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O glamping a dois passos do Gerês onde pode dormir em yurts

Depois de viver em França toda a vida, Vítor regressou às origens para abrir um parque de campismo único em Montalegre.
Uma experiência diferente.

Filho de pais portugueses emigrantes, Vítor Afonso nasceu e viveu toda a sua vida em França, mas sempre teve uma ligação especial a Portugal. Os verões eram passados na aldeia de Fiães do Rio, em Montalegre, onde viviam os avós. Era um mundo completamente diferente daquele a que estava habituado.

Ainda hoje se recorda dos dias em que passava as tardes com os amigos agricultores da região e andava com as vacas no monte. Saía de manhã e só voltava à noite. “Sempre adorei a região e tinha aqui muitos amigos. Íamos juntos mergulhar na barragem ou no rio e passávamos um verão fantástico”, começa por contar à NiT o enfermeiro e engenheiro do ambiente de 49 anos.

Apesar de ter vivido grande parte da sua vida em França, sempre teve o sonho de, um dia, poder mudar-se definitivamente para a aldeia e regressar às origens barrosãs. Teve a sorte de se casar com Marie Marchand, uma francesa que ficou apaixonada pela região assim que a conheceu.

Atraídos pelo desejo de viver uma vida mais sã e próxima da natureza, começaram a estudar uma solução para conseguirem vir para Portugal. “Sempre quis ter um projeto aqui na região e surgiu a ideia de criar um glamping, apesar de nenhum de nós ter experiência na área”, diz.

Antes de se instalarem definitivamente neste pequeno canto do paraíso, Vítor e Marie viajavam bastante pelo mundo. Já tinham, inclusive, experienciado dormir em yurts da Mongólia numa zona remota de França  — e adoraram. Foi com base nessa experiência que decidiram trazer o conceito para Montalegre.

“Queríamos um projeto que nos estimulasse e motivasse, mas que também estivesse em coerência com os nossos ideais relacionados com o ambiente e a sustentabilidade”, confessa. Foi no terreno onde costumava pastar as vacas com a avó que nasceu, em julho de 2014, a Nomad Planet, um parque de campismo com um conceito de glamping, mesmo à entrada do Parque Nacional Peneda-Gerês.

Apesar dos mil metros quadrados de área, a intenção sempre foi criar algo mais intimista, com pouca (mas boa) oferta. Abriram o alojamento com apenas quatro yurts. “Fomos nós que montámos e construímos tudo, com a ajuda de um empreiteiro local”, adianta. 

Os yurts procuram replicar as tendas típicas dos povos nómadas mongóis, com a sua forma redonda que chama a atenção só de olhar para as fotografias. São resistentes, ecológicos e de tamanho familiar, com uma assoalhada única e espaçosa organizada à volta do fogão da sala.

É, segundo o responsável, “uma experiência única e atípica numa natureza autêntica”, com vista panorâmica sobre o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Com uma superfície de 30 metros quadrados, cada um destes yurts pode acolher até quatro hóspedes. 

Ao lado destes alojamentos com formato redondo instalaram ainda uma tenda tipi tradicional dos índios da América do Norte. Este espaço dispõe de uma cozinha e de uma área para os hóspedes fazerem as suas refeições. As casas de banho, por sua vez, estão situadas numa cabana de madeira perto dos alojamentos.

Dois anos após a inauguração do Nomad Planet, o casal decidiu acrescentar mais uma unidade ao parque: uma casa na árvore batizada de Toca do Lobo. “Queríamos ter uma oferta diferente e eu sempre tive o sonho, em miúdo, de dormir numa casa da árvore”, confessa.

Com capacidade para acolher até quatro pessoas, esta cabana de madeira entre as árvores tem uma decoração dedicada ao lobo, o animal emblemático com uma grande presença na região. Dali, a vista alcança a serra do Gerês toda, desde os famosos cornos de Fonte Fria (Pitões das Júnias) até ao pico da Nevosa, ponto mais alto do norte de Portugal e as minas dos carris.

Após a abertura da Toca do Lobo, optaram por não construir, para já, mais nenhuma cabana.“Efetivamente temos espaço para adicionar mais alojamentos, mas o objetivo é mesmo conservar e salvaguardar a privacidade. Então decidimos guardar um certo distanciamento para as pessoas estarem à vontade”, adianta.

Para ter a experiência única de dormir em yurts típicos da Mongólia, os preços rondam os 55€ por noite. Os valores baixos, revela Vítor, são uma forma de “incentivar as pessoas a conhecer esta região cheia de riqueza natural”. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor este parque de campismo único em Portugal.

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