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Semana de trabalho de 4 dias já chegou à Alemanha, o “motor económico da Europa”

O principal objetivo desta medida é incentivar os trabalhadores a serem mais produtivos e combater a falta de recursos humanos.
Mais um país a aderir.

Em 2015, o governo da Islândia, a Câmara Municipal de Reiquejavique e os sindicatos islandeses uniram forças para conduzirem um projeto-piloto inovador — a semana de trabalho com menos dias (e horas laborais). O período de teste, que estendeu por quatro anos, até 2019, foi um sucesso. A saúde mental dos trabalhadores melhorou e a produtividade das empresas aumentou.

O êxito islandês levou outros países, como a Espanha, a Escócia, o Reino Unido e Emirados Árabes Unidos — e Portugal —a arrancarem com projetos-piloto semelhantes. Por cá, o primeiro modelo arrancou em junho de 2023, aplicado a cerca de mil trabalhadores em 39 empresas.

Agora, é a Alemanha, o “motor económico da Europa” que se prepara para ter semanas laborais mais curtas. A medida pretende combater a escassez de recursos humanos e a baixa significativa na produtividade registados na economia alemã, adianta a “Euronews”. A experiência com a semana de trabalho de quatro dias irá durar seis meses. Os funcionários das 45 empresas que aderiram ao projeto-piloto vão trabalhar menos um dia por semana e receberão o mesmo salário no final do mês.

A iniciativa é liderada pela consultora de gestão Intraprenör, com a colaboração da organização sem fins lucrativos 4 Day Week Global (4DWG). Porém, a medida apenas se aplica a empresas em que o trabalho pode ser adaptado a uma semana de trabalho mais curta.

A eficácia da semana de 4 dias

O primeiro país a criar cabeçalhos à volta do mundo pela implementação de semanas de trabalho mais curtas foi a Islândia, como referimos acima. “Os resultados são imensamente positivos. Trabalhadores de diferentes áreas do setor público estão muito felizes com o novo balanço entre a vida pessoal e o trabalho, passando mais tempo com a família, fazendo mais atividades extracurriculares — como andar de bicicleta, ter novos passatempos, e por aí adiante”, revela o investigador Will Stronge, o co-diretor da Autonomy, a meios como a “BBC” e a “CBC”.

As melhorias não se fizeram sentir só nos trabalhadores. Também os patrões foram beneficiados, visto que afirmaram ter uma maior produtividade. Segundo Stronge, isto acontece porque os funcionários estavam menos suscetíveis a ter problemas relacionados com o trabalho, como stress, esgotamentos, ansiedade e depressão.

Testes semelhantes começarão este ano no Canadá e Austrália. Também os Estados Unidos já puseram esta proposta em cima da mesa. Em dezembro, um grupo de democratas com assento no Congresso dos EUA introduziu um projeto de lei que pretendia diminuir o horário semanal de 40 horas para 32 — ou seja, menos um dia. Caso a medida seja aprovada, os empregadores terão de pagar horas extra a todos os que ultrapassassem este horário obrigatório.

“Chegou, finalmente, o momento de colocarmos as pessoas e as comunidades acima das empresas e os seus lucros — dando prioridade à saúde, bem-estar e dignidade humana básica a toda a classe operária”, defendeu Pramila Jayapal, senadora democrata do estado de Washington, no Congresso dos Estados Unidos.

Na verdade, já existe uma empresa norte-americana onde as semanas menores estão normalizadas desde o outono de 2021. Chama-se Bolt e trabalha com comércio online. Ryan Breslow, o CEO, contou ao canal CNBC que os seus empregados estão mais felizes, eficientes e produtivos. “Não me via a gerir uma firma de outra maneira”, afirma.

Os benefícios desta abordagem laboral começam-se a acumular, com um relatório de uma plataforma britânica, publicado em maio do ano passado, a afirmar que semanas de quatro dias de trabalho poderiam reduzir a pegada de carbono no território.

 

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