Viagens

As viagens e experiências inacreditáveis que só os ultra ricos podem fazer

Pinguins no quarto? Jantares com garrafas de vinho resgatadas de náufragos? Bem-vindos a um dia normal na vida dos milionários.
Só para quem pode.

Assim que a porta do quarto de hotel se abriu, perceberam que lá dentro estavam três pinguins verdadeiros. Do casal de namorados, só ele estava a par da surpresa. Ela, que adorava os animais, ficou radiante. Tudo isto aconteceu de forma improvável, graças a Michael Albanese e à Element Lifestyle, uma empresa que trabalha diariamente para tornar realidade os desejos mais mirabolantes de quem tem mais dinheiro para gastar do que tem com que se preocupar.

“Quando descobrimos que a namorada adorava pinguins, tivemos essa ideia. Será que conseguimos contratar um tratador de animais? Conseguimos que o hotel dê permissão? Começámos a fazer chamadas e a coisa montou-se de forma relativamente fácil”, revela Albanese à “CNN Travel”, ele que foi responsável por este empréstimo de pinguins ao jardim zoológico local.

Não há limites para as extravagâncias dos ultra-ricos — que por comparação, atiram os ricos para uma espécie de classe média remediada —, dispostos a pagar muitos milhares e milhões por umas férias únicas. Não são férias de sonho, porque para o serem, teríamos que as imaginar. As férias que eles fazem são aquelas que nem sequer pensamos serem possíveis.

E é neste contexto difícil que surgem as empresas de viagens e experiências de luxos, dispostas a tratar de tudo. Cada dia é um desafio, até porque normalmente as tarefas nunca são repetitivas. Organizam-se jantares privados com os melhores chefs do mundo, que podem custar mais de 300 mil euros; preparam-se noites ao relento em locais inexplorados, sob tendas de mais de 100 mil euros; e traçam-se itinerários de viagens com custos acima de um milhão de euros.

Experiências realmente únicas

Imagine o seguinte cenário: o chef Eric Ripert — do Le Bernadin em Nova Iorque, o 36.º restaurante na lista dos “The World’s Best Restaurants”, detentor de três estrelas Michelin — vai a sua casa preparar-lhe um menu de degustação de oito pratos; para escolher as bebidas, o escanção de outro três estrelas prepara um elenco que inclui um Madeira de 1834, resgatado de um barco naufragado.

“Nem sequer era uma data especial. A mulher do nosso cliente é que gostava mesmo muito do Eric Ripert, portanto este foi um jantar de sonho”, revela Albanese, que sublinha a dificuldade de concretizar alguns dos pedidos, até porque, por exemplo, este chef raramente faz jantares privados. “Requerem tempo, paciência e tenacidade”, nota. O preço deste luxo? 300 mil euros.

Isto sim, é um pairing em condições

“A palavra único é usada de forma muito liberal”, revela Tom Marchant, da Black Tomato, empresa que oferece um programa personalizado chamado Blink, através do qual os clientes podem desenhar a tenda perfeita. E quando dizemos perfeita, é mesmo a tenda com tudo que se possa imaginar: da transparência dos tetos à escolha dos mais luxuosos lençóis.

Os valores dependem, claro, dos pedidos e dos extras. Se por um lado já cobraram cerca de 100 mil euros por uma tenda de luxo nos confins montanhosos da Nova Zelândia, também houve quem tivesse que pagar quase 1,4 milhões de euros — com um twist à mistura.

Essa experiência levou os clientes até à sua tenda, montada Vale Sagrados dos Incas, no Peru. Pelo caminho, feito num comboio particular, puderam assistir a fogos de artifício feitos de propósito para abrilhantar a viagem.

“Levamo-los a dormir em locais do mundo que nunca acolheram uma cama, portanto são as primeiras pessoas a dormir naquele sítio. Aquele nascer ou pôr do sol visto da cama? Ninguém vai ter essa mesma experiência”, explica.

Outra viagem marcante foi criada para um dos clientes que pretendia dar a volta ao mundo e despachar de vez a sua bucket list. Mergulhou nas profundezas da costa islandesa, nadou com tubarões brancos na África do Sul, deu aulas de inglês nos bairros pobres da Índia e teve direito a uma visita fora de horas na Cidade Proibida em Pequim.

Num dos momentos mais relevantes da viagem, teve a possibilidade de viajar até Hiroshima, no Japão — e de conhecer um dos seus ídolos, um sobrevivente da bomba nuclear, cujo livro o inspirou e influenciou.

Viagens para quem pode

Há férias e férias. E depois há quem leve o seu próprio cineasta para criar o filme da sua viagem. Num destes casos especiais, a Black Tomato contratou um profissional que trabalhou em filmes como “Star Wars” e “Interstellar” para acompanhar uma família nas seis semanas de odisseia pelas ilhas indonésias. O preço? Acima de 600 mil dólares.

Já a Element Lifestyle conseguiu garantir a uma família norte-americana uma oportunidade de uma vida: uma visita privada à Capela Sistina, por uns acessíveis 75 mil euros. Não há nada que o dinheiro compre e quando ele é ilimitado, a imaginação é o único limite.

Foi esse orçamento ilimitado que a empresa de aluguer de iates de luxo Y.CO recebeu para desenhar umas férias. “Criem uma aventura muito para lá dos nossos sonhos mais loucos”, pediram os clientes.

Os meses de planeamento resultaram numa longa viagem de iate onde as crianças participaram numa aventura mágica onde receberam enigmas entregues por sereias. Do convés, os viajantes assistiram a perseguições encenadas ao longo das estradas à beira-mar e, para coroar a insanidade, uma festa temática dos ABBA — no telhado do museu da banda.

Sobre a imprevisibilidade que envolve criar e imaginar estas aventuras, Tom Marchant não tem dúvida: “Este trabalho, tal como o fazemos, tem algo de Willy Wonka”.

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