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A viagem de uma vida que o leva até à “oitava maravilha do mundo”

Lisa Vaz, guia da Pápa-Léguas, vai liderar pela primeira vez um grupo até ao Paquistão, para descobrir os segredos mais belos da região.
É um lugar único.

Quando Lisa Vaz visitou o Paquistão pela primeira vez, em 2018, ficou encantada com o país. Sempre adorou ouvir as histórias do grande explorador italiano Marco Polo e era fascinada pela Rota da Seda, o conjunto de caminhos que permitiram as trocas comerciais entre o ocidente e o oriente durante vários séculos.

Na altura, aventurou-se no destino com uma agência local, sem imaginar que um dia seria a própria a liderar um grupo de viajantes a esta “Terra dos Puros”, com uma grande diversidade cultural e paisagens de cortar a respiração. A guia do Pápa-Léguas prepara-se para acompanhar, pela primeira vez, 12 viajantes ao país asiático entre os dias 1 e 16 de outubro.

É a primeira vez que a agência de viagens, fundada em 1998, oferece a oportunidade de desbravar este destino “menos óbvio, mas com tanto para oferecer”. Afinal, tem 108 montanhas acima dos sete mil metros e cidades históricas que nunca mais acabam — e muitas delas fazem parte do itinerário.

“Sempre tive um fascínio por toda esta área geográfica. Tudo aquilo que lia dava-me uma curiosidade imensa em conhecer o Paquistão”, começa por contar à NiT a lisboeta formada em Direito, que diz ser “viajante pela curiosidade que tem do mundo”.

A primeira visita que fez ao país “ultrapassou todas as expectativas”. Desde as montanhas, que são “absolutamente incríveis”, aos lagos cristalinos da cordilheira Hindu Kush e às vibrantes cidades. “Não estava à espera que fosse tão avassalador, principalmente o Vale do Hunza. Parecia um mundo completamente à parte, quase extraterrestre”, revela. É no quinto dia da aventura que os viajantes terão a oportunidade de conhecer esta remota área montanhosa no norte do Paquistão.

O ponto mais alto do vale situa-se a 2.438 metros e está rodeado por vários picos acima dos sete mil metros. Os habitantes da região, os povos Burusho e Wakhi, são predominantemente muçulmanos ismaelitas e a sua longevidade é mítica, que se diz resultar do seu estilo de vida e alimentação saudáveis.

Os moradores deste pequeno reino incomum, apelidado de Jardim do Éden, ganharam fama por serem um povo feliz, simpático e ativo, em que muitas pessoas vivem tranquilamente com mais de 110 anos de idade. O local foi apelidado de Shangri-la pelo romancista britânico James Hilton, um termo que, no mundo ocidental, é entendido como um paraíso terrestre oculto, um lugar tão utópico que nem parece real.

Hunza esteve praticamente isolada do mundo até ao século XX devido à sua localização remota. A região tem, por isso mesmo, línguas, músicas e culturas próprias, diferentes de qualquer outro lugar do mundo. 

Desde o final dos anos 70, contudo, esta área remota abriu-se ao turismo graças à mítica KKH (Karakoram Highway), a estrada conhecida por ser a “oitava maravilha do mundo”. É a principal via de comunicação terrestre desta região montanhosa, inaugurada oficialmente em 1978, após quase 20 anos de construção por mais de 24 mil trabalhadores paquistaneses e chineses.

Com 1.300 quilómetros, estende-se da pequena cidade de Hasan Abdal, perto da capital do Paquistão, até Kashgar, na região autónoma de Xinjiang, na China, passando ainda por Khunjerab, a passagem de fronteira pavimentada mais alta do mundo, com cerca de 4.700 metros. A KKH segue uma das rotas da seda, visível da autoestrada na encosta montanhosa, e foi responsável por reforçar as relações comerciais entre os dois países, tornando esta região mais acessível.

O maior destaque, contudo, é mesmo o troço de 194 quilómetros que atravessa o Vale do Hunza, percorrendo cascatas impressionantes, lagos cristalinos e picos cobertos de neve (dependendo da época). Os Passu Cones, formações rochosas em forma de cone, a ponte suspensa Hussaini sobre o rio, feita de cordas e com 64 metros de comprimentos, o Lago Attabad, com as suas águas turquesas e o Hopper Valley,uma aldeia tranquila rodeada pelas montanhas do Karakoram são alguns dos destaques (só) deste dia de viagem — mas 24 horas não são suficientes para conhecer este local remoto.

“Vamos passar três dias ali porque vale realmente a pena, há muito para ver e é uma tranquilidade incrível”, adianta. Os dois dias seguintes serão passados nas regiões Central Hunza e Lower Hunza, com cenários igualmente paradisíacos. 

Os viajantes terão oportunidade de conhecer os Ganish Khun, um dos povoados mais antigos da região, com cerca de mil anos, e o miradouro Eagle’s Nest, a 2.850 metros de altitude, que oferece uma vista panorâmica sobre o vale e os 11 picos montanhosos.

Após a imersão nas fabulosas montanhas do norte, o grupo segue viagem para conhecer algumas cidades do país, como Chitral, Peshawar, considerada uma das cidades mais antigas do sul da Ásia, e Islamabad.

“Terminamos com chave de ouro em Lahore, com uma população de 13 milhões de habitantes e obras arquitetónicas incríveis”, destaca Lisa. A viagem de 16 dias ao Paquistão acontece entre os dias 1 e 16 de outubro e custa 2.280€ por pessoa, sem os voos incluídos. Todas as informações estão disponíveis online.

Lisa Vaz, natural de Lisboa, é licenciada em direito, mas fez uma carreira longa na área da banca até decidir “mudar de vida”, em 2017. “Não queria continuar com esta vida de estar sempre sentada ao computador. Queria fazer mais, foi quase uma rejeição física”, confessa.

A vontade de mudar coincidiu precisamente com a altura em que a Pápa-Léguas, agência com quem já tinha viajado algumas vezes, lhe ligou para a fazer uma proposta. “Já tinha manifestado o interesse antes, mas foi mesmo o momento certo. Acho que foi o destino, os astros a darem-me uma oportunidade de fazer uma coisa que adoro, que é viajar”, sublinha.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos locais que vai conhecer nesta viagem ao Paquistão.

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