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Uma das grutas mais antigas da Europa tem um rio subterrâneo e ursos nos arredores

Além de poderem conhecer o interior do espaço, os visitantes têm acesso a um parque de animais selvagens e outro de aventura.

Foi durante uma visita às Grutas de Han-sur-Lesse, em Rochefort, na Bélgica, que o barão Édouard de Spandl se apaixonou perdidamente pelo local. Nessa altura, no início do século XIX, decidiu comprar o território para dar a conhecer as belezas naturais da região a outras pessoas.

A compra foi oficializada em 1856, tendo marcado também a criação da primeira empresa de turismo do país. As obras arrancaram pouco tempo depois e, no ano seguinte, a atração já estava pronta para receber os primeiros turistas.

Ao longo de toda a sua vida, Édouard de Spand dedicou-se a torná-las numa atração acessível para todos. E não demorou muito até que a região começasse a chamar a atenção, até de algumas celebridades. Em 1862, por exemplo, Victor Hugo passou férias nos arredores (tendo visitado as grutas) e, sete anos mais tarde, a escritora Georges Sand deixou a sua marca numa das rochas da atração.

Hoje, as Grutas de Han, como são popularmente conhecidas, são consideradas uma das mais antigas da Europa e o que as torna tão especiais não é apenas o seu interior. Nos arredores, há um parque de vida selvagem (com ursos, linces, veados e vários animais) e diversas atividades relacionadas com o turismo de natureza.

Ao longo das décadas o complexo foi crescendo e uma das novidades mais recentes, por exemplo, é a Tree Experience. O circuito de aventura foi construído nas copas das árvores e conta com passadiços suspensos, tirolesas e desafios na floresta ao longo do rio Lesse. 

O interior das grutas.

Das grutas às aventuras na natureza

A história das grutas é milenar e todo o seu interior foi moldado ao longo dos séculos devido à erosão do rio Lesse. Os especialistas encontraram várias formações rochosas datadas do período Paleozóico (há mais de 250 milhões de anos). A ocupação humana, porém, só aconteceu mais tarde — os primeiros relatos são do Mesolítico, há cerca de 10.500 anos.

Quando começaram a ser descobertas, eram maioritariamente visitadas por cientistas e residentes de Rochefort. Só quando foram compradas e transformadas, em 1856, é que começaram a receber de turistas.

Numa das rochas, ainda hoje, é possível ler a passagem escrita por Georges Sand, durante uma visita da escritora francesa em 1862: “As Grutas de Han são uma árdua viagem de três horas pelo coração da montanha, contornando os precipícios que correm ao longo do subterrâneo Lesse, uma torrente abissal que ora está tranquila, ora em turbilhão, sempre envolta em obscuridade. A viagem termina num lago subterrâneo onde se embarca num barco antes de voltar a ver a luz do dia, como num conto de fadas.”

A romancista não é a única a descrever a visita às grutas como um conto de fadas. A atração estende-se por pelo menos 17 quilómetros, mas apenas dois podem ser visitados pelo público — e todos os visitantes ficam encantados com as formações que encontram no seu interior.

Os passeios guiados no interior das grutas podem durar até duras horas, caso opte pela travessia completa de dois quilómetros. Ao longo do percurso, os visitantes ficam a conhecer as impressionantes formações calcárias e, claro, o rio subterrâneo.

Um dos destaques das grutas é também o espetáculo de som e luzes “Origin”, considerado pelo espaço como o “espetáculo underground mais incrível do mundo.” A atração existe desde 2018 e está incluída nos preços dos bilhetes. 

Muitos visitantes aproveitam o resto do dia para visitar os parques de vida selvagem e o de aventuras. No primeiro, é possível ver os Big Five da Europa (bisontes, ursos-pardos, linces, lobos e carcajus) e outras espécies nativas como raposas-do-ártico, camurças, corujas-reais, marmotas e cavalos-de-Przewalski. Os animais vivem livremente em grandes habitats, distribuídos pelos 250 hectares do parque selvagem.

Depois de conhecerem algumas espécies nativas, as famílias podem aproveitar para se divertirem no parque de aventuras. Aí, encontram cinco percursos seguros pensados ​​para jovens e adultos, adequados a todos os níveis.

Além do arborismo, o espaço conta com uma parede de escalada e uma zona dedicada aos saltos em queda livre. Para tornar a experiência ainda mais especial, é possível dormir no glamping do espaço, com alojamentos em forma de tendas construídos no topo das árvores.

Há vários tipos de bilhetes disponíveis. Se quiser visitar as grutas e o parque selvagem, os preços são de 31,50€ para miúdos dos quatro aos 11 anos; e 41,50€ para adultos. O mais completo — que junta as grutas e os dois parques — ronda entre os 40€ e 50€, respetivamente.

Os visitantes podem também optar por visitar apenas uma das três atrações do complexo, a partir de 22€. Quanto às diárias no glamping, custam 199€ por adulto, 99€ para miúdos entre os quatro e 11 e 25€ para menores de quatro anos.

Como lá chegar

O aeroporto mais próximo, a cerca de 90 quilómetros do complexo, é o Charleroi Bruxelles-Sud. Nos próximos meses encontra voos desde 50€ a partir de Lisboa e a partir de 62€, se preferir sair do Porto. Quando lá chegar, a forma mais rápida é ir de carro.

Se estiver em Bruxelas, pode apanhar um comboio direto para a estação Rochefort-Jemelle, localizada a 10 quilómetros do complexo. Os bilhetes rondam os 11€ e 17€. 

Carregue na galeria para ver algumas fotografais do complexo. 

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