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Uros: as incríveis ilhas flutuantes construídas no lago mais alto do mundo

Foi um dos sítios que o viajante João Petersen mais gostou de conhecer quando fez um gap year pela América do Sul.
Chama-se Uros.

Quando João Petersen, também conhecido como “The Portuguese Traveler”, decidiu fazer um gap year para viajar pelo mundo sozinho, em 2018, ficou completamente apaixonado pelo Peru. Arquiteto de formação, confessa que ver as ruínas e todas as construções coloniais deste país da América do Sul foi um “verdadeiro sonho”.

“Fiquei encantado com as esculturas antigas e as cidades coloniais riquíssimas, que até me deram vontade de ser inca”, conta à NiT o lisboeta, de 33 anos. Confessa que adorou Arequita, conhecida como “a cidade branca dos vulcões, um oásis no deserto”; Cusco pelas “ruínas em todo o lado”; e Machu Picchu, claro, por ser um lugar “místico e inexplicável”. 

Ainda assim, visitou um sítio em particular que jamais irá esquecer — foi um dos pontos altos da viagem. Chama-se Uros e é um conjunto de 68 ilhas artificiais e flutuantes no Lago Titicaca, o maior da América do Sul em volume de água e o mais alto do mundo: está a 3.812 metros acima do nível do mar, entre duas cadeias de montanhas. 

“O povo construiu as ilhas flutuantes com totora, uma planta que cresce no próprio lago, que também é usada na construção de casas e barcos.”, explica à NiT. Uros acabou por ser a solução encontrada pelo povo, que, ao fugir dos trabalhos forçados e dos colonizadores, encontrou nas águas do lago o refúgio perfeito, há cerca de 3.000 anos, muito antes dos Incas. 

Tem 33 anos.

Diz-se que costumavam viver nas margens do Titicaca e, mais tarde, construíram estas ilhas artificiais devido às incertezas políticas daquele tempo e para evitar contacto com os inimigos — e nunca mais saíram de lá.

Agora, são uma das civilizações mais importantes da América do Sul. Os Uros vivem essencialmente da pesca e da caça de aves, e, mais recentemente, aproveitam o turismo para vender artesanato. Muitas famílias, inclusive, abrem as portas das suas casas para que os viajantes possam pernoitar por lá.

A base das ilhas é, portanto, um conjunto de camadas de totora sobrepostas que precisam ser trocadas a cada 15 anos. Já os telhados, não duram muito mais do que três meses. As plataformas flutuantes são depois ancoradas com cordas, para não ficarem à deriva no lago.

Apesar da maioria dos turistas rumem a Puno para visitar as ilhas no lago Titicaca, há outro atrativo na região, que não costuma estar incluído nas rotas turísticas — e que João também recomenda.

Na cidade de Sillustani, nas margens do Lago Umayo, encontra-se um cemitério pré-inca “diferente de tudo o que existe”. Os túmulos são construídos em estruturas denominadas por chulppas, criados pelos povos Qula, durante o império Inca, no século XV.

Um facto curioso sobre o povo que o habitava é que, antes da invasão inca, não enterravam os mortos. Num ritual que durava dias, os corpos eram preparados e colocados dentro das tais chullpas, umas torres funerárias feitas de pedra construídas no alto das colinas, sempre em posição fetal.

Isso acontecia porque o povo acreditava que os mortos seriam chamados pelo deus sol para renascer para uma nova vida. Hoje em dia, ainda é possível ver as cerca de 90 torres, algumas delas com 12 metros de altura e com diferentes formas, como circulares, quadrados ou retangulares.

As ilhas flutuantes de Uros e a cidade de Sillustani são apenas dois dos locais que vai poder conhecer numa viagem ao Peru, liderada por João Peterson, guia na agência levarTravel. Será uma jornada épica de 14 dias.

“A ideia é que o viajante experimente um pouco de toda a cultura. Tentei criar um roteiro diferente do comum, com sítios específicos que conheci quando viajei sozinho”, refere. O programa completo está disponível online. A viagem, que está marcada para 14 e 27 de setembro, tem o custo de 1.750€, com as refeições, alojamentos, transportes e entradas nas atividades mencionadas no itinerário incluídas. Os voos terão de ser pagos à parte.

João, o arquiteto que se tornou viajante full-time

Nascido em Lisboa, João Peterson é mestre em Arquitetura, uma área que o levou a vários cantos do mundo. Primeiro fez Erasmus em Graz, na Áustria, depois mudou-se para Istambul, na Turquia, durante um ano e meio, e foi para a Zurique, na Suíça, de 2015 e 2021. Durante estes anos sempre trabalhou na área da arquitetura, mas começou a ficar farto de passar o dia sentado numa cadeira.

“Na Suíça é muito comum as pessoas juntarem dinheiro e fazer um ano sábado, porque os próprios trabalhos permitem sair durante seis meses”, conta. Em 2018, já com “o bichinho das viagens”, decidiu aventurar-se sozinho pelo mundo. Aproveitou a oportunidade para criar o blogue “The Portuguese Traveler”, que funcionava como uma espécie de diário. 

João começou a viagem na Ásia, conhecendo países como Tailândia, Singapura, Indonésia e Filipinas, mas depois aventurou-se pela América. Passou os meses seguintes a explorar a Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e México, até regressar ao trabalho. 

Em 2021, tudo mudou. Não conseguia ignorar esta vontade enorme de viajar ainda mais pelo mundo e deixou a arquitetura (apesar de ainda fazer trabalhos ocasionalmente) para ser viajante full time. “Queria encontrar um destino pouco explorado e acabei por ir para o Equador, que tinha saltado na viagem de 2018. Fiquei lá durante um ano e agora voltei para Portugal”, revela. Agora, vai estrear-se como líder de viagens com a aventura ao Peru.

Carregue na galeria para ver alguns dos locais que poderá visitar na viagem ao Peru.

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