Viagens

Silvie viaja pelo País e todos os dias partilha um local incrível no Instagram

O desafio é publicar 365 fotografias dos destinos menos conhecidos de Portugal durante um ano inteiro.
Tem mesmo de conhecer estes locais.

Baloiços panorâmicos, miradouros, cascatas e passadiços. De norte a sul, são muitos os segredos escondidos de um País de contrastes entre o verde das serras e o azul dos mares. Com a evolução da pandemia em 2020 e o fecho das fronteiras, que impossibilitava viajar para outros países, houve quem aproveitasse a oportunidade para explorar o território nacional de uma ponta à outra e descobrir maravilhas que poucos conhecem. 

É o caso de Silvie Couto, de 46 anos, que tem passado os últimos meses a descobrir os recantos de Portugal, dos mais turísticos aos menos conhecidos. Vive no distrito de Aveiro, perto do Porto e é lá que passa grande parte dos seus dias. Já foi editora da NStyleMag, produtora de moda e atualmente é responsável pela imagem e comunicação de vários eventos em Portugal, como o Happy Holi. Não gosta de ficar parada e está sempre pronta para novos desafios: um deles foi ser a co-organizadora do Running Espinho, um dos maiores grupos de corrida livre do País. 

Criou dois subgrupos do Running Espinho — um exclusivo para mulheres e outro para miúdos e já participou nas maratonas do Porto e de Sevilha. Agora, corre pelo País à procura dos lugares mais bonitos e idílicos e mostra tudo através da sua página do Instagram.  Sempre gostou muito de viajar, mas tinha “aquela ideia de que era lá fora que se encontravam os destinos mais bonitos” — conhece todas as ilhas espanholas, por exemplo. Impossibilitada de viajar para fora devido à pandemia, decidiu explorar a costa algarvia e percebeu que, apesar de pequeno, Portugal está cheio de locais incríveis e equiparáveis aos que conheceu no estrangeiro. 

Com vontade de mostrar ao mundo a beleza do território nacional que muitas vezes passa despercebida, resolveu começar outro desafio: partilhar no Instagram 365 locais incríveis em Portugal durante um ano, sem falhar um único dia. Acompanhada pelo marido e, muitas vezes, pelos dois filhos adolescentes, parte à descoberta das terras portuguesas que têm tantas histórias para contar. A NiT falou com Silvie Couto sobre o projeto “Desafio 365 locais incríveis em Portugal” eos locais que mais a surpreenderam ao longo destes meses.

Como e quando surgiu a ideia de criar este desafio?
No verão do ano passado, devido às restrições para viajar para fora do País, resolvi passar férias a explorar a costa algarvia por mar e por terra. Aí que percebi que essa zona ainda tinha muitos sítios idílicos que desconhecia, apesar de todos os anos dar um saltinho ao Algarve. Falésias, grutas, praias secretas… e todas elas equiparáveis aos locais mais incríveis que conheço no estrangeiro. 

Foi por essa altura que decidi partilhar estes locais com os meus amigos e partir à descoberta de outras terras fabulosas por todo o País. Não estava completamente segura de encontrar locais incrível e diferentes para completar os 365 dias, mas depois do que tinha visto no Algarve, e de conhecer tão bem o Porto, resolvi arriscar.

Em que consiste o desafio?
A ideia é partilhar, na minha conta de Instagram, locais incríveis em Portugal, de norte a sul, dando destaque aos sítios mais turísticos, a sua maioria no litoral, mas sem esquecer o interior do País e aqueles sítios que são praticamente um segredo, de tão pouco conhecidos e explorados que são. 

Qual é o principal objetivo do projeto?
A ideia é que tanto os portugueses como os turistas percebam que, sendo este um País “pequenino”, é também mais fácil de percorrer, e que a sua diversidade abrange todo o tipo de gostos. Em Portugal, é possível acordar em modo aventura e partir para explorar a natureza durante a manhã e passar uma tarde nas praias mais deslumbrantes e paradisíacas e, possivelmente, tudo no mesmo dia.

Decorridos nove meses de desafio, posso garantir que temos um pouco do mundo, a curta distância de onde quer que estejamos. Por exemplo, em Aveiro temos uma Veneza portuguesa, em Burgau, no Algarve, temos uma Santorini portuguesa e temos um Stonehenge português em Évora.

