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Estas duas ilhas estão separadas por 4 quilómetros (mas a viagem demora 21 horas)

Uma pertence aos EUA, a outra faz parte da Rússia. Apesar de estarem próximas, vivem em fusos horários bem diferentes.
21 horas separam as ilhas Diomedes.

Já imaginou se Belém e Alcântara fossem separadas por uma diferença horária de 21 horas? É o que acontece no estreito de Bering, entre a Sibéria e o Alasca, onde apenas quatro quilómetros separam o território americano do território russo.

Apesar da distância geográfica ser pequena, politicamente não podiam estar mais separadas. O que significa que, quando passa de uma ilha para a outra, vai mudar de país e até de continente. Mais: por causa dos diferentes fusos horários, vai literalmente viajar no tempo 21 horas para a frente ou para trás, consoante o percurso.

Fazer esta travessia por mar é ilegal. Porém, nos dias mais frios, alguns turistas mais corajosos arriscam percorrer os quatro quilómetros a pé. Durante o inverno, o mar congela e é como se as ilhas ficassem ligadas por uma pista de gelo.

Grande Diomede é o nome dado à ilha maior, que pertence à Rússia, que também é conhecida po Ratmanov. A mais pequena, dos EUA, chama-se Little Diomede, isto é, Pequena Diomede. Os dois países têm nesta região uma fronteira improvável e imaginária: a Linha Internacional de Data estabelece que o calendário muda de data — 21 horas para sermos mais precisos. Isto apesar de o trajeto de barco, por exemplo, demorar apenas 10 minutos.

Esta curiosidade inspirou até um romance escrito por Umberto Eco. “A Ilha do Dia Anterior” foi um dos seus maiores sucessos literários e contribuiu para que esta história se tornasse mais conhecida.

Durante a Guerra Fria, entre a Rússia e os Estados Unidos, este local tornou-se a verdadeira “Cortina de Gelo” entre os dois países. Numa alusão ao clima da região, onde as temperaturas podem chegar aos 40 graus negativos, era a principal fronteira física entre o comunismo e o capitalismo.

Visitar as duas ilhas é realmente desafiante. As temperaturas tornam toda a experiência bastante difícil. Por isso, hoje em dia, só a ilha americana é habitada. Quando a tensão entre os dois rivais aumentou na segunda metade do século XX, a Rússia expulsou os esquimós que viviam no seu território com medo de que fossem espiões, permanecendo sem ocupantes até hoje. A ilha russa abriga apenas uma base militar.

Na Pequena Diomede, os cerca de 140 habitantes da comunidade inupiat vivem da pesca e da caça de focas, ursos e raposas. Os esquimós nativos americanos ocupam a ilha há cerca de três mil anos, mas 35 por cento vive abaixo do limiar da pobreza.

Esta zona do planeta também tem sido especialmente apetecível para os batedores de recordes. Em 1987, Lynne Cox, uma nadadora de longa distância e escritora estadunidense, teve a ousadia de atravessar a nado o canal que separa as Diomedes. Numa ação que pretendia unir os dois países, nadou durante mais de duas horas e chegou à ilha russa, sendo saudada pelos dois presidentes, Ronald Reegan e Mikhail Gorbachev. Apesar de chegar às manchetes de todo o mundo, o evento não conseguiu quebrar o gelo entre as duas superpotências.

Se ficou com vontade de visitar o arquipélago, saiba que só precisa de apanhar um avião até ao norte do globo. Não se preocupe com o trajeto Portugal-Alasca. A NiTtravel pode tratar de todos os pormenores da viagem.

Quando chegar ao aeroporto de Nome, já no Alasca, procure um helicóptero que o leve até uma das ilhas. A companhia Bering Air realiza voos entre Nome e a Pequena Diomedes, mas só no inverno, quando o mar congelado permite a construção de uma pista de aterragem provisória. A travessia de Nome para a Pequena Diomedes pode chegar aos 700€.

A não ser que consiga ficar alojado na escola da Pequena Diomede, que disponibiliza quartos por 70€, recomendamos que planeie a sua viagem apenas para um dia.

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