Europa

O extravagante hotel nos Alpes onde foi gravado o novo filme com Joaquim de Almeida

A produção “O Hotel Palace” foi filmada na primeira unidade hoteleira de luxo que abriu na vila suíça.
A vista é espetacular.

Um hotel emblemático situado nos Alpes suíços prepara-se para a Passagem de Ano de 2000, com os habituais hóspedes ricos, excêntricos e mimados. É a partir desta premissa que se desenrola toda a história do novo filme do cineasta Roman Polanski, “O Hotel Palace”, com o português Joaquim de Almeida no elenco.

A produção, onde não faltam manias e vícios, chegou aos cinemas portugueses na passada quinta-feira, 4 de abril, e não é só o elenco de luxo (Oliver Masucci e Luca Barbareschi são alguns dos nomes) que tem chamado a atenção. O extravagante local onde o filme foi gravado não passou despercebido. 

Assim como a própria produção, a unidade hoteleira que surge na obra do cineasta franco-polaco chama-se Palace e faz parte da paisagem da vila de Gstaad, na Suíça, desde 1913. 

“Filmámos fora de época porque gravámos mesmo no hotel. O Polanski tem lá uma casa. O Dr. Lima, a minha personagem, é inspirado no Ivo Pitanguy, que também tinha lá uma casa. É uma sátira àquela vida de multimilionários que vivem naquela hotel e na estância de esqui. Decorre na passagem do milénio, em 1999, e já se começa a ver a influência dos russos com muito dinheiro na Europa, na época do Putin. É uma crítica a todo esse movimento”, contou à NiT o ator português antes da estreia do filme.

Desde a sua abertura, há mais de 110 anos, que o Gstaad Palace se tornou o destino de neve dos famosos e milionários, tal como é retratado na produção. O grande culpado foi Robert Steffen, um visionário professor do secundário na vila suíça que seguiu atrás do seu sonho e abriu a primeira unidade de luxo na localidade.

Mais do que a abertura do empreendimento, Steffen foi um dos grandes impulsionadores do turismo nesta região: montou a primeira pista de gelo, organizou o primeiro torneio de ténis nos arredores do palácio, bem como a primeira corrida de esqui na vila.

Pouco depois da inauguração, eclodiu a Primeira Guerra Mundial, que fez com que passasse despercebido durante esse período. Voltou a ser prejudicado durante a Grande Depressão e, já na Segunda Guerra Mundial, um dos cofres da adega foi utilizado para guardar dinheiro e outros valores detidos pelo Swiss Bank Corporation. Atualmente, o local funciona como restaurante de fondue. 

As dificuldades financeiras levaram o proprietário a vendê-lo em 1947, ano em que passou para as mãos da família Scherz, que gere outros tantos projetos hoteleiros pelo mundo, e assim continua. Em 2000, o cantor Michael Jackson ainda tentou comprá-lo, mas o pedido foi recusado.

O empreendimento com 104 quartos, dos quais 25 são suites com um rooftop no topo da torre principal, continua a ser um destino de férias de renome mundial, mas não é para a carteira de todos. Uma noite pode facilmente ultrapassar os mil euros, especialmente na temporada de inverno. 

Uma das unidades de alojamento mais requisitadas é a Suite Penthouse, com 239 metros quadrados de área, três quartos com casa de banho, sauna privativa, lareira e um terraço com jacuzzi. As vistas panorâmicas sobre as montanhas suíças são também o grande destaque de cada uma das unidades de alojamento.

Já no que diz respeito às experiências gastronómicas, os hóspedes têm quatro restaurantes à disposição: do gourmet Le Grill até La Fromagerie, situado no antigo cofre e onde poderá provar fondue de trufas. O pequeno-almoço é servido todas as manhãs no Le Grand e no coração do palácio fica o espaçoso bar do lobby.

O Palace Spa, com 1.800 metros quadrados, é descrito como “um oásis de relaxamento” com piscina infinita e exterior, sauna, lounge e salas de massagem. Mesmo com mais de 100 anos de história, tudo continua em perfeitas condições, graças às constantes renovações. 

Em 2022, por exemplo, investiram essencialmente no bem-estar, com o aumento do jacuzzi exterior, que duplicou de tamanho. A antiga sala do casino (onde os hóspedes jogavam às cartas e apostavam em corridas de cavalos) é agora um espaço para receber conferências ou eventos.

Localizada a 1.050 metros acima do nível do mar, Gstaad é a mais exclusiva estância de esqui da Suíça. Apesar dos visitantes e residentes ilustres, sempre manteve um perfil relativamente discreto e conseguiu preservar o seu “encanto de Velho Mundo”.

Com uma população de cerca de três mil habitantes, a localidade destaca-se pelo conjunto de pequenos chalés de madeira ao longo da rua principal. A única exceção aos edifícios modestos é mesmo o hotel. As lojas do centro da vila acolhem marcas de luxo como a Louis Vuitton, Hermès, Chopard, Praga, Ralph Lauren ou Cartier.

Como lá chegar

Para ficar hospedado no incrível palácio, pode voar para os aeroportos de Genebra ou Zurique. Se escolher a última opção, encontra bilhetes de ida e volta desde 59€. A partir de Zurique, pode apanhar um comboio direto para a vila — a viagem demora entre três a quatro horas.

Carregue na galeria para ver mais imagens do luxuoso hotel Gstaad Palace.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT