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Kingdom of the Little People: o polémico parque temático onde só trabalham anões

Surgiu como refúgio das pessoas mais baixas e atualmente faz as delícias de todos os seus visitantes.
Fica na China e é um sucesso.

“És progressivo de uma certa forma, mas ainda estás a fazer aquela história retrógada de merda sobre sete anões que vivem juntos numa gruta. O que raio estão a fazer? Não fiz nada para fazer avançar a causa? Parece que não o suficiente”. Em entrevista a Mark Maron, no célebre podcast “WTF”, Peter Dinklage arrasou o remake da Disney de “Branca de Neve e os Sete Anões”, previsto para estrear em 2023.

Aos 52 anos, Peter Dinklage é o ator anão mais famoso e conceituado do mundo. Provavelmente, é a pessoa anã mais célebre do planeta e desde o início da carreira que tem trilhado um caminho que o tem diferenciado — ao mesmo tempo que tem quebrado estereótipos.

Uma em 25 mil pessoas sofre de nanismo em todo o mundo. Uma alteração genética impede de crescer além dos 1,40 metros e com o alongamento dos ossos podem chegar aos 1,50 metros. Em Portugal, estima-se que vivam cerca de 500 anões. Ainda assim, muito se ouve sobre esta condição.

A uma hora de carro a leste da cidade de Kunming, no sudoeste da China, o Reino dos Pequenos (Kingdom of the Little People) é um dos espaços que alimenta o debate sobre o tratamento de pessoas com nanismo. Num empreendimento que emprega cerca de 100 pessoas de baixa estatura, afirma-se como um paraíso capacitista.

Andar pelas suas ruas, com as casas coloridas com telhados em forma de cogumelos e uma tentativa de réplica do The Shire, ficamos com a sensação de estar a percorrer as páginas de um livro do Dr. Seuss.

Depois de se pagar o bilhete de 15€, os visitantes sentam-se em frente ao palco principal para assistir às apresentações matinais. É comum ver artistas de casacos com cores vibrantes dançar enquanto o protagonista, o rei, de manto e coroa, atua. Pouco depois, aparece um grupo feminino que faz uma dança ao estilo de Bollywood.

A oeste do famoso Lago Dianchi de Kunming, o Reino das Pessoas Pequenas ou Reino dos Anões, além dos vários espetáculos baseados nos contos de fadas e comédia, oferece outras animações, sendo a mais recente as acrobacias. Atualmente, o evento de destaque é a caminhada na corda bamba, com apenas um artista no parque capaz de andar livremente, sem nenhum equipamento de segurança.

Caminhando pelos 3.500 metros quadrados do parque, os turistas encontram grandes castelos medievais, uma vila feita de casas na árvore e ainda um enorme avião AF-1 com um restaurante. Mas a chegada ao espaço pode não ser a etapa mais fácil. A cerca de 30 quilómetros do centro de Kunming, há apenas um autocarro público que faz o trajeto. Para os visitantes que chegam de táxi é recomendado que peçam ao motorista para que volte passado umas horas.

Durante o dia, porque não parar no Museu do Reino dos Anões? Aqui vai poder descobrir toda a história das apresentações mais populares do parque temático. Fundado por Chen Mingjing, surgiu na sequência de um encontro no comboio entre o rico investidor imobiliário de Sichuan e duas pessoas diagnosticadas com nanismo. Numa entrevista à revista “Time”, em 2018, o empresário confessou “sentir pena da situação deles”.

Devido à falta de instalações acessíveis e ao estigma social em torno do nanismo, poucas pessoas anãs na China podem obter educação ou formação profissional. Mesmo que encontrem emprego, os salários são geralmente metade daquele que ganhariam se não tivessem esta condição. “Achei que deveríamos construir um reino só para eles”, continua.

Atualmente, o projeto de 14 milhões de euros faz parte de um complexo privado perto do Lago Dianchi e até ele chegam três a quatro candidatos por mês. Contudo, desde que abriu as portas, em julho de 2009, como parte oficial do World Butterfly Ecological Park, um espaço ecológico da região, o reino levantou debates sobre a ética por detrás das suas operações comerciais.

Nada melhor para tirar conclusões sobre este tema do que passar pela verdadeira experiência de andar pelas ruas mágicas em ponto pequeno.

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