Viagens

O Travel Shaming é uma realidade deste verão — e tem gerado polémica

As opiniões dividem-se entre aqueles que criticam quem passa férias no estrangeiro e quem elogia a coragem.
É a moda do Verão

Viajar atualmente é provavelmente uma das atividades mais stressantes, quer seja pelo medo do vírus, pela imposição de restrições ou simplesmente pela incerteza em que vivemos atualmente. Se já viajou para o estrangeiro ou em Portugal sabe que isso traz dúvidas e pesquisa extra, mas há um factor em 2020 que está a percorrer o mundo inteiro e que não existia até agora — o travel shaming, que, em português, significa algo como uma crítica da sociedade a pessoas que viajam. 

Os viajantes deste ano que decidem partilhar as suas aventuras através das redes sociais têm-se deparado frequentemente com este fenómeno. Numa entrevista à “CNN“, Sarah Archer, uma nómada digital de Boston, diz que este fenómeno a “deixou ansiosa” numa viagem recente que fez até à Europa e fez mesmo com que tivesse mais cuidado. “Eu tenho um namorado na Suiça, então estava a tentar entrar na Eruopa. Foi difícil com um passaporte americano”, confessou. 

O casal tem estado na Suiça nos últimos meses.

A Sérvia, que ainda não faz parte da União Europeia, reabriu as fronteiras a norte-americanos, no final de maio. Sarah aproveitou a oportunidade para ir ver o seu namorado em julho, que voou da Suíça para este país. Assim que chegaram à Sérvia, a Croácia reabriu as fronteiras para cidadãos americanos, e decidiram alugar um carro para passar a fronteira. Daí, e depois deste país ter sido removido da lista de territórios inseguros, a nómada digital foi autorizada a voar até à Suiça — uma verdadeira aventura para chegar até aqui.

Apesar de viajar com o máximo de segurança e legalidade, ela recebeu algumas mensagens de amigos a perguntar se precisaria mesmo de estar a viajar. “Eles perguntaram-me se não era irresponsável e egoísta viajar nesta altura”, conta. No entanto, nem todos estão a respeitar as orientações de segurança. Sarah releva ironicamente que muitas pessoas à sua volta nem sequer usam máscaras, é “como se as coisas estivessem normais na Suíça agora”, confessa.

Como ela, estão muitos viajantes, que questionam as suas escolhas de viagem e que mudam o comportamento por causa dos comentários negativos das redes sociais. Esta situação vai continuar durante mais alguns meses ou, pelo menos, até se arranjar uma vacina contra a Covid-19 e que permita viajar como antes. O medo de publicar algo nas redes sociais tem diminuído nos últimos meses, sobretudo no Verão, mas há ainda quem receie partilhar fotografias das suas férias no Instagram. 

“Várias pessoas cancelaram as suas férias e as viagens para verem a família. Quando veem outros a aproveitar as viagens não essenciais, ficam chateados, irritados e sentem que não é justo”, explica à “CNN” Krista Thomason. uma professora de filosofia que tem um livro sobre o shamming. “As pessoas sentem que estão a deixar de poder ter as cosias que são importantes, e é normal quando vêm que os outros não fazem o mesmo”, acrescenta. 

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