Viagens

Sonho acabou. Passageiros do “cruzeiro que nunca acaba” ficaram apeados

Era para durar três anos, mas a viagem nunca começou. Após várias semanas a empresa anunciou que não tinha o navio.
Era um sonho.

Parecia o sonho perfeito, tendo em conta o cenário habitacional: viver a bordo de um cruzeiro, a um preço simpático. Centenas de pessoas tinham-se inscrito para a viagem inaugural de três anos a bordo do MV Lara, da Life at Sea Cruises, mas acabaram apeadas à espera do navio que nunca chegou.

A viagem devia ter começado a 1 de novembro, em Istambul (Turquia), mas terá sido adiada para dia 11, em Amesterdão. A data chegou e a empresa voltou a adiar a partida, desta vez, para o último dia do mês. Porém, a 17 de novembro, os passageiros foram informados que o cruzeiro tinha sido cancelado.

Após semanas de silêncio, a empresa reconheceu que não tem navio e cancelou a partida, comprometendo-se a reembolsar os clientes que se tinham inscrito.

Alguns dos passageiros que reservaram os 111 camarotes do Life at Sea Cruises ainda se encontram em Istambul, uma vez que se deslocaram para lá antes da data de partida original, avança a CNN Internacional. Outros dizem que não têm para onde voltar, pois venderam ou arrendaram as casas em antecipação da viagem à volta do mundo.

A maioria gastou dezenas de milhares de dólares naquilo que era suposto ser a experiência de uma vida, e agora enfrenta uma espera de pelo menos vários meses para receber o dinheiro de volta. A empresa afirmou que irá efetuar os reembolsos em prestações mensais, a partir de meados de dezembro e até ao final de fevereiro. Ofereceu-se também para pagar o alojamento até 1 de dezembro e os voos de regresso a casa para todos os que estão agora retidos em Istambul.

“Neste momento, há muita gente sem ter para onde ir e alguns precisam do reembolso para poderem planear um lugar para onde ir — a situação não é boa neste momento”, disse um passageiro, à CNN.

O itinerário daquele que seria o primeiro cruzeiro de três anos do mundo foi criado por Robert Dixon e abrangia vários Patrimónios Mundiais da UNESCO. Em cada porto de escala, os viajantes teriam o luxo de explorar, sem pressa, cada cidade.

Os grandes destaques dos primeiros três anos incluíam o Natal no Brasil, e o Ano Novo na Argentina. Os passageiros iriam percorrer ainda toda a América do Sul, conhecer várias ilhas nas Caraíbas, subir a costa oeste da América do Norte, atravessar o Havai, fazer 12 paragens no Japão, conhecer a Coreia do Sul e a China.

Além de visitarem a maioria dos destinos do sudeste asiático (Tailândia, Singapura, Vietname), o cruzeiro deveria percorrer a Austrália, Nova Zelândia, Índia, Maldivas, Seychelles, Zanzibar, África do Sul e as ilhas de Santa Helena, Canárias e Madeira. Também era suposto navegar à volta do Mediterrâneo e do Norte da Europa.

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