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Blue House: o incrível alojamento “camuflado” numa das baías mais bonitas dos Açores

A cor confunde-se com a do oceano e é um exemplo de inovação ecológica e sustentabilidade na ilha de São Miguel.
A vista é única.

Corria o ano de 2008 quando os caminhos da açoriana Carolina Augusta e do norte-americano Jeremy Backlar cruzaram-se. Ambos arquitectos de formação, conheceram-se num atelier de arquitectura em Paris, sem saber que o futuro lhes reservava tantos outros trabalhos pelo mundo.

Juntos, foram enviados para Nova Iorque com uma equipa de cinco pessoas para desenvolver outros projetos na área. Pelo meio, Carolina candidatou-se a uma bolsa para aprofundar um dos seus maiores interesses: as casas pré-fabricadas, com um enorme compromisso com a sustentabilidade.

“Nessa altura fui para Los Angeles e depois disso ainda fomos os dois para Londres, para aprender todos os detalhes mais minuciosos do que é comandar um projeto do início ao fim”, começa por contar à NiT a açoriana de 41 anos. 

Depois de tantas voltas ao mundo, o casal mudou-se definitivamente para a ilha de São Miguel, nos Açores, há cerca de 12 anos, com uma “enorme vontade de aplicar os conhecimentos em Portugal”.

Em 2012, fundaram o atelier Backlar, mas sentiram sempre uma certa resistência por parte do cliente com este conceito de arquitetura mais sustentável. “Regressámos com a consciência clara do que queríamos fazer. Os sistemas de construção atuais são um dos principais responsáveis pela elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera”, explica.

Com vontade de agir e de mudar o mundo — ou pelo menos tentar — decidiram “partir à aventura” e criar um projeto de turismo que fosse um exemplo de inovação ecológica. Juntaram-se à Welcome Buddy — uma empresa de gestão de alojamentos fundada em 2021, com a missão de conseguir tornar o turismo mais sustentável na ilha — e fizeram nascer a Blue House.

Mais do que uma simples casa turística, “é um retiro deslumbrante situado ao longo da pitoresca baía de Capelas”. “Era aqui que os barcos regressaram do mar com as baleias, quando ainda existia caça na ilha. Existe muita história neste local”, revela Carolina.

No topo dessa baía que encontraram as ruínas de uma casa que pedia para ser salva — e Carolina e Jeremy responderam. O design e a cor, que combina perfeitamente com o azul do mar, chamam desde logo a atenção, mas a construção do alojamento esconde um segredo que não está à vista de todos.

A parte exterior da casa foi meticulosamente construída com plásticos recolhidos e reciclados do oceano, contribuindo assim para a preservação do ambiente marinho. “Só foi possível com a ajuda da Extruplas, uma empresa de fornecimento do plástico reciclado com intenção de reduzir a pegada carbónica”, diz.

O conceito sustentável também é aplicado no interior do alojamento, que entrou no mercado em janeiro deste ano. Com uma construção neutra em termos de carbono, a Blue House está muito ligada a dois aspetos principais: funcionalidade e conforto. 

“É um espaço muito minimalista em termos de decoração, até porque evitamos ter objetos extra. Damos sempre prioridade às matéria-primas locais”, admite. Além disso, destaca-se por ter uma ventilação natural e por ter um controlo de temperatura ambiente eficiente, sem ser necessário equipamentos mecânicos. 

“É uma casa simples, prática, confortável e com muita luz natural”, que funciona como um diálogo “entre a arquitetura contemporânea e a tradicional açoriana”, diz. Situada num sítio paradisíaco mesmo à frente do mar, o alojamento tem 160 metros quadrados de área e é composto por três quartos, cada um com pormenores artesanais em madeira de origem local.

“Tentámos que a casa contasse um pouco a história da baía e colocámos alguns objetos que faziam parte das embarcações, assim como livros sobre a história”, destaca. Com vistas deslumbrantes, a partir da suite principal, da sala de estar e dos terraços, oferece “uma fuga serena à azáfama da vida quotidiana”. 

Já no exterior, encontra um jardim encantador rodeado por vegetação, o cenário perfeito para relaxamento e tranquilidade. A poucos minutos a pé, os hóspedes podem aceder aos trilhos costeiros para caminhadas e ao porto natural para nadar na baía.

O projeto foi subsidiado pela DREC — Direção Regional de Empreendedorismo e Competitividade, que procura investir em soluções de caráter sustentável e de valorização do arquipélago. Com capacidade para acomodar seis hóspedes, os valores da estadia na Blue House rondam os 400 e os 750€ por noite, dependendo da época. As reservas podem ser feitas online.

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