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Turistas passam a ter que pagar para aceder às melhores vistas das Ilhas Faroé

À medida que o turismo aumenta, os proprietários das terras começam a restringir o acesso — e a exigir pagamento aos visitantes.
As vistas são realmente incríveis.

É um dos destinos mais remotos e, também por isso, mais belos da Europa. Se há uns anos, eram poucos os que por lá passavam, os últimos tempos têm revelado um aumento brutal no número de turistas. O turismo nas ilhas duplicou nos últimos oito anos, impulsionado por campanhas publicitárias que destacam as paisagens encantadoras.

O setor já representa cerca de 6 por cento do PIB do país, mas esta nova onda levou a que começassem a ser introduzidas várias taxas nos pontos turísticos mais concorridos, como é o caso do lago flutuante de Trælanipa e as áreas de nidificação de papagaios em Mykines.

Estas taxas, que chegam perto dos 30 euros, são justificadas pelos proprietários das terras como compensação pelos distúrbios causados à agricultura e à vida selvagem. No entanto, a prática tem suscitado questões sobre o direito de acesso público às terras.

Guðrið Højgaard, diretora do Visit Faroe Islands, enfatiza a importância de manter o controlo sobre o aumento do turismo e preservar a relação histórica com a terra e os animais. Uma relação que define precisamente a autenticidade das ilhas.

“A última coisa que pretendemos é que a população veja os turistas como um problema”, afirma ao “The Guardian”. Já Hogni Hoydal, ministro da indústria e do comércio, mostra-se relativamente crítico: “Não acho que as pessoas devam cobrar dinheiro a não ser que estejam a oferecer um serviço.”

A tensão entre turismo e agricultura é evidenciada pelo jornal britânico, que relata o caso de Jóhannus Kallsgarð, agricultor de Kalsoy, agora conhecida por ser a “ilha James Bond” devido às filmagens que ali decorreram para o filme “Sem Tempo Para Morrer”. Kallsgarð cobra uma taxa a quem queira aceder à sua propriedade e justifica-a com a necessidade de manter a segurança dos visitantes e, ao mesmo tempo, preservar a propriedade.

O governo tem sublinhado a necessidade de permitir o acesso público às terras, ainda que seja preciso equilibrar a vida agrícola e a responsabilidade ambiental.

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