Viagens

“Voos para lado nenhum” são a nova moda deste insólito 2020

Um voo de sete horas da Qantas para lugar nenhum esgotou-se em 10 minutos. Mas não é o único.
Há quem já não aguente as saudades.

Pode parecer um embuste ou até uma piada, mas é mesmo verdade: existem voos para “lado nenhum”. Esta quinta-feira, 17 de setembro, foi revelado que um voo de sete horas da Qantas para lugar nenhum esgotou em 10 minutos. Não é caso único: parece ser apenas o início de uma nova e crescente tendência, nascida para apaziguar o desejo de viagens — os voos que saem e regressam ao mesmo lugar, sem nunca parar.

À partida não faz sentido: por mais que até se goste de todo o ambiente de aviões, da comida e dos filmes projetados nos bancos da frente, a regra de “a viagem ser um destino em si mesmo” não foi propriamente criada para as longas estadias num espaço fechado, a milhares de metros de altitude.

Até agora. Neste ano de 2020 em que tudo mudou, na ânsia de viajar impedida pelas limitações e questões de segurança, muitos começaram a deixar de ver os voos simplesmente como um método de ir de um ponto a outro o mais rápido possível.

Segundo a “CNN“, depois de meses a tentar contornar as restrições globais, algumas companhias viram a solução: voos para lugar nenhum, ou viagens aéreas que acontecem exclusivamente com o propósito da viagem, não com o do destino.

O mais incrível é que os viajantes aderiram em massa a esta moda do viver a viagem como a própria experiência de voo, da emoção da descolagem às vistas incomparáveis ​​da janela da cabine. A tendência tem vindo a crescer e diz o “Washington Post ” que estes voos já ocorreram em Taiwan e no Japão, estando também previstos na companhia aérea nacional de Singapura.

A última e mais mediática adição à lista é um voo de sete horas da australiana Qantas, que sairá de Sydney a 10 de outubro e voltará no mesmo dia, sem paragens ao longo do caminho, cumprindo assim todas as restrições de viagens internacionais.

Provando quão populares são agora estes voos, a viagem da Qantas esgotou em apenas 10 minutos, de acordo com a companhia aérea, com passageiros ansiosos para simplesmente partir, um momento em que a Austrália parou quase todos os voos extra-fronteiras.

Neste caso, na verdade, não é só a viagem que alicia: os passageiros vão sobrevoar a Grande Barreira de Corais, o monólito Uluru e o Outback australiano, nas mais baixas altitudes possíveis. No entanto, tendo em conta o valor elevado dos bilhetes (sobretudo com o facto de ser um voo para lado nenhum) o sucesso foi inesperado. 

É que os passageiros pagaram entre 700 a dois mil euros por estas sete horas no ar, e mesmo assim os 134 lugares desapareceram nos tais dez minutos, o que já faz antecipar novas partidas. “Se a procura estiver lá, definitivamente procuraremos fazer mais destes voos panorâmicos enquanto todos esperamos a abertura das fronteiras”, disse a porta-voz da Qantas.

Até porque este foi “provavelmente o voo de venda mais rápida da história da Qantas”, adiantou o CEO da companhia num comunicado. “As pessoas claramente sentem falta das viagens e da experiência”, explicou.

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