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Há novos passeios pelos canais de Amesterdão — só para apanhar o lixo

Pescar nos canais de Amesterdão foi uma tradição durante centenas de anos, mas se tentar agora é provável que não encontre peixe.
Uma tour diferente do habitual.

O meio ambiente e a sustentabilidade são hoje alguns dos temas mais importantes e debatidos a nível das sociedades. Ainda assim, há um longo caminho a percorrer até que se consigam atingir certos objetos, seja a nível de poluição atmosférica ou da recolha de lixo, por exemplo. Os holandeses posicionam-se à frente e lançaram uma tour turístico, cujo principal objetivo é recolher o lixo dos canais de Amesterdão.

A Plastic Whale é a primeira empresa profissional de pesca de lixo e está a inovar a vários níveis. “Pode parecer algo estranho, mas o nosso objetivo é acabar com a empresa”, revelou à “BBC” Eva de Jong, uma das líderes desta empresa. “Queremos chegar a um ponto em que não há mais plástico ou lixo nos canais de Amesterdão para nós pescarmos. É essa a nossa esperança”, acrescentou.

Amesterdão
Ainda assim, o lixo continua a aparecer todos os dias.

Um dos barcos desta empresa holandesa está atracado no canal de Prinsengratch e costuma viajar para sul para o lado mais conhecido de Amesterdão — aquele com as casas barco, com os cafés com panquecas tradicionais de Amesterdão, com as pontes com as bicicletas ou de monumentos famosos como a Casa de Anne Frank.

Mas há um outro lado da capital holandesa onde as canas de pesca são utilizadas para pescar pacotes de batatas fritas dos canais e é aqui que a empresa quer apostar.

O objetivo desta companhia holandesa é evitar o turismo massificado, que a longo prazo tem um custo relativamente elevado para o ambiente. A Plastic Whale começou em 2011 e nos dias de hoje tem uma rota de 11 barcos, com dois a operar em Roterdão. Cada embarcação é feita através de material reciclado dos canais, sendo movido a energia elétrica, com cada barco a ter um design diferente de um patrocinador holandês, com mosaicos feitos através de tampas de cerveja encontradas nos canais.

“Eu estava sentado numa praia na Indonésia depois de uma tempestade. A praia inteira estava cheio de plástico. Tanto que tu não podias ver sequer a areia. Chocou-me imenso”, revelou Marius Smit, a CEO da Plastic Whale. O diretor regressou a Amesterdão dedicada a fazer algo para travar este problema no seu próprio país.

Ele chegou à conclusão de que precisaria de construir um barco através de lixo reciclado dos canais e depois ir recolher ele próprio o lixo. O CEO nunca tinha conduzido um barco e muito menos construir um, mas assim que teve a ideia soube que “não ia voltar atrás”. O primeiro ano teve um sucesso lento, mas os anos seguintes fizeram com que a empresa crescesse e a Plastic Whale conseguiu pescar mais de 40 mil garrafas de plástico, com a ajuda de mais de 18 mil touristas.

O sucesso deveu-se, sobretudo, à forma como a empresa mostrou ao governo e aos empresários que o lixo poderia ser um recurso económico valioso. Desde então, já organizaram eventos para apanhar o lixo em Londres, Frankfurt, Hamburgo ou Genth. “Somos uma empresa social com uma missão de educar as pessoas sobre o valor económico de lixo”, conclui o criador da empresa.

 

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