Viagens

“Um pesadelo”: portugueses estão na República Dominicana há uma semana sem malas

Tiveram de comprar fatos de banho, roupa interior e escovas de dentes. Os dias foram passando e nem sinal da bagagem.
Ficaram sem nada.

Há um grupo de portugueses que está de férias na República Dominicana há quase uma semana e que não tem nada, a não ser a roupa que tinha no corpo no momento em que entraram no avião, na passada segunda-feira, dia 19 de julho. As malas nunca chegaram, não há explicações e os dias foram passando sem qualquer sinal da bagagem que, ao que tudo indica, não saiu de Lisboa.

Ao fim de mais de um ano de pandemia, restrições e confinamentos, já não podiam esperar mais para viajar. E tinham tudo pronto para embarcar a bordo de um voo da World2Fly, operado pela New Blue. Os fatos de banho, os protetores solares, as T-shirts e os vestidos. Estava tudo pronto, guardado na mala. O aeroporto de Lisboa ainda se estava a recompor da greve da Groundforce do passado fim de semana (dias 17 e 18 de julho), que obrigou ao cancelamento de cerca de 650 voos em todo o País. Mas nunca pensaram que as férias de sonho se podiam tornar um autêntico pesadelo. 

O processo de check-in em Lisboa foi mais complicado do que o habitual: com mais filas, mais gente e com atrasos na descolagem. No entanto, e apesar dos constrangimentos e demoras, tudo correu dentro de alguma normalidade. Check-in feito, lugares atribuídos, bilhetes distribuídos e malas despachadas para o porão do avião.

O pior ainda estava para vir. Já no aeroporto de Punta Cana, esperaram pelas suas malas junto aos tapetes rolantes. E esperaram. Esperaram mais um pouco até que os tapetes pararam de rolar. Das malas, nem sinal. 

“Quando o tapete parou, disseram-nos que as malas já estavam todas cá fora”, conta à NiT Andreia Serra, de 42 anos, uma das portuguesas que ficou sem mala. Tal como Andreia, pelo menos, mais meia dúzia de pessoas ficaram a saber naquele momento que iriam ter uns dias complicados pela frente. Fizeram uma reclamação ainda antes de sair do aeroporto rumo aos seus hotéis, sem malas.

“Tive de comprar um vestido, um biquíni e uns chinelos a preço de ouro no hotel. À noite visto a roupa que trazia no corpo durante a viagem”, relata Andreia quando lhe perguntamos como se tem organizado durante esta semana. A funcionária de uma loja de roupa conta que “tem sido assim todos os dias” e que teve “de andar a lavar a roupa interior” nas férias, que terminam esta segunda-feira, 26 de julho, dia em que regressa a Lisboa. Ainda sem malas.

Andreia queixa-se da falta de esclarecimentos e informação por parte da companhia e do operador ao longo da última semana. “Apoio não houve praticamente nenhum por parte do representante da New Blue”, conta, sublinhando que “tinha que andar sempre a questionar [o representante do operador] por WhatsApp e as resposta que me dava era que nunca sabia de nada”. 

A portuguesa explica à NiT que a maior parte da informação que vai recebendo vem dos outros portugueses que estão na mesma situação: “Ontem [sábado] um agente que vendeu a viagem a uma pessoa aqui do hotel do lado e que também ficou sem mala disse que as malas já não vinham, pois como nós voltamos já amanhã [segunda-feira], optaram por não enviar”.

Questionada sobre o impacto que a greve da Groundforce poderá ter tido na sua situação, a portuguesa diz que acredita que a paralisação poderá ter complicado a operação, mas que não explica tudo, até porque a “a greve foi da Groundforce, mas o handling do voo da World2Fly não foi feito pela Groundforce, mas sim pela Portway”, defende.

À NiT, Andreia diz que teve de comprar também alguns produtos de primeira necessidade, como escova e pasta de dentes, assim como protetor solar. No entanto, não comprou mais nada, já que não está disponível nas lojas do hotel. Quando falamos da mala que não chegou, diz que é dos vestidos novos que e da roupa interior que tinha escolhido para as férias que sente mais falta. “E também dos livros e produtos de higiene”, lamenta.

Apesar deste autêntico “pesadelo”, Andreia Serra diz que tem tentado aproveitar ao máximo os dias em Bayahibe. “Tenho que aproveitar alguma coisa”, explica a portuguesa que, pela primeira vez, não trouxe numa viagem uma muda de roupa na bagagem de mão, para precaver este tipo de situações. 

Quando chegar a Portugal, Andreia diz que vai tentar localizar a sua mala e apresentar as faturas de tudo o que teve de comprar durante esta semana. Mas confessa que sabe que terá mais uma longa batalha para travar durante os próximos dias.

A NiT entrou em contacto com a World2Fly e com a New Blue, a fim de obter algum tipo de explicações sobre este caso. Contudo, apesar das tentativas de contacto telefónico e por e-mail, não houve qualquer resposta da New Blue até à hora de publicação deste artigo. Já a World2Fly, contactada via Facebook, remeteu os comentários para uma data posterior.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT