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Este é o trilho mais perigoso de sempre: fica na China e há quem o considere sagrado

Para chegar aos 2.160 metros de altitude, tem de subir escadas improvisadas e passar por caminhos de tábuas pregadas nas rochas.
Vai testar os seus limites.

Saltar de avião, escalar os maiores picos do mundo, mergulhar nos sítios mais profundos. Há algumas pessoas que parecem ter aventura no sangue e que se colocam à prova nos locais mais inusitados. Se é o tipo de turista que não perde uma oportunidade de garantir uma boa descarga de adrenalina, tem mesmo de conhecer um dos lugares mais incríveis do mundo.

Anualmente milhares de viajantes decidem ir a uma das estradas mais perigosas de sempre. Com escadas improvisadas e caminhos feitos com tábuas pregadas nas rochas, a cada passo que se dá, são testados os seus limites. No topo da montanha Huashan, uma bucólica casa de chá aguarda a chegada de cada corajoso. Na China, em Huayin, parte da província de Shaanxi, vista num mapa, a cadeia de montanhas parece uma flor. Quem quiser recompensar-se com uma bebida quente, só tem de subir até aos 2.160 metros de altitude.

Já deve ter visto várias fotografias de turistas pendurados na encosta de uma montanha deslumbrante ou a andar por cima de alguma madeira fina. A probabilidade de alguma delas ser neste spot é elevada, já que é ponto obrigatório para os mais destemidos. Localizado a uma hora de Xi’an, uma das cidades mais populares da China, pode apanhar um comboio que, depois de 40 minutos de viagem, o deixa ao pé de um pequeno autocarro.

A partir daqui, vai ter de percorrer a estrada ao longo de 30 minutos e só depois chegará à base da montanha. Pelo caminho fascine-se com a vista de fundo para a colina. Uma vez lá, só tem de escolher qual dos teleféricos usar.

A montanha é considerada uma das cinco sagradas da China. Não é surpresa, portanto, que esteja cheia de habitantes numa jornada espiritual. Afinal de contas, o que são seis ou sete horas num dos trilhos mais perigosos do mundo, comparado com uma peregrinação de dias a Fátima? Cada uma com os seus proveitos e motivações próprios, não há, no entanto, dúvidas de que esta exige um pouco mais de loucura. Claro que, ainda lá em baixo, pode escolher entre vários caminhos possíveis, mas se o objetivo é colocar-se à prova, então, que seja à grande. Pelo caminho vai encontrar obstáculos e mais obstáculos.

A estrada que o irá levar até ao cume começa com muitas escadas enormes, apelidadas de “The Heavenly Stairs”. Quem já o percorreu diz que a primeira impressão é, como o nome indica, a de que o caminho segue até ao céu, como se se subisse em direção às nuvens, já que é impossível ver onde termina. No entanto, o percurso atinge o azul e depois o branco, mas não pára por aí. Esta é ainda a parte mais fácil e acessível de todo o caminho.

Depois de chegar à parte sul da montanha, e de passar por casas e pequenas aldeias, uma das rotas mais perigosas do mundo aguarda-o. As tábuas finas fixadas na montanha são só possíveis de ser passadas com o apoio de umas correntes que estão pregadas nas pedras. E não, não há mais nada para mantê-lo seguro, à exceção de um arnês e uma fina corda.

Como se não bastasse, ainda vai ter de escalar e de usar os buracos cavados para manter o equilíbrio. Não é por acaso que é conhecida por Plan Walk. O chá, no final, deve ser mesmo incrível para merecer uma subida tão longa e perigosa.

Riscos à parte, a casa de chá é na verdade um Santuário e templo taoísta. Dado que os primeiros habitantes desta região praticavam o ascetismo, a sua meditação diária era acompanhada por uma chávena de chá. Assim, depois de décadas, o templo tornou-se um salão de chá que é visitado anualmente por milhares de turistas.

Não se espante ao ver bocados de ferro enfeitados com fitas douradas ou vermelhas e cadeados. Afinal, não é só nas pontes das cidades europeias que se colocam adornos. É costume os visitantes comprarem os cadeados na montanha e trancá-los nas correntes para rezar pela saúde e segurança dos seus amigos e familiares.

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