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No novo restaurante do Douro, mandam os sabores regionais

É o novo espaço inserido no luxuoso Six Senses Douro Valley, abriu no verão passado, mas só agora está a funcionar a 100 por cento.

Até 2008, José Maria Gomes era piloto de aviões comerciais. Viajou pelo mundo e conheceu novas culturas até que a crise financeira o fez regressar à terra. Hoje é chef executivo do Six Senses Douro Valley e responsável pelo mais recente projeto da cadeia de luxo: o Cozinha do Douro.

O cozinheiro assumiu funções no hotel com vista para o Douro em maio de 2024, após um percurso longo em diferentes países. Quando deixou a aviação, tinha apenas 20 anos. Mudou-se para França, onde a mãe vivia, e decidiu explorar a outra paixão: a cozinha. “Deram-me duas opções, ou ia trabalhar, ou ia estudar. A minha mãe sabia que eu adorava cozinha, mas eu precisava de perceber se seria mesmo esse o meu caminho antes de enterrar dinheiro em cursos. Então fui experimentar”, conta à NiT o chef de 39 anos.

Começou num restaurante parisiense, onde aprendeu técnicas e hábitos de cozinha profissional. Aproveitou para pedir conselhos a outros cozinheiros sobre a formação e acabou por se inscrever na Escola Ferrandi, em Paris.

No final do curso, estagiou no restaurante L’Hostellerie de Plaisance, com duas estrelas Michelin, no sul de França, e seguiu para o Luxemburgo. Passou depois por Macau, Madeira e Seychelles, até regressar a Portugal na pandemia. Sem trabalho, lançou uma marca de entrega de smash burgers, que encerrou em 2022. O convite para o Six Senses surgiu em 2024.

“No ano passado, quando cheguei, o local onde funciona agora a Cozinha do Douro já tinha passado por várias tentativas. A Six Senses tem uma forma muito própria de pensar a gastronomia, onde o pilar é a sustentabilidade, e desafiaram-me a montar um conceito novo”, recorda.

Baseado na sazonalidade e nos produtos da região, criou uma “cozinha autêntica”. “Estamos na Régua, entre os Trás-os-Montes e o Minho. O rio Douro passa-nos à porta. Temos tudo aqui, só precisámos de saber trabalhá-lo, com autenticidade. Foi isso que fizemos”, explica.

O espaço abriu no final do verão passado, mas só em julho deste ano foi revelado publicamente. “É muito fácil encontrarmos hambúrgueres e saladas num hotel. Aqui não fazia qualquer sentido esse tipo de cozinha. E a verdade é que os clientes parecem pensar o mesmo porque estamos sempre cheios. É isto que querem vir descobrir: um espaço onde a cozinha regional duriense, minhota e transmontana se cruzam. Onde as receitas antigas são recuperadas e em que são usados produtos locais e sazonais”, afirma.

Para José Maria, a limitação aos produtos locais e ao receituário tradicional acabou por ser uma vantagem. “O caminho está feito. O Cozinha do Douro é um restaurante de memória, onde usamos porco bísaro, carnes autóctones e peixes do rio para cozinharmos os pratos das avós.”

Na carta, destacam-se as bochechas de porco guisadas com esmagada de batata (32€), o ensopado de borrego transmontano com batatinhas e pão torrado (34€) e o lombo de bacalhau confitado com migas de broa de milho, grão de bico e couve (32€). Mas a estrela da casa é a canja, feita com galinha Lusitana, hortelã da horta e ovo do campo (14€).

O menu muda a cada estação e é acompanhado por vinhos da região, selecionados pelo sommelier Rui Martins, wine manager do restaurante. O espaço funciona num corredor ao lado da garrafeira do Six Senses e tem capacidade para 35 pessoas. Enquanto o tempo permitir, as refeições podem ser servidas no terraço.

O Cozinha do Douro fica integrado no Six Senses Douro Valley, inaugurado em 2015, em Samodães, no alto de uma colina com vista para o rio. O resort de cinco estrelas foi o primeiro da marca na Europa e oferece 71 acomodações, incluindo quartos e villas com vistas panorâmicas, suítes com janelas do chão ao teto, varandas privadas e jardins.

O hotel dispõe de um spa com 2.200 metros quadrados, piscina interior aquecida, sauna, banho turco, piscina exterior com vista para o vale e até aulas de antigravity ioga. A oferta gastronómica inclui ainda dois restaurantes, um bar e uma wine library com tapas, queijos, presunto e enchidos regionais.

Uma noite neste resort custa cerca de 850€ e dá acesso ao spa. Mas quem preferir pode jantar no restaurante, sem estar hospedado. Tem apenas de fazer reserva.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta Vale de Abrão
    5100-758 Samodães
PREÇO MÉDIO
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