as reservas e, infelizmente, esta não será uma experiência acessível para todos. Reservar uma cabine dupla para duas pessoas ficaará por 196 mil euros.

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