Raquel Oliveira e Fábio Fonseca estavam a acampar numa floresta isolada no Botswana quando foram surpreendidos por uma família de elefantes. O momento aconteceu durante a noite e ao longo de duas horas, os animais estiveram a empurrar o carro onde o casal estava a dormir.
“A nossa tenda ficava em cima do carro e eles passaram duas horas a empurrar e a mexer com as trombas”, começa por contar à NiT a cofundadora de 34 anos da Tours & Expeditions Angola, uma agência de viagens naquela país africano. “Sentíamos as trombas a tocar na nossa cabeça e ouvíamos o som deles porque comunicam com vibrações. Foi um momento muito intenso.”
Apesar do susto, os animais acabaram por ir embora e nada de grave aconteceu. O incidente decorreu durante uma viagem de um ano que o casal português fez pelo continente africano em 2022. Nessa altura, após a pandemia da Covid-19, decidiram aventurar-se pela região a que escolheram chamar casa.
Hoje, o casal é coproprietário da Triskelion Expeditions, uma agência de viagens em Portugal, e fundador da Tours & Expeditions Angola, agência que criaram já em Angola para organizar viagens pelo país.
Raquel é natural de Vouzela, enquanto Fábio tem 38 anos e é natural de São Pedro do Sul, ambos no distrito de Viseu. Os dois conheceram-se ainda na escola e nunca mais se largaram. A ideia de se mudarem para Angola, por sua vez, surgiu em 2011, graças ao trabalho de Fábio, no setor da banca.
“Eu também vim porque queria estar próxima do Fábio. Apesar de a minha mãe ter nascido em Angola e eu já ter uma ligação com a região, porque cresci com esse contacto, nunca tinha pensado em viver cá”, confessa.
Em 2012, estavam já a viver em Luanda quando Raquel começou a trabalhar como gerente numa loja local. Nos anos seguintes, teve ainda o cargo de gestora de seguros de saúde, antes de enfrentar um dos maiores desafios da sua vida: o diagnóstico de uma doença autoimune.

Em 2018, a portuguesa foi diagnosticada com nefropatia por IgA, uma patologia renal crónica, e teve de regressar a Portugal. “Foi muito complicado porque disseram que ia estar mais debilitada e que, se calhar, não era boa a ideia estar em África. Portanto, entrei em pânico”, recorda.
Ao longo de um ano, Raquel teve de receber medicação para conseguir controlar a doença. “Era muito forte em termos de corticoides e este tipo de tratamento deixa-te completamente desfigurado. Portanto, fiquei muito sensível, psicológica e fisicamente, ao ponto de, por exemplo, não poder correr, porque torcia os pés. Estava fisicamente muito debilitada”, conta à NiT.
Durante esse tempo, não conseguia deixar a vida em Angola para trás e continuava a pensar no continente africano. Juntamente com Fábio, fez também uma promessa: quando superasse a doença, tirariam “todos os sonhos da gaveta.”
Foi precisamente isso que fez quando regressou a Angola. No entanto, teve de esperar que a pandemia de Covid-19 passasse para começar a realizar os seuss sonhos. Em 2022, quando tudo já estava a acalmar, partiram numa viagem de um ano por África.
“Percorremos 12 países, dormíamos numa tenda, cozinhávamos nos parques de campismo e, por vezes, no meio do mato”, refere. Nesta altura, Raquel explica que já tinham atingido a “liberdade financeira” e conseguiam viver com os investimentos que fizeram ao longo do ano.
Durante esta viagem, o casal apaixonou-se ainda mais pelo estilo de vida africano e pela simpatia das pessoas que conheceram. Entre os momentos mais marcantes, estão as duas festas de casamento diferentes que tiveram: uma na Namíbia, com uma tribo local, e outra em Moçambique, com desconhecidos.
“Na Namíbia, a senhora da tribo achou muito estranho eu viver com o Fábio há tantos anos e não estarmos casados. Por isso, decidiu fazer uma bênção tradicional”, partilha. “Meses depois, em Moçambique, uma série de pessoas que conhecemos também decidiram organizar um casamento a sério e até tivemos uma pessoa que fez de padre.”
Nesta segunda festa, chegaram mesmo a trocar alianças e votos. Raquel teve direito a um vestido e maquilhagem, além de tudo ter acontecido num terraço alugado com serviço de catering. “Termos o nosso momento com pessoas que nem conhecíamos acabou por ser uma das memórias mais marcantes e que nunca vou esquecer.”

Das viagens às agências
Em 2023, surgiu a oportunidade de Fábio adquirir 50 por cento da Triskelion Expeditions, uma agência de viagens portuguesa. Nesse mesmo ano, o casal decidiu fazer o mesmo em Angola e criou a Tours & Expeditions Angola.
“Como sou uma fanática e apaixonadíssima por Angola, porque é o meu país de coração e é a minha casa, decidi abrir uma agência especializada cá, que traz pessoas de todo o mundo”, explica Raquel.“Recebemos muitos portugueses que nasceram cá ou cujos pais cresceram cá, e que querem conhecer as suas origens.”
O casal trabalha também com muitos estrangeiros, como espanhóis, italianos, ingleses, canadianos, noruegueses, entre outros. O objetivo é quase sempre o mesmo: mostrar os segredos escondidos de Angola e não só.
“Fazemos acampamentos no deserto e também junto de tribos, além de visitas aos povos locais”, refere. “Visitámos também as Quedas de Calandula, que são uma das maiores de África, e tentamos ter sempre passeios locais, como visitar mercados e musseques [bairros periféricos semelhantes às favelas].”
Para além das experiências que tem vivido no país na última década, quer com Fábio, quer através das viagens das agências, Raquel partilha que o que mais gosta em África é a empatia das pessoas.
“Em setembro regressei a Portugal por uns dias e fiquei sem saldo no telemóvel. Pedi ajuda numa estação a seis pessoas e ninguém me quis emprestar o telemóvel para fazer uma ligação e fiquei em choque”, recorda. “Em Angola, tenho a certeza absoluta de que qualquer pessoa que eu parasse, mesmo que não tivesse dinheiro, me ia tentar ajudar de alguma maneira. É esse espírito que também me prende muito aqui.”
Caso tenha interesse em agendar uma viagem ou passeios personalizados com Raquel e Fábio, pode contactá-los através do Instagram.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da vida de Raquel e Fábio em Angola.








