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Há um Stonehenge em Espanha que esteve submerso 56 anos — e que a seca revelou

O dólmen fica perto da fronteira com Portugal. O verão trouxe-o à vista desarmada mas corra: com a chuva vai desaparecer.
Estavam cobertos pelo Rio Tejo.

É conhecido como o Stonehenge espanhol —por causa da sua semelhança com o famoso monumento megalítico britânico —, mas na verdade, estima-se que seja mais antigo até do que o original. Durante mais de cinco décadas, um dólmen que pode ter até sete mil anos, em Espanha, esteve encoberto pelas águas do Rio Tejo, num reservatório artificial. Depois de um verão extremamente quente e seco, o monumento conhecido como Dólmen de Guadalperal foi literalmente trazido de volta a terra seca — e assim vai ficando, até as chuvas o submergirem.

Segundo o site “LiveScience“, tudo se deveu às temperaturas elevadas, que levaram o reservatório de Valdecañas, na zona de El Gordo, em Cáceres, a uma situação de níveis muitos baixos de água — e de margens secas como não havia há décadas.

Causadas pelo tempo seco, as alterações recentes na lagoa artificial, que fica a cerca de quatro horas de carro de Lisboa e de duas horas de Badajoz, podem ser vistas numa partilha feita na passada semana pela NASA, com as novas imagens tiradas do satélite Landsat 8.

Estas mostram as mudanças que um verão de valores recorde em muitos países da Europa levaram ao reservatório. 

Na prática, o Stonehenge espanhol consiste num enorme círculo de 144 pedras de granito em pé, com mais de 1,8 metros de altura, algumas das quais esculpidas. 

O círculo de pedras cria uma câmara central em forma de ovo, com cerca de cinco metros de diâmetro, com um corredor de acesso. Na entrada, há uma pedra esculpida com dois metros de altura. Esta tem marcações com uma figura humana de um lado e um símbolo ondulado do outro, que os arqueólogos acreditam representar o rio Tejo ou uma cobra.

O local foi submerso em 1963, durante o regime de Francisco Franco, quando a a construção de uma barragem criou um reservatório na área. Habitualmente, mesmo a pedra mais alta fica submersa, ainda que logo abaixo da superfície da água. Este verão, todo o monumento ficou visível. 

Segundo o “Unilad“, os arqueólogos especulam que a estrutura tenha sido construída no quarto ou quinto milénio antes de Cristo. Não há certezas sobre o objetivo, mas pensa-se que o monumento possa ter sustentado uma enorme tampa de pedra, criando um espaço fechado. Este poderia serivr para usos rituais, tumba ou até centro comercial.

Os romanos terão sido os primeiros a ver o local. Isto até Hugo Obermaier, um padre e arqueólogo alemão, o ter descoberto oficialmente em 1926. Algumas partes mais pequenas foram levadas para preservação, e estão ainda hoje expostas num museu em Munique; mas as pedras maiores ficaram, à espera de um monumento e de um área de preservação à sua altura, que nunca chegou.

Segundo vários meios espanhóis, o reaparecimento do dólmen levou a romarias de cidadãos das regiões mais próximas, muitos dos quais sempre tinham ouvido falar das pedras, sem nunca as ter visto.

Um grupo reuniu-se mesmo numa luta para preservar o local antes que as chuvas cheguem e lançou uma petição para que o monumento seja retirado do lago, alegando que as pedras vão acabar por se corroer e degradar com as águas, além de não poderem ser vistas e estudadas.

É pedido que todo o espaço seja movido para terrenos mais altos, mas há arqueólogos que dizem que a mudança poderia acelerar o desgaste, sobretudo se feita à pressa. Neste impasse, tudo indica que não há planos ativos para a mudança — pelo menos não até às chuvas deste ano.

 

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