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A aldeia ecológica em Trás-os-Montes que é um “santuário de natureza selvagem”

A norte-americana Holly Niemela está por trás do projeto que nasceu numa serra em Vila Pouca de Aguiar, junto ao rio Tinhela.
É um lugar único.

Sempre que Holly Niemela se recorda da infância, só tem coisas boas a dizer. Filha de pai finlândes, cresceu em New Hampshire, nos EUA, e passava os dias a passear ao ar livre, no meio da natureza selvagem, dos campos, florestas e riachos — e adorava.

“A cultura finlandesa é muito orientada para a natureza e era comum irmos à pesca ou à caça. Tenho um amor gigante pela natureza, pelo ar livre. Foi assim que cresci e tive uma infância muito boa”, começa por contar à NiT a norte-americana de 62 anos. Essas experiências de miúda, juntamente com os rituais familiares finlandeses, fizeram com que nascesse em si um profundo sentimento de ligação com a natureza. 

Foi precisamente essa paixão que fez com que dedicasse toda a sua vida à área do bem-estar. Começou a aprender mais sobre a conexão entre a mente e o corpo nos anos 80, em Santa Fé, no Novo México, e viajou pelo mundo nos 20 anos seguintes, passando pela Índia e países europeus, sempre com a ambição de conhecer cada vez mais sobre o universo holístico.

Ensinada pelos grandes especialistas da área de ioga, meditação e desenvolvimento pessoal, Holly é professora de ioga e mestre de Reiki há 35 anos. Acabou por assentar em França, com o marido Eduardo Payen, mas há muito que tinha vontade de embarcar num projeto ligeiramente diferente.

“Andávamos a procurar um terreno para comprar, mas tinha de ser mesmo uma natureza intocada. Vimos espaços na Europa do Leste, em Espanha e até no Sri Lanka, mas só encontrei o lugar perfeito em Portugal, através de um anúncio na Internet”, recorda.

Portugal não era um destino estranho para a norte-americana, que já tinha visitado o país no início dos anos 90. Começou por conhecer Sintra, mas apaixonou-se ainda mais pelo Norte, onde acabaria por comprar, em 2015, o terreno que deu origem ao Tinhela 610, “um santuário de retiro na natureza”, situado entre a beleza selvagem da região de Trás-os-Montes.

Com o sonho de construir um empreendimento turístico focado na sustentabilidade e longe da confusão da cidade, o casal estrangeiro investiu cerca de um milhão de euros para fazer nascer uma pequena aldeia ecológica à beira-rio em Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real. “Não há pessoas, não há barulhos nem poluição luminosa”, refere sobre o local.

O projeto começou a ser construído em 2017, mas o sonho só se tornaria realidade em setembro de 2023, quando abriram em soft opening. Agora, no próximo dia 27 de abril, preparam-se para inaugurar oficialmente o Tinhela 610. Mais do que um alojamento, trata-se de um refúgio de bem-estar onde reina a tranquilidade.

“Queríamos ter um projeto onde as pessoas pudessem vir e entender verdadeiramente como é viver na natureza, num lugar tão selvagem como este”, sublinha Holly. Junto ao rio Tinhela, que dá nome ao alojamento, surgiram então sete cabanas de madeira camufladas entre os troncos das árvores e foram recuperados dois moinhos da época romana que se fundem perfeitamente na paisagem.

O projeto foi desenhado pelo arquiteto Luís Rebelo de Andrade, que encontraram, por mero acaso, quando estavam a passar uns dias no Pedras Salgadas Spa & Nature Park, também em Vila Pouca de Aguiar. “Já o conhecíamos porque ele tinha projetado as casas-cobra do parque. Durante a estadia literalmente deparámo-nos com ele e dissemos que precisávamos de um arquiteto para o nosso projeto. Nesse mesmo dia entrou no carro connosco e fomos até lá. Assim que viu o espaço e as nossas ideias, disse logo que era incrível”, recorda.

Além dos quartos nas cabanas de madeira, Luís Rebelo de Andrade desenhou um banho de inspiração japonesa, uma plataforma de ioga ao ar livre, uma sauna finlandesa e uma sala de jantar. A experiência começa logo quando os hóspedes têm que percorrer um passadiço de madeira com cerca de 250 metros para chegar a esta pequena aldeia ecológica. A pergunta que fazem quando se deparam com o Tinhela 610 é sempre a mesma: “Como é que conseguiram construir isto?”

Com capacidade para 14 hóspedes, o alojamento alberga também um centro de retiros, geralmente com a duração de cinco dias. Desde antigas técnicas de meditação até experiências sensoriais imersivas para despertar os sentidos adormecidos, como a sauna, o banho de água fria, sono profundo, há toda uma série de atividades que pode experimentar.

Holly transformou um dos antigos moinhos numa sala de estar, onde os hóspedes podem ler e relaxar, e o outro numa zona de receção. A alimentação também é muito importante neste refúgio, pelo que servem produtos da terra sempre que possível, como os ovos das galinhas e os vegetais da horta. O brunch e o jantar geralmente são momentos de convívio à volta da generosa mesa de jantar ou servidos no exterior, quando o tempo assim o permite.

O Tinhela 610 funciona então com opção de Bed & Breakfast, com preços a rondar os 395€ para duas pessoas (duas noites), com pequeno-almoço incluído, bem como uma aula de ioga e uma sessão de meditação guiada.

Depois, existe ainda a opção dos retiros dedicados ao bem-estar emocional. Durante cinco noites, pode viver uma “experiência fora do comum” e aprender mais sobre ioga, fitoterapia, naturopatia, ayurveda, artes marciais, astrologia, astronomia e muito mais. Os preços variam entre os 100€ e os 300€ por noite. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor este refúgio no meio da natureza selvagem.

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