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Esqueça as ondas. O que está na moda é surfar um vulcão na Nicarágua

O desporto radical tornou-se popular por volta de 2006. Todos querem experimentar descer as encostas numa prancha.
É uma experiência única.

Aqui não existem ondas gigantes nem há sequer hipóteses de ser atacado por um tubarão — o que não significa que não haja perigos à espreita. O mar fica a quilómetros de distância, mas nem isso impede a prática de surf. Pelo menos, é esse o nome que dão à atividade que está a atrair milhares de turistas para um vulcão ativo em León, na Nicarágua.

O país da América Central tem 19 vulcões ativos, mas há um deles que se destaca. Com 728 metros de altitude, o Cerro Negro sempre impactou os visitantes devido à sua cor mais escura, um ponto negro no meio de uma paisagem verdejante. Ainda assim, era um simples vulcão como qualquer outro — até há bem pouco tempo.

Nos últimos anos, tornou-se um destino turístico bastante procurado por um motivo peculiar: o “volcano surfing”, nome dado à atividade. Mais do que subir até ao topo e apreciar a vista, aquilo que mais atrai os visitantes é mesmo o momento da descida. 

Com uma prancha de madeira, deslizam pelas encostas íngremes a alta velocidade, uma “atividade única em todo o mundo”, segundo a Vapues Tours, uma das empresas de turismo que promove a experiência. “É por isso que o Cerro Negro é um dos lugares mais populares e visitados do país. Este tipo de desporto radical sem dúvida que aumentou a quantidade de visitantes.”

Afinal, é o único lugar no mundo onde é possível surfar um vulcão ativo. Antes do volcano surfing, a única atração na região era a catedral. A principal indústria era a agricultura e os locais vendiam apenas amendoim e algodão. Hoje em dia, a catedral de León, uma das maiores da América Central, construída em 1814, está rodeada de alojamentos turísticos que acolhem os visitantes aventureiros que querem descer o Cerro Negro. O desporto tornou-se na principal fonte de rendimento da cidade.

A mudança aconteceu na viragem do século. Ao longo de duas décadas, têm sido muitos os desportistas e aventureiros que tentam fazer a descida no menor tempo possível. Muitas dessas tentativas falharam, com algumas lesões pelo meio.

Eric Barone, que fez a descida de bicicleta a 172 quilómetros por hora, em 2002, foi um dos principais impulsionadores desta perigosa atividade. O ciclista francês acabou no hospital, com muitas feridas e ossos partidos, além de ter psrtido a bicicleta ao meio. 

O australiano Dawwyn Webb, agora proprietário do Bigfoot Hostel em León, foi uma das pessoas que viu potencial na colina e começou por testar diferentes veículos de descida. Já tinha experiência em praticar snowboard em dunas de areia, mas teve que ajustar a atividade ao terreno mais irregular de um vulcão. Fê-lo com um colchão, com a porta de um frigorífico e até uma mesa de piquenique invertida.

As primeiras tentativas foram um desastre: caiu mais de 30 vezes. Eventualmente, percebeu que a melhor forma de atingir a velocidade necessária seria com uma espécie de trenó de madeira, com uma fina cama de metal no fundo — e assim nasceu, em 2006, a atividade de surfar num vulcão ativo na Nicarágua. Com as redes sociais, especialmente com o TikTok, o fenómeno ganhou uma popularidade gigante.

O percurso desta aventura tem início na cidade de León, a cerca de 80 quilómetros da capital Manágua. Num veículo 4×4, os visitantes são levados até ao início do vulcão, onde serão entregues todos os materiais necessários: prancha de madeira, luvas e óculos para proteger os olhos da areia.

A partir daí, começa uma subida de aproximadamente uma hora, um trajeto que pode ser desafiante para alguns, muito devido ao sol e ao nível de inclinação. Além disso, o terreno é arenoso, cheio de pedras e pode ser escorregadio. Já no topo, com um forte cheiro a enxofre, consegue ver a cratera e toda a cordilheira vulcânica.

@sightsofsara

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Depois, chega então o momento mais esperado: o da descida. Cabe ao turista escolher se prefere descer sentado ou em pé, mas qualquer uma das opções é possível. Tudo acontece durante dois a cinco minutos, dependendo da velocidade. OS mais rápidos conseguem atingir cerca de 100 quilómetros por hora.

Atualmente existem mais de 12 operadores turísticos a realizar excursões ao local e que dão aos visitantes a oportunidade de surfar num paraíso cinzento. Os preços variam consoante a empresa. Se reservar com a BigFoot, por exemplo, a descida custa cerca de 30€.

O Cerro Negro é o vulcão mais jovem da América Central, com apenas 165 anos, mas é também um dos mais ativos da região. Desde o seu nascimento já houve, pelo menos, 20 erupções, sendo que a última aconteceu em 1999, com lava a alcançar mais de 300 metros de altura.

Como lá chegar

O aeroporto mais perto do Cerro Negro é o da capital Managua. Se partir de Lisboa, encontra bilhetes de ida e volta desde 660€. Do aeroporto, pode apanhar um autocarro direto até à cidade de León, numa viagem que demora quase 2 horas.

Carregue na galeria para ver imagens dos turistas a praticar volcano surfing no Cerro Negro.

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