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Esta lagoa dos Açores parece um cenário do “Parque Jurássico” (mas desta vez real)

A Lagoa das Patas é um verdadeiro fenómeno natural que se mantém selvagem e longe da civilização. É um verdadeiro sonho.
Quase que parece a “Ilha Nublar”.

Podia muito bem ser a icónica, mas fictícia Ilha Nublar, do filme “Parque Jurássico”. Pelo menos é assim que muitos açorianos descrevem esta zona do arquipélago — e que se tem conseguido manter mais ou menos escondida dos turistas na Ilha das Flores. 

O Poço da Ribeira do Ferreiro — também conhecido como Poço da Alagoinha, ou ainda, Lagoa das Patas — fica na freguesia da Fajã Grande. É certamente uma paragem obrigatória na ilha, até porque é difícil descrever a imponência deste cenário, com uma falésia de onde caem em simultâneo as águas das várias cascatas. 

A vegetação intensa que complementa a panorâmica só poderia integrar a Zona da Reserva Florestal do Morro Alto — destinada à proteção ambiental e preservação permanente. Por sua vez, esta encontra-se na Reserva da Biosfera da Ilha das Flores, nomeada pela UNESCO e que compreende toda a área emersa da ilha e uma zona marinha adjacente, cobrindo uma área total de 58619 hectares, “Mantém no seu interior valores paisagísticos, geológicos, ambientais e culturais únicos a nível regional, nacional e internacional”, como se lê no site.

Acredita-se que o nome Lagoa das Patas tenha surgido devido à grande quantidade de patos-bravos que utilizavam a área como habitat principal. Mas é toda a fauna e flora daquele que é o ponto mais ocidental da Europa que o torna numa das ilhas mais bonitas e ricas de todo o arquipélago. 

Poderá ser difícil encontrar os dinossauros do famoso filme realizado por Steven Spielberg, mas não custa tentar. Nesse caso, prepare-se para caminhar, pois o poço não tem acessibilidade para carros. Para lá chegar, terá de percorrer cerca de 700 metros de trilho pedestre, durante cerca de 10 a 15 minutos. Este percurso tem início perto da ponte sobre a Ribeira do Ferreiro.

Apesar de a subida ser ligeiramente íngreme, o destino compensa o esforço. A sensação de caminhar por uma vegetação tão densa e rica é gratificante. Além disso, se fizer a visita durante a tarde, o sol estará de frente para a cascata, o que faz com que a iluminação apresente uma espécie de tons verdes sensacionais. 

Se mantiver o espírito positivo, pode ainda percorrer o resto do percurso, integrado no trilho PR2FLO, com cerca de 13 quilómetros. O trajeto começa no Igreja do Lajedo e termina na Fajã Grande. Tem uma duração média de 3h30, ideal para os fãs de caminhadas — sobretudo, por causa das paisagens inesquecíveis. No entanto, como a vegetação é tão densa, a humidade predomina, fazendo com que o solo se torne escorregadio, por vezes. 

Caso esteja embalado pela atmosfera da localidade, pode ainda explorar outra cascata, com 90 metros de altura, que também forma uma lagoa. Neste caso, trata-se do Poço do Bacalhau, próximo da Fajã.

“É a ilha da água com lagoas, cascatas e ribeiras. Tem também um relevo muito acidentado. Estas características propiciam uma paisagem única”, afirma José Eduardo, diretor do Parque Natural da Ilha das Flores.

Existe ainda a possibilidade de passar a noite num dos vários estabelecimentos sustentáveis da região. A Aldeia da Cuada, por exemplo, é um turismo rural que foi abandonado por volta dos anos 60, devido aos elevados níveis de emigração para a América. Porém, a localidade foi restaurada graças a Teutónia e Carlos Silva, o casal que procurou manter preservada a cultura e arquitetura típica da região, bastante demarcada pela atividade agrícola e pela pedra da ilha. A melhor parte é que fica apenas a 25 minutos de passeio a pé de Cascata do Poço do Bacalhau e 30 minutos da Lagoa dos Patos.

Carregue na galeria para ver algumas das imagens mais espetaculares do Poço da Ribeira do Ferreiro.

 

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