Esta quinta-feira, 28 de agosto, Anta de Baixo, em São Pedro do Sul, deveria ser palco de um novo festival de trance psicadélico. Mas o que poderia ter sido apenas mais um evento de verão, transformou-se numa nova polémica – e o evento acabou mesmo por ser cancelado.
Segundo o “Público”, o evento era co-organizado por Shahar Bickel, DJ israelita com ligações às Forças de Defesa de Israel (IDF). Um facto que não passou despercebido às diversas organizações de defesa da Palestina. Entre elas o COmité de Solidariedade com a Palestina, que acusou os organizadores de quererem transformar Portugal num “porto seguro para quem cometeu crimes de guerra e contra a humanidade”.
As queixas acumularam-se, conforme confirmou ao jornal o presidente da Câmara de São Pedro do Sul, Vítor Figueiredo. As reclamações tinham como justificação a ausência de informações fiscais obrigatórias no site do evento, mas também o facto de a bilheteira ser alegadamente gerida a partir de Israel sem cobrança de IVA e até risco de incêndio, já que a organização pretendia usar pirotecnia numa área florestal.
O evento acabaria por ser cancelado, explicou ao “Público” o autarca, que afirma que “não foi dado parecer positivo em função da grande quantidade de produto combustível que existe no terreno”.
A polémica intensificou-se quando foram publicadas provas das ligações do promotor às IDF, que remontam a 2023. Nas redes sociais, os responsáveis pelo festival rejeitaram as acusações, alegando estar a ser alvo de uma campanha de “ódio e difamação”. “Não somos o nosso país, não somos o nosso Governo. Somos seres humanos que querem espalhar uma mensagem de conexão, paz e amor”, escreveram.
Entretanto, a própria organização acabou por admitir o cancelamento. “Neste momento, o evento encontra-se cancelado. Entretanto, estamos a trabalhar com as autoridades e os parceiros para garantir todas as aprovações necessárias e a implementação de todas as medidas de segurança”, referiram em comunicado.
A polémica levou também vários artistas a desistirem da atuação. Entre eles esteve o português Renato Oliveira, conhecido como Till Sunday Pirate.