Onde começou o desafio e como escolheu os destinos seguintes?
Por questões de proximidade e emotivas comecei pela minha cidade de eleição: o Porto. Depois escolhi as cidades portuguesas mais instagramáveis: na região do Algarve, distrito de Lisboa, Aveiro, Coimbra e por aí fora, tendo sempre em mente que o objetivo principal do desafio é o de mostrar a multiplicidade do País. As cidades, vilas, aldeias, uns destinos mais voltados para a natureza, como o Gerês, Douro ou Serra da Estrela, outros para o património mundial (Alcobaça, Batalha, Tomar, Guimarães) e outros para as praias mais fotogénicas. Procuro fazer uma mistura bem doseada de diversos destinos.

Como está a correr o projeto?
Melhor do que algum dia imaginei. Muitos dos seguidores do desafio são completamente apaixonados por Portugal e, por isso, não há um dia em que não façam um comentário positivo, uma partilha, um gesto de apoio e incentivo. Esta atitude pró-ativa dos seguidores acabou por despertar a atenção de algumas entidades e comecei a receber convites para visitar mais zonas lindíssimas do nosso país, apesar de gostar da minha liberdade e de fazer o meu roteiro. 

Outro feedback positivo são as sugestões que as pessoas orgulhosamente me enviam sobre as terras onde vivem ou onde nasceram. Também continuo a receber com frequência mensagens de seguidores que dizem: “vivo aqui ao pé e não sabia da existência deste miradouro” ou “vivemos no Algarve e tinhas de vir tu do norte convencer-nos a visitar a SandCity”. E existem pessoas que vão aos locais que sugeri e identificam-me nas suas publicações. Tudo isto me dá uma sensação de felicidade e dever cumprido. 

Tem feito o desafio sozinha?
O trabalho duro, sim. O meu marido e os meus filhos acompanham-me em muitas escapadinhas e ajudam-me a captar imagens, sugerem as músicas que devo usar, avaliam as minhas fotografias…Divertimo-nos muito nesta experiência enriquecedora a nível cultural, histórico, geográfico, que será recordada a vida toda. 

Qual tem sido a maior dificuldade?
Sem dúvida, conseguir tempo livre. Este desafio é um passatempo, não é a minha ocupação profissional, pelo que só tenho disponíveis os fins de semana e os feriados para visitar os locais e criar conteúdos. Ando sempre numa correria.

Os custos das deslocações também são um problema. Os preços dos combustíveis e das portagens não incentivam ninguém, mas são situações que tenho conseguido ultrapassar com uma boa gestão de tempo e de vontade de levar o desafio até ao fim.

Até ao momento, qual foi o local que mais a surpreendeu pela positiva?
Pela positiva, foi a Fraga do Cão, em Torre de Moncorvo. Já sabia o que ia encontrar, mas ao chegar lá, a formação rochosa que faz lembrar um cachorrinho, conseguiu superar as minhas expectativas. Deixou-me mesmo de queixo caído — esperava ver uma estrutura natural que tinha um aspeto de cão, não estava à espera de estar num sítio tão bonito. É fruto da mãe natureza.

E pela negativa?
Curiosamente, pela negativa, foi também em Torre de Moncorvo, a cerca de sete quilómetros da Fraga do Cão, existe a Fraga do Facho, um miradouro com uma panorâmica inesquecível, mas que está “camuflada” por uma estação de antenas de transmissão de dados. Rede não falta, mas a beleza perdeu-se um bocadinho. 

Pode sugerir cinco locais que merecem uma visita?
Já tenho mais de 250 sugestões, mas fugindo dos locais mais turísticos e dando opções ainda pouco conhecidas, recomendo que visitem: o Baloiço do Cavaleiro, Lamelas, Castro Daire, é muito original e a poucos metros dele encontra-se ainda um lindo coração. Usem o meu truque para chegar mais facilmente ao avião do Penedo da Carvoeira, em Penacova (encontram o segredo nos destaques das stories de Coimbra); esperem pelo mar baixo e vão até à varanda da Praia da Olinda, em Vila do Conde; vejam o pôr do sol no Cais Palafítico da Carrasqueira, em Alcácer do Sal; façam um batismo de voo, num avião personalizado pela fabulosa artista Graça Morais, e reparem que observadas do céu, as muralhas do Castelo de Bragança, formam um coração!

Concluídos os 365 dias em Portugal, pensa fazer outros desafios do género?
A primeira coisa que vou fazer será o “desafio de dormir 24 horas seguidas”! Falando mais a sério, ainda não pensei bem sobre isso. Tenho recebido várias mensagens de seguidores a dizerem que querem a parte dois do desafio, outros sugerem que transforme esta aventura num livro. Ainda tenho três meses para pensar nisso. 

De seguida, carregue na galeria para descobrir alguns dos locais incríveis que Silvie já visitou.

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