Viagens

Seguiu o sonho, deixou a GNR e abriu uma agência de viagens — e depois veio a pandemia

Depois do confinamento, Francisco Agostinho já tem todas as rotas marcadas para maio.
E há mais sonhos

O que têm em comum os desafios da vida diária de um militar da GNR e as apaixonantes viagens pelo mundo? Aparentemente muito pouco, mas Francisco Agostinho discorda.

O autor do blogue “Projecto 100 Rota”, de Leiria, desde pequeno que se habituou a viajar. Com a família viveu em várias zonas do País e até no Brasil. A maioridade trouxe-lhe também a liberdade de viajar mais e o gosto por descobrir o mundo só aumentou.

“O clique para viajar de forma livre pelo mundo foi dado numa viagem de mochila, sem nada marcado, com a namorada pelo Irão durante mais de um mês”, conta à NiT.

Com tantas viagens e tantos quilómetros percorridos, decidiu que a sua experiência deveria ser partilhada com outros para incentivá-los a fazerem o mesmo. E foi assim que nasceu o blogue.

Mas nem tudo são viagens na vida de Francisco. Este aventureiro de 40 anos passou mais de uma década dedicado à GNR antes de agarrar verdadeiramente o sonho e começar a ser líder de viagens.

“Devo muito à GNR, durante quase 15 anos de serviço proporcionou-me experiência em saber lidar com o “outro”, saber lidar com grupos de pessoas e perceber um pouco da dinâmica da psicologia organizacional. Foi um privilégio poder servir esta nobre instituição.”

Ainda assim, sentia-se “preso” depois de uma vida quase nómada quando era criança. Isso fez com que começasse a ser líder de viagens na agência Landescape, onde trabalhou durante três anos.

“O gosto em trabalhar para a Landescape foi imenso mas havia necessidade de ter algo nosso. Aliado a isto e com a pandemia, decidimos mudar o paradigma das nossas vidas, precisando de ter algo mais consistente e um negócio que nos pudesse dar mais liberdade de movimentos”, explica.

Foi assim que, em parceria com a companheira, Carla Francisco, de 36 anos, criou a 100 Rota. Esta agência de viagens foi lançada no último trimestre de 2020. O site só ficou totalmente pronto no início deste ano.

Claro que a pandemia não ajudou muito em todo o processo, ainda assim o casal acredita que será apenas um “intervalo” nas viagens e por isso “a decisão de não desistir manteve-se firme desde o início”.

Francisco largou por completo a vida de militar e trocou o “conforto de um bom salário regular” pelo “conforto da liberdade para concretizar os sonhos” que tem em mente. E são muitos, mas já lá vamos.

Esta agência aposta no conhecimento que os líderes de viagens têm sobre os destinos e no prazer em partilhá-lo. Oferece rotas fora das normais zonas turísticas e para destinos menos óbvios que normalmente quem viaja tem algum receio em escolher.

“O que mais queremos é que no final de cada viagem cada viajante venha cheio de histórias e momentos guardadas”, assegura. Para isso, os grupos têm no máximo 12 pessoas e o contacto com os habitantes locais é incentivado.

Na 100 Rota, a viagem começa a partir do momento em que a marca no site da empresa. Há um contacto personalizado e uma interação que se estende até ao dia da partida, sempre com todos os detalhes esclarecidos e todas as dúvidas tiradas.

As próximas viagens para fora do País estão já marcadas para 12 a 25 de maio, ao Curdistão, e para 1 a 15 de junho, ao Sul dos Balcãs (Albânia, Macedónia do Norte e Grécia). Mas há muitas outras nos próximos meses, tanto dentro como fora de Portugal.

Quanto aos sonhos, a resposta é simples: “Um deles é a agência, que está concretizado, o outro, poder fazer voluntariado em África com a minha companheira, enfermeira, e o nosso filho para lhes passarmos valores que consideramos fulcrais e juntar-lhe uma grande viagem ao resto do mundo de vários meses. Para tudo isto ser possível, no entanto, teremos ainda de concretizar mais uma ou duas ideias, que já estão em andamento. Nada complicado.”

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