NiTtravel

Kalandula: o incrível e mais bem-guardado segredo de Angola

São as segundas maiores cataratas de África, mas permanecem desconhecidas. O arco-íris que se forma à sua volta é impressionante.
Tem 105 metros de altura.

Quando pensamos em destinos de sonho no continente africano, as primeiras imagens que nos surgem na mente incluem os safaris na Namíbia, Quénia ou África do Sul. Já os amantes de praia tendem a sonhar com as praias de Zanzibar (Tanzânia), de Bazaturo (Moçambique) ou do Mussulo e Benguela (em Angola).

Contudo, existem muitas outras maravilhas para descobrir, uma delas fica precisamente neste último país. Com 105 metros de altura e 400 metros de extensão, as cataratas de Kalandula, são as segundas maiores quedas de água de África. O primeiro lugar pertence às cataratas Victória, entre a Zâmbia e o Zimbabué, com 1,7 quilómetros de comprimento e 108 metros de altura.

Ao contrário do que acontece com as detentoras do recorde, a grandeza das cataratas Kalandula é inversamente proporcional à fama — são quase desconhecidas. A localização é um dos motivos que justificam o facto de serem pouco visitadas. Situadas no rio Lukala, na província de Malanje, ficam a 420 quilómetros de Luanda e a estrada de terra batida até ao estacionamento mais próximo das Kalandula tem muitos troços esburacados e difíceis de percorrer.

No tempo colonial eram conhecidas por cataratas Duque de Bragança. Em 1975, com independência de Angola, mudaram de nome. A designação escolhida deriva de Calendula officinalis, uma planta nativa da África Central, com pequenas flores vermelhas e amarelas, da família das margaridas.

A viagem, apesar de longa e demorada (o trajeto de carro da capital até lá pode demorar mais de seis horas) vale a pena. Claro que depois ainda é necessário fazer o caminho das pedras (literalmente) em plena selva tropical do Parque Nacional da Cangandala, até chegar ao topo da cascata em forma de ferradura.

A melhor forma de apreciar o precipício dominado pela força das águas que rebentam ruidosamente no abismo é descer até à base, o que implica descer por um caminho lamacento, rodeado de vegetação e algo escorregadio.

As Kalandula são um impressionante espetáculo da natureza: a imponente queda de água cria um arco-íris à sua volta, proporcionando um cenário de rara beleza e serenidade. As cataratas permanecem selvagens e mergulhadas na tranquilidade devido à fraca afluência turística. Apesar de ser uma característica apreciada por muitos, tem um revés. A área não é vigiada, o acesso é livre e nem todos conseguem avaliar o risco de subir a uma pedra húmida à beira do precipício para tirar uma selfie.

Os relatos dos populares da região sobre turistas que caíram no abismo e cujos cadáveres nunca foram encontrados são frequentes. Quantos são verdadeiros, nunca se saberá. Uma coisa é certa: face à força da natureza, o melhor é optar pela prudência.

Como lá chegar

O percurso até às cataratas será longo, mais vale começar da forma mais direta possível. Se partir de Lisboa, encontrará voos para Luanda a partir de 756€. Quando aterrar na capital, a melhor forma de chegar às Kalandula é optar por reservar uma viagem de carro com motorista junto de um operador local.

Carregue na galeria para ver mais imagens desta maravilha angolana quase desconhecida.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT