Viagens

“Senti-me humilhada”. Mulher com mobilidade reduzida obrigada a rastejar num avião

Jennie Berry partilhou o vídeo nas redes sociais. Paralisada da cintura para baixo, disseram-lhe que devia “usar fraldas a bordo”.
Jennie Berry sofreu um acidente em 2017.

Em 2022, seria de esperar que todas as companhias aéreas estivessem preparadas para receber passageiros com mobilidade reduzida. Infelizmente, nem todas as transportadoras cumprem as obrigações legais. É o caso da low cost Albastar Airlines, que obrigou uma mulher, paralisada da cintura para baixo, a rastejar no chão para conseguir ir à casa de banho durante o voo.

Jennie Berry partilhou o momento que viveu a bordo do avião e contou a sua experiência durante uma viagem para Espanha nas redes sociais. E, como seria de esperar, o vídeo tornou-se viral. Na publicação, Jennie explica que ia apanhar um avião em Newcastle, no Reino Unido, para passar férias em Espanha, mas o voo da TUI UK foi alterado para a Albastar Airlaine, uma pequena companhia aérea espanhola com seis aviões. O que não sabia era que iria ser um dos piores voos da sua vida.

Por ter mobilidade reduzida, quando viaja de avião, costuma sentar-se numa cadeira de rodas de corredor. Assim que chegou ao aeroporto de Newcastle, a tripulação disse que não havia nenhuma disponível e não a deixou sentar-se nos lugares da frente.

“O voo piorou quando, no ar, pedi para ir à casa de banho eles apenas disseram: não, não temos uma cadeira de corredor a bordo”, escreveu nas redes sociais. Sem saber o que fazer naquele momento, decidiu ir sozinha: “Como todos sabem, quando temos de ir, temos de ir”.

Como tem força na parte superior do corpo, começou a arrastar-se pelo corredor em direção à casa de banho, enquanto a tripulação continuava a servir bebidas. Ao chegar lá, um membro da equipa disse-lhe: “Pessoas com deficiência devem usar fraldas a bordo”. “Aparentemente, essa é a solução deles ‒ pedir aos passageiros com deficiência que façam chichi a bordo”, continua Jennie.

“Há muito que ainda precisa de ser feito quando se trata de acessibilidade na indústria de viagens e eu só espero e rezo que isto mostre que são necessárias mudanças — não apenas no acesso, mas também nas mudanças”, lê-se na publicação. Acrescentou ainda que, quando lhe disseram que deveria usar uma fralda (quando claramente não precisa dela), mostraram que estavam felizes com essa política e fizeram-na “sentir humilhada”.

De acordo com o jornal americano “New York Post”, Jennie Berry mora em Hartlepool, em Inglaterra, e ficou paralisada da cintura para baixo depois de desenvolver uma condição neurológica após um acidente em 2017. Desde então que utiliza as redes sociais para mostrar o dia-a-dia de uma pessoa com mobilidade reduzida.

